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Manejo de cocho: por que ele é importante para eficiência da dieta?

Por Fabíola Lino em 6 de agosto de 2020

O sucesso de uma dieta depende da sua formulação e em grande parte do manejo de fornecimento desta na fazenda. Erros no manejo de cocho afetam negativamente o consumo de matéria seca e o desempenho animal, podendo causar distúrbios metabólicos, comprometer a saúde dos animais e elevar o custo da arroba produzida. 

Dessa forma, o manejo de cocho é o processo que envolve o fornecimento de alimento e seus ajustes, para que o animal tenha alimento de qualidade e em quantidade adequada conforme as exigências diárias. 

Muito se fala em manejo de cocho em confinamento, entretanto, este também é fundamental na produção a pasto. Além da qualidade e oferta de forragem, diversos outros fatores afetam o consumo de suplemento, dentre estes se destaca o manejo de cocho.

Pontos de atenção com o cocho

O dimensionamento e a localização dos cochos são condições básicas para que os animais consigam consumir o suplemento.  Por isso, é importante projetá-los bem e em locais de fácil acesso. Além disso, é importante definir o espaçamento por animal em função do tipo de suplemento utilizado.  

Na produção confinada, em virtude dos animais receberem toda a alimentação no cocho, é imprescindível que a ração balanceada seja fornecida e consumida pelos animais, sem ocorrer seleção de ingredientes ou mudança nas proporções e composição. 

Falhas na mistura dos ingredientes, no fornecimento, espaçamento de cocho, entre outras, afetam negativamente o consumo de matéria seca pelos animais, o ganho médio diário e a eficiência biológica (kg de MS/@ colocada). Para evitar estes problemas é importante realizar um eficiente manejo de cocho.

Os bovinos se adaptam a rotina, por isso, preconiza-se padronizar os horários dos tratos e evitar atrasos, respeitando o hábito de consumo dos animais e o operacional da fazenda. Essa prática evita oscilação brusca no consumo de matéria seca e minimiza a ocorrência de distúrbios metabólicos como a acidose. 

Naturalmente, os bovinos preferem consumir alimentos no início da manhã, fim de tarde e à noite. Nesse contexto, a quantidade de ração que será fornecida em cada trato precisa levar em consideração esses fatores. Por isso, o indicado é fornecer uma maior porcentagem no último trato do dia, para que os animais não corram o risco de passar fome, considerando que, o próximo fornecimento, ocorrerá somente no outro dia pela manhã.

Por que fazer a leitura de cocho?

Daí a importância da leitura de cocho que é uma avaliação visual e precisa ser feita diariamente pela mesma pessoa, para evitar discrepância nas observações. 

A leitura de cocho é comumente realizada pela manhã antes do primeiro trato do dia, na qual são atribuídas notas para a ração que permanece no cocho (sobra), após o consumo pelos animais no dia anterior. Com isso, evita-se que falte alimento, ou que este seja fornecido em excesso e culmine em desperdício. 

As notas costumam variar de 0 a 3, com intervalos de 0,5 ou 1,0 ponto ou ainda assumir valores negativos. O importante é ter um modelo padrão a ser seguido pelo colaborador que realizará a leitura de cocho. 

Assim as notas precisam expressar três situações:

1. Quantidade insuficiente de alimento

Quando o cocho está sem ração e apresenta sinais de que os animais o lamberam em busca de comida – o famoso “cocho lambido” – é um indicativo de que faltou alimento e possivelmente este acabou ainda durante a noite. Há casos nos quais o cocho está vazio, porém não lambido. Em ambas as situações a recomendação é aumentar a quantidade de alimento em comparação ao dia anterior. 

2. Quantidade adequada de alimento

Os animais estão tranquilos, consumiram o alimento fornecido, há sobra, porém, mínima e, portanto, se mantém a quantidade de ração do dia anterior.

3. Excesso de alimento 

Cocho com sobra excessiva de ração necessita reduzir a quantidade ofertada em comparação ao trato do dia anterior. Nesse caso, há desperdício e resulta em aumento no custo da nutrição.

No momento da leitura de cocho avalia-se o comportamento dos animais, se estes estão tranquilos ou agitados procurando comida. Bem como, a qualidade da mistura, pois não pode haver seleção de alimento, caso contrário o animal não irá consumir o que foi formulado. Além disso, observa-se os bebedouros para ver a disponibilidade de água e se está limpa. 

A leitura de cocho também pode ser realizada no período noturno, para contribuir com a leitura matutina na decisão de manter, diminuir ou aumentar a quantidade de alimento nos tratos do dia. Lembrando que o conjunto de informações de notas dos dias anteriores, os dados do tipo da dieta, dias de confinamento entre outros, contribuem para a tomada de decisão. 

Para finalizar veja resumidamente algumas dicas práticas de como fazer um manejo de cocho eficiente:

  • Capacitar os colaboradores, ensinando como deve ser feito;
  • Elaborar um procedimento operacional padrão (POP) para fornecimento do alimento, leituras de cocho, misturas e demais atividades;
  • Criar rotina de horários de fornecimento;
  • Ter um responsável pela leitura de cocho;
  • Observar o comportamento dos animais;
  • Manter espaçamento de cocho adequado;
  • Ficar atento ao teor de matéria seca dos ingredientes da dieta, a moagem dos grãos e ao tamanho de partículas da fibra do volumoso;
  • Manter bebedouros sempre limpos e com água. 

Mas lembre-se, cada fazenda deve estabelecer o seu manejo de cocho ideal de acordo com a sua realidade de produção. Levando em consideração os alimentos utilizados, os animais e as instalações que possui. Nesse sentido, o iRancho auxilia você, pecuarista, a fazer a gestão da sua fazenda e a entender todo o processo produtivo. Para assim, definir o manejo de cocho que atenda às suas necessidades em busca de uma pecuária mais eficiente e lucrativa. 

Deseja saber mais para aperfeiçoar e otimizar a gestão da sua fazenda? Continue acompanhando o nosso blog: 

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Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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