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Como escolher bons reprodutores? Confira os critérios

Por Fabíola Lino em 3 de setembro de 2020

A genética é um dos pilares básicos da produção animal.  Sendo assim, utilizar touros de genética superior contribui para a eficiência produtiva, reprodutiva e maior lucratividade da atividade pecuária. 

Mas como escolher um touro de qualidade?

É importante optar por reprodutores que foram avaliados em um programa de melhoramento genético. Isso, porque a avaliação genética fornece ao pecuarista as estimativas de Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) que, de maneira simplificada, representam o que se espera dos filhos de um touro. As DEPs auxiliam na escolha dos reprodutores adequados para o progresso genético do rebanho.

Assim, nos sumários ou catálogos de touros constam informações de DEPs para precocidade sexual, ganho de peso, habilidade materna, carcaça, qualidade de carne, entre outras. Entretanto, é preciso analisá-las de forma ampla, com visão do todo. Por exemplo, é importante avaliar a DEP para peso ao desmame e ao ano (características de crescimento) em conjunto com as DEPs para características de carcaça, bem como a DEP para circunferência escrotal, que indica precocidade.  

Todavia, a comparação das DEPs de diferentes touros deve ser feita apenas entre animais avaliados pelo mesmo programa de melhoramento genético, pois a base genética usada para comparação nas avaliações é distinta. Além disso, encontra-se nos sumários o valor de acurácia, que representa a confiabilidade do valor da DEP. A acurácia varia de 0 a 100%, sendo importante utilizá-la para definir a intensidade do uso do touro desejado na reprodução. Quanto maior o valor, maior é a confiança que não ocorrerão variações naquela DEP, mesmo com a inclusão de novas informações sobre o animal. 

Importante: não existe o touro ideal para todos os rebanhos

Atualmente, o pecuarista tem garantia da qualidade genética dos animais que está adquirindo quando este possui o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP). O CEIP é um documento respaldado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e indica que o touro em questão está entre os 20% melhores do rebanho que foi avaliado. 

Mas, vale ressaltar: não há um touro que seja o melhor para todos os rebanhos. “Cada caso é um caso”. Logo, a escolha do touro deverá levar em consideração os objetivos da fazenda e o sistema produtivo no qual o reprodutor será utilizado. 

Neste contexto, é fundamental analisar quais problemas a fazenda enfrenta para, assim, encontrar o(s) touro(s) adequado(s) para corrigi-los. No entanto, não queira soluções imediatas, o progresso genético do rebanho ocorre de forma gradativa e, para isso, a seleção genética precisa ser constante.

Assim, conhecer o rebanho e a produção atual é indispensável para identificar o que precisa ser melhorado. Busca-se reprodutores que consigam transmitir às suas filhas precocidade sexual, para que possam iniciar mais cedo a vida reprodutiva. Antecipar a idade à primeira cria melhora a eficiência reprodutiva e a produtividade (mais bezerros durante a sua estadia na fazenda). 

Além disso, esteja atento a capacidade do touro em transmitir a habilidade materna, que está relacionada a capacidade da vaca de desmamar um bezerro mais pesado. Característica, essa, que interfere em um índice importante na fase de cria que é kg de bezerros desmamados/vaca/ano. Ainda em relação à habilidade materna, é importante avaliar as características para ganho de peso e peso à desmama. Busca-se obter bezerros pesados à desmama e que tenham bom ganho de peso durante a sua vida. 

E não se esqueça das características de carcaça e qualidade da carne (área de olho de lombo, acabamento de carcaça, marmoreio, maciez da carne), que estão relacionadas com rendimento de carcaça, precocidade sexual, acabamento de carcaça, quantidade de gordura intramuscular e qualidade da carne, respectivamente. 

Demais características

Outro ponto relevante na aquisição de touros são as características funcionais, as quais podem garantir que este consiga cobrir as fêmeas. Dessa forma, o touro não deve apresentar defeitos de cascos, articulações e precisa ter bons aprumos, essencial para sua locomoção e boa monta. Fique atento também ao tamanho do prepúcio, recomenda-se que este seja curto para evitar lesões. 

Por fim, prefira animais que foram avaliados em sistemas produtivos semelhantes aos que serão utilizados. O desempenho do touro será insatisfatório, caso ele encontre condições desfavoráveis na fazenda. O mesmo ocorre com os filhos do touro. A genética será repassada, porém, os animais precisarão de condições favoráveis para expressá-la.

Isso ocorre em virtude do fenótipo do animal, ou seja, o seu desempenho ser o resultado da sua genética e o meio ambiente no qual está inserido. Portanto, para o bezerro crescer, ganhar peso e se tornar um boi gordo de qualidade, faz-se necessário genética e ambiente adequados. Isto é, ter qualidade de vida, sanidade e manejos corretos, além de conforto térmico e nutrição de qualidade para expressar seu potencial genético. 

Em resumo, o que é necessário para escolher um bom touro?

  1. Analisar os objetivos com a produção;
  2. Avaliar o tipo de animal que se pretende produzir e consequentemente o mercado que irá atender;
  3. Conhecer o rebanho e o ambiente produtivo disponível para os animais;
  4. Analisar as características de interesse (crescimento, reprodutivas e de carcaça) com visão global, de acordo com os tópicos de 1 a 3;
  5. Preferir touros com avaliação genética oriundos de fazendas que trabalham com programas de melhoramento genético;
  6. Lembrar que não existe “o melhor touro” que atende todos os rebanhos. 

Enfim, a escolha do touro é ponto importante para o progresso genético da fazenda e melhoria dos índices produtivos e reprodutivos. Porém, é fundamental estar atento a todos os aspectos da produção e fornecer um ambiente adequado para que os animais expressem o seu potencial genético. 

Neste sentido, o iRancho auxilia você, pecuarista, a controlar e gerenciar o ambiente produtivo para que os animais tenham nutrição e manejos adequados para melhor desempenho animal e lucratividade. Conheça o iRancho, teste e comprove sua eficácia.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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