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Biotecnologias aplicadas à reprodução de bovinos de corte

Por Fabíola Lino em 30 de agosto de 2021

A reprodução é um fator determinante para a produtividade e rentabilidade nas fazendas de cria. Pensando nisso, várias biotecnologias aplicadas à reprodução têm sido utilizadas visando melhorias nos indicadores técnicos e econômicos da atividade. 

A adoção da estação de monta aliada a manejos adequados, reprodutores geneticamente superiores e às biotecnologias reprodutivas, contribui para aumento da produtividade e qualidade dos bezerros. 

Monta Natural

Em grande parte das fazendas, a monta natural é a estratégia de acasalamento mais utilizada. Mas a técnica possui alguns critérios que a tornam onerosa e muitas vezes ineficiente. A quantidade de vacas que cada touro consegue atender é limitada. Além disso, o touro precisa estar saudável (livre de doenças, lesões e estresse) para manter produção satisfatória de espermatozoides e efetuar a monta. Por isso, ao optar pela monta natural saiba escolher os reprodutores e forneça-os ambiente adequado. Caso contrário, o seu desempenho reprodutivo será comprometido.

Biotecnologia

Por outro lado, as biotecnologias reprodutivas apresentam inúmeras vantagens e permitem solucionar alguns desafios da monta natural. Algumas destas técnicas tradicionais e conhecidas como a inseminação artificial (IA), inseminação artificial em tempo fixo (IATF), transferência de embriões (TE) e a fertilização in vitro (FIV). Sendo assim, é importante avaliar as vantagens e desvantagens das técnicas, os custos e definir a estratégia que melhor se adeque aos seus objetivos de produção.

Inseminação artificial para bovinos

A inseminação artificial consiste na deposição do sêmen no aparelho reprodutivo da vaca sem a necessidade de ter o touro na fazenda. A IA é uma tecnologia importante para a melhoria do rebanho, pois permite usar sêmen de touros provados com genética superior ou cruzar animais de raças diferentes.  Possibilita ainda o controle de doenças transmissíveis na monta natural e o uso de touros impossibilitados de realizar a monta ou falecidos.  

Inseminação Artificial em Tempo Fixo

Um grande desafio no uso da IA é a detecção de cio. Contudo, os avanços no conhecimento da fisiologia das fêmeas bovinas levaram à IATF, na qual utiliza-se protocolos hormonais de indução da ovulação e sincronização de cio. Com isso, a inseminação é realizada no momento correto, sem necessidade de observação de cio, podendo ainda inseminar mais animais por dia. 

Dessa forma, a IATF contribui para aumentar a eficiência da reprodução e induzir a ciclicidade das vacas que não apresentavam cio (anestro). Além de formar lotes padronizados, programar as inseminações, estabelecer estação de parição, otimizar os manejos e o serviço dos colaboradores. 

Mas para que a IATF seja bem sucedida é preciso conhecer e conduzir a técnica, bem como ter um manejo sanitário e nutricional efetivos. Com nutrição bem ajustada as vacas apresentam condição corporal adequada para entrar em reprodução. Vacas com baixa condição corporal têm dificuldades em emprenhar. E fique atento na categoria de primíparas, que ainda não atingiram seu peso adulto e precisam de nutrientes para manter o crescimento, nutrir o bezerro e produzir leite. 

Outro ponto fundamental para o sucesso da IATF é contar com uma equipe de profissionais capacitados, conduzindo os manejos com tranquilidade, agilidade e segurança para os animais e as pessoas. 

Transferência de embriões em bovinos

Além da IA e IATF o pecuarista tem a opção de realizar a transferência de embriões (TE), que é uma biotecnologia na qual se recolhe embriões de uma doadora ou provenientes da fertilização in vitro (FIV) e transfere para as fêmeas (receptoras) que completarão a gestação. Com essa técnica uma fêmea tem um número de descendentes superior ao que conseguiria sozinha durante a sua vida reprodutiva. 

Produção in vitro de Embriões 

Neste contexto, na Produção in vitro de Embriões (PIVE) uma vaca de alto valor genético pode produzir vários bezerros ao ano. Convencionalmente em fazendas eficientes se produz um bezerro/vaca/ano. Na PIVE realiza-se a colheita de oócitos das fêmeas doadoras, posteriormente é feita a FIV e a transferência dos embriões para as receptoras que conduzirão as gestações. Assim, a PIVE ajuda a propagar genética de animais superiores, diminuir o intervalo de gerações e constitui uma biotecnologia de muito interesse em programas de melhoramento genético. 

Em resumo, as biotecnologias reprodutivas contribuem para melhoria na eficiência reprodutiva do rebanho e propagação de genética de qualidade. Contudo, a sua viabilidade técnica e financeira depende de vários fatores. Por isso, é imprescindível além de avaliar os custos, ter certeza que a tecnologia é compatível com os propósitos da produção e que os demais fatores importantes para o seu sucesso estão bem ajustados (equipe, sanidade e nutrição).

Pecuarista de Sucesso

Parabéns! Você está na jornada do Pecuarista de Sucesso. Uma maratona de conhecimento sobre a gestão de fazendas de pecuária de corte. Já falamos sobre mercado, ciclo pecuário, nutrição, cria e, agora, sobre reprodução. Vou deixar abaixo dois links para você acessar as lições anteriores, neles estão outros caminhos para você visitar todo esse conhecimento. Boa leitura!

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Como escolher bons reprodutores? Confira os critérios





Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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