Menu

Estação de monta: tudo que você precisa saber!

Por Fabíola Lino em 24 de setembro de 2020

A estação de monta consiste em concentrar as atividades reprodutivas em um período do ano, no qual as matrizes são expostas à reprodução por monta natural ou inseminação artificial.  

Com a estação de monta é possível concentrar os partos, formando uma estação de parição e posteriormente de desmama. Isso otimiza as operações de manejo, auxilia na identificação de fêmeas que desmamam bezerros leves. Além disso, ao final da estação de monta, é possível avaliar o desempenho de touros e identificar animais improdutivos para orientar no descarte correto dos reprodutores. 

Observa-se que, em fazendas que não realizam a estação de monta, os partos e o desmame acontecem distribuídos aleatoriamente nos meses ao longo do ano, isso dificulta estabelecer períodos específicos de manejos e a formação de lotes de bezerros. 

Dessa forma, a adoção da estação de monta possibilita formar lotes uniformes de bezerros e em períodos estratégicos que resultam em maior poder de negociação e competitividade no mercado. Ponto fundamental no momento atual, em que a reposição está em alta e o pecuarista consegue receber um valor maior pelo bezerro comercializado. Em fazendas que realizam o ciclo completo obtém-se padronização de lotes, pois os bezerros entrarão juntos na recria e terminação. 

Sendo assim, listamos algumas vantagens da estação de monta:

  • Aumenta a eficiência reprodutiva;
  • Concentra as parições estabelecendo uma estação de nascimentos; 
  • Formação de lotes uniformes de bezerros;
  • Estabelece uma estação de desmama;
  • Fácil adoção na fazenda;
  • Concentra as atividades de manejo e otimiza as operações pelos colaboradores;
  • Maior facilidade em identificar as fêmeas com baixa produção e animais improdutivos para orientar nos descartes.

Contudo, diversos fatores precisam ser avaliados para estabelecer a estação de monta na fazenda. Dentre eles, destacam-se o período, a duração, manejo nutricional do rebanho, a capacitação da equipe, avaliação ginecológica das fêmeas e da qualidade do sêmen dos reprodutores (para evitar comprometimento na taxa de prenhez). 

Planejamento da estação de monta

O planejamento é uma ferramenta imprescindível para o sucesso da estação de monta.  O ideal é que o planejamento reprodutivo seja feito com bastante antecedência, para que os touros e matrizes estejam aptos à reprodução no momento de iniciar a estação. Principalmente do ponto de vista nutricional, com fêmeas bem nutridas e condição corporal adequada para que haja a concepção e a condução da gestação. 

Para diminuir o intervalo de partos e produzir um bezerro/vaca/ano, o período de serviço, que consiste no tempo decorrente entre o parto e uma nova concepção, precisa ser curto. Por isso, é necessário definir corretamente a duração e a época do ano para realizar a estação. 

Atualmente, a estação de monta tem duração média de 60 a 90 dias e máxima de 120 dias. Este período é considerado o suficiente para que todas as fêmeas tenham oportunidade de emprenhar. Desde que não ocorram falhas nutricionais, sanitárias, de manejo ou problemas de fertilidade dos touros ou matrizes. 

A época do ano para realizar a estação de monta deve ser determinada de acordo com a região, levando em consideração a disponibilidade de forragem para atender as exigências nutricionais das matrizes e o melhor período para os nascimentos dos bezerros. 

Dessa forma, no Centro-Oeste, a estação de monta é comumente realizada de novembro a janeiro (figura), durante o período das águas, meses de maior disponibilidade e qualidade de forragem. A qual é fundamental para o restabelecimento da atividade reprodutiva das matrizes. Além disso, concentra-se os nascimentos entre agosto e outubro, durante a estação seca do ano, favorecendo o manejo sanitário dos bezerros.

Neste contexto, é fundamental ter um planejamento nutricional, elaborado de acordo com a realidade da fazenda, genética dos animais, nível de tecnologia, índices atuais e as metas estabelecidas. 

As fêmeas bovinas em fase reprodutiva apresentam exigências nutricionais distintas para mantença, gestação, lactação e crescimento (em fêmeas jovens). Assim, necessitam de um eficiente manejo nutricional, para que possam apresentar cio, emprenhar, manter a gestação e produzir leite. Vale ressaltar que o estado nutricional da vaca no pós-parto é determinante para que ela volte a apresentar cio, pois precisará recuperar escore de condição corporal e amamentar o bezerro.

O planejamento nutricional precisa atender as necessidades das vacas em cada um desses momentos. Para isso, é essencial elaborar as melhores estratégias nutricionais para antes, durante e após a estação de monta. 

Na produção a pasto é preciso definir a capacidade de suporte, a taxa de lotação e fazer um bom manejo de pasto para ter disponibilidade e qualidade de forragem. Lembrando que, na estação seca do ano, a taxa de lotação é inferior a das águas e o capim é de pior qualidade. Portanto, é necessário o uso de suplementos para fornecer os nutrientes que estão deficientes no pasto. 

Mas lembre-se, para obter boa taxa de prenhez ainda é importante dar atenção ao touro ou sêmen que será utilizado. Os touros precisam estar saudáveis e sem problemas de aprumos para que consigam efetuar a monta. Procure reprodutores de boa genética, que atendam aos objetivos e o sistema produtivo utilizado, visando melhorar os indicadores técnicos e econômicos. 

Recomenda-se que os touros cheguem na fazenda antes do início da estação de monta. Este tempo é necessário para minimizar o estresse, se adaptar ao novo local e receber alimentação adequada para não comprometer a produção de espermatozoides. Outra recomendação é a realização do exame andrológico para avaliar a fertilidade do touro e o exame ginecológico nas fêmeas.

A monta natural pode ser substituída pelo uso da inseminação artificial convencional (IA) ou em tempo fixo (IATF), com aplicação de protocolos hormonais para indução da ovulação e sincronização de cio. 

Contudo, independente de qual seja o manejo reprodutivo adotado na fazenda, é fundamental constar no planejamento um cronograma para a capacitação da equipe. Isso, porque é muito importante mostrar aos colaboradores quais manejos serão realizados e a forma correta de conduzi-los. 

 Por fim, um planejamento eficiente precisa conter os custos com a realização da estação de monta. Utilize um software de gestão como o iRancho para registrar todas as movimentações, criar centro de custo para a fase de cria e ter um controle produtivo e financeiro eficiente. 

Calcule todos os gastos desde a nutrição das matrizes, sanidade, touros, aquisição de sêmen, serviços, funcionários, utensílios, equipamentos, entre outros. O custo com a estação de monta entrará na “conta do bezerro”. Afinal, a receita com a venda do bezerro precisará pagar a conta dele e da mãe. Por isso, buscamos maior eficiência reprodutiva para produzir mais bezerros e de melhor qualidade.

Estação de monta e a produção de Bezerros do Cedo 

Mas, além da genética, a nutrição materna, da cria e a época de nascimento interferem na obtenção de bezerros de qualidade. 

Neste contexto, objetiva-se que a maioria das vacas emprenhem no início da estação de monta para obtermos os bezerros “do cedo”, ou seja, aqueles que nascem no início da estação de parição. Estes apresentam melhor crescimento, desenvolvimento e desempenho comparados aos bezerros “do tarde” (nascem no final da estação de parição).

As matrizes que emprenharam no início da estação de monta passarão o terço médio de gestação na transição águas-seca, quando ainda há disponibilidade de forragem. Neste período, ocorre a hiperplasia das células musculares do feto. Assim, uma boa disponibilidade de nutrientes permite formação correta de fibras musculares e, consequentemente, melhor desempenho após o nascimento. Por isso, muito tem se estudado sobre como a nutrição materna impacta o desenvolvimento e crescimento do bezerro, aplicando o conceito da programação fetal

Realizando a estação de monta de novembro a janeiro, os bezerros do cedo nascem nos meses de agosto e setembro. Época de menor incidência de chuvas, esse período favorece o manejo sanitário, o que diminui o aparecimento de doenças e contribui significativamente para a saúde dos bezerros, redução na mortalidade e o bom desenvolvimento deles. 

Além disso, pouco tempo após o nascimento, começa a estação das águas e haverá oferta de forragem para as fêmeas, que poderão se alimentar melhor, restabelecer condição corporal e ficar aptas para emprenhar no início da próxima estação de monta. Outro ponto relevante é que o pico de lactação ocorrerá neste mesmo período e a melhoria no status nutricional das vacas garantirá o fornecimento adequado de leite para o bezerro, proporcionando aumento no peso dos bezerros à desmama.

Considerações finais

A estação de monta é uma ferramenta importante para melhorar a eficiência reprodutiva do rebanho. Contudo, demanda um planejamento bem feito e uma equipe de profissionais capacitados para realizar os manejos. 

Com o uso da estação de monta é possível fazer com que as vacas emprenhem e mantenham a gestação em períodos estratégicos. Com isso há uma melhoria na nutrição materna na gestação, no pós parto e do bezerro na fase de cria. 

Além disso, concentra os nascimentos dos bezerros em época favorável para seu desenvolvimento e crescimento. Dessa forma, conseguimos produzir mais bezerros do cedo, com melhor desempenho, comparados aos bezerros do tarde. Assim, a estação de monta contribui para maior eficiência produtiva do rebanho, redução no ciclo e no tempo de permanência dos aninais na fazenda.

Concentrar o período reprodutivo ainda facilita a coleta e registro de dados, melhorando o controle e gerenciamento do rebanho.

E então, preparado(a) para iniciar o planejamento para a estação de monta? Conte com o iRancho para isso!

Referências:

DU, M.; TONG, J.; ZHAO, J.; et al. Fetal programming of skeletal muscle development in ruminant animals. Journal of Animal Science, v.88, n.13, suppl, p.E51-60, 2009.

PAULINO, P. V. R.; OLIVEIRA, I. M.; MONNERAT, J. P. I. S.; REIS, S.F. Aspectos fisiológicos sobre o crescimento de bovinos de corte. In: Joanis Tilemahos Zervoudakis; Luciano da Silva Cabral. (Org.). Nutrição e Produção de Bovinos de Corte. 1ed.Cuiabá: FAPEMAT, 2011, v. 1, p. 237-263.

SHORT, R. E.; ADAMS, D. C. Nutritional and hormonal interrelationships in beef cattle reproduction. Canadian Journal of Animal Science, v. 68, p. 29-39, 1988.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Preencha o formulário e garanta seu teste grátis

Av. Olinda, 960. Ed. Lozandes Trade Tower II, sala 507-B. Park Lozandes. Goiânia, GO.

(62) 3414-7361
(62) 98139-3868
© iRancho - Sistema de Gestão Pecuária de Corte. CNPJ: 26.542.466/0001-02