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Biotecnologias aplicadas à reprodução de bovinos de corte

Por Fabíola Lino em 10 de setembro de 2020

A reprodução é um fator determinante para a produtividade e rentabilidade nas fazendas de cria. Pensando nisso, várias biotecnologias aplicadas à reprodução têm sido utilizadas visando melhorias nos indicadores técnicos e econômicos da atividade. 

A adoção da estação de monta, aliada a manejos adequados, reprodutores geneticamente superiores e às biotecnologias reprodutivas, contribui para aumento na produtividade e qualidade dos bezerros produzidos. 

 Entretanto, em grande parte das fazendas, a monta natural é a estratégia de acasalamento mais utilizada. Porém, apresenta algumas especificidades que a tornam onerosa e muitas vezes ineficiente. A quantidade de vacas que cada touro consegue atender é limitada e este precisa estar saudável (livre de doenças, lesões e estresse) para manter produção satisfatória de espermatozoides e conseguir efetuar a monta. Por isso, ao optar pela monta natural escolha corretamente os reprodutores e forneça-os ambiente adequado. Caso contrário, o seu desempenho reprodutivo será comprometido.

Em contrapartida as biotecnologias reprodutivas apresentam inúmeras vantagens e permitem solucionar alguns desses desafios da monta natural. Algumas biotecnologias já são tradicionais e bastante conhecidas como a inseminação artificial (IA), inseminação artificial em tempo fixo (IATF), transferência de embriões (TE) e a fertilização in vitro (FIV). Sendo assim, é importante avaliar as vantagens e desvantagens das técnicas, os custos e definir a estratégia que melhor se adeque aos seus objetivos de produção.

Inseminação artificial para bovinos

A inseminação artificial consiste na deposição do sêmen no aparelho reprodutivo da vaca sem a necessidade de ter o touro na fazenda. A IA é uma biotecnologia importante para o melhoramento genético do rebanho, pois permite usar sêmen de touros provados com genética superior ou cruzar animais de raças diferentes.  Possibilita o controle de doenças transmissíveis através da monta natural e o uso de touros impossibilitados de realizar a monta ou já falecidos.  

Inseminação Artificial em Tempo Fixo

Um grande desafio no uso da IA é a observação/detecção de cio. Contudo, os avanços no conhecimento da fisiologia das fêmeas bovinas levaram à IATF, na qual utiliza-se protocolos hormonais de indução da ovulação e sincronização de cio. Com isso, a inseminação é realizada no momento correto, sem necessidade de observação de cio e com possibilidade de inseminar mais animais por dia. 

Dessa forma, a IATF contribui significativamente para aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho, induzir a ciclicidade de vacas que não apresentavam cio (anestro), formar lotes padronizados, programar as inseminações, estabelecer estação de parição, otimizar os manejos e o serviço dos colaboradores. 

Mas para que a IATF seja bem sucedida é preciso conhecer e conduzir a técnica corretamente, bem como ter um manejo sanitário e nutricional efetivo. Com nutrição bem ajustada as vacas apresentarão condição corporal adequada para entrar em reprodução. Vacas com baixa condição corporal têm dificuldades em emprenhar. E fique atento na categoria de primíparas, que ainda não atingiram seu peso adulto e precisam de nutrientes adequados para manter o crescimento, nutrir o bezerro e produzir leite. 

Outro ponto fundamental para o sucesso da IATF é contar com uma equipe de profissionais capacitados para realizar os manejos, conduzindo-os com tranquilidade, agilidade e segurança para os animais e as pessoas. 

Transferência de embriões em bovinos

Além da IA e IATF o pecuarista tem a opção de realizar a transferência de embriões (TE), que é uma biotecnologia na qual se recolhe embriões de uma doadora ou provenientes da fertilização in vitro (FIV) e transfere para as fêmeas (receptoras) que completarão a gestação. Com essa técnica uma fêmea normalmente tem um número de descendentes superior ao que conseguiria sozinha durante a sua vida reprodutiva. 

Produção in vitro de Embriões 

Neste contexto, na Produção in vitro de Embriões (PIVE) uma vaca de alto valor genético pode produzir vários bezerros ao ano. Convencionalmente em fazendas eficientes se produz um bezerro/vaca/ano. Na PIVE realiza-se a colheita de oócitos das fêmeas doadoras, posteriormente é feita a FIV e a transferência dos embriões para as receptoras que conduzirão as gestações. Assim, a PIVE ajuda a propagar genética de animais superiores, diminuir o intervalo de gerações e constitui uma biotecnologia de muito interesse em programas de melhoramento genético. 

Em resumo, as biotecnologias reprodutivas contribuem para melhoria na eficiência reprodutiva do rebanho e propagação de genética de qualidade. Contudo, a sua viabilidade técnica e financeira depende de vários fatores. Por isso, é imprescindível além de avaliar os custos, ter certeza que a tecnologia é compatível com os propósitos da produção e que os demais fatores importantes para o seu sucesso estão bem ajustados (equipe, sanidade e nutrição).

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Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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