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Boas práticas de manejo e o bem-estar de bovinos de corte

Por Fabíola Lino em 16 de julho de 2020

A adoção de boas práticas no manejo de bovinos de corte é essencial em todas as fases da vida dos animais, ou seja, desde o nascimento ao abate. E, visa contribuir para o bem-estar animal e a eficiência na realização das atividades diárias, conduzindo-as com segurança para os animais e as pessoas.

O manejo inadequado estressa os animais deixando-os agitados, tornando mais difícil a execução do manejo. Além disso, aumenta o risco de acidentes com os colaboradores e animais, que podem inclusive sofrer lesões (cortes, fraturas e hematomas). Lembre-se, animal doente não produz. Portanto, o manejo incorreto leva a prejuízos para o pecuarista.

As boas práticas de manejo ajudam a minimizar ou evitar estes problemas, pois visam o bem-estar animal. Em resumo, podemos dizer que o bem-estar é uma condição na qual o animal está saudável e tem qualidade de vida, ou seja, um ambiente adequado para viver, produzir e reproduzir. Neste contexto, é preciso atender ao que chamamos de 5 liberdades.

Os animais precisam estar:

  1. Livres de fome e sede;
  2. Livres de desconforto;
  3. Livres de dor, doença e injúria;
  4. Ter liberdade para expressar comportamento natural;
  5. Livres de medo e estresse.

Pensando nisso, é fundamental contar com uma equipe capacitada e alinhada com os propósitos da fazenda. Por isso, recomenda-se realizar capacitações sobre boas práticas de manejo no curral, sanidade, alimentação e demais atividades que são realizadas diariamente. Para que os colaboradores entendam a importância de tratar os animais bem.

O manejo no curral é ponto chave seja na produção a pasto ou confinada. Pois é fundamental evitar ou minimizar o estresse dos animais que precisam ser levados ao curral para pesagem, aplicação de medicamentos ou protocolos reprodutivos. É importante que os currais de manejo sejam de fácil acesso e que as estruturas não causem lesões nos animais. Recomenda-se ainda conduzir os animais em grupos, com tranquilidade, sem gritos e não utilizar materiais pontiagudos para evitar ferimentos. O uso de bandeiras é uma boa alternativa, bem como, praticar o manejo “nada nas mãos”. Criado por Adriane Zart, consiste no uso de técnicas de manejo e condução dos animais com a comunicação corporal e “olho a olho”, com tranquilidade e segurança.

Quando falamos na qualidade de vida dos animais criados a pasto, precisamos garantir, no mínimo, o básico para sobrevivência de todos os seres vivos: alimento e água. Ambos precisam estar disponíveis com qualidade e em quantidade que atenda a demanda dos animais. Por isso, fique atento aos pastos da fazenda e realize um manejo do pastejo e da pastagem corretamente, forneça suplementação e cuide dos bebedouros para manter a água limpa e fresca.

Além disso, é importante estar atento ao conforto térmico.  Animais advindos de cruzamentos com raças como o Aberdeen Angus costumam ser mais afetados pelas altas temperaturas e umidade. Contudo, até o Nelore que é adaptado às nossas condições climáticas e tolera temperaturas mais elevadas, passa estresse por calor. A temperatura ambiente, umidade e a velocidade do vento, influenciam no conforto térmico e na exigência nutricional dos animais. Em situações de estresse por calor, o animal gasta energia para fazer termorregulação e dissipar calor para o ambiente ao invés de utilizá-la para ganho de peso. Na formulação das rações esses dados são importantes para ajustar a exigência nutricional dos animais de acordo com o ambiente que estão inseridos.

O estresse por calor pode ser minimizado com sombra natural proveniente de árvores. Este é um dos benefícios doILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), no qual o componente arbóreo promove sombra aos animais e assim, contribui para o bem-estar bovino. Há ainda a possibilidade de promover sombra de forma artificial com o uso dos sombrites, normalmente usados em confinamentos.

Vale ressaltar que os fatores mencionados acima afetam a reprodução animal. Fêmeas bem alimentadas, saudáveis, em conforto ambiental tem menos problemas reprodutivos. Os bezerros também demandam muitos cuidados logo após o nascimento, com ingestão correta do colostro, corte e cura do umbigo e a identificação. Todos esses manejos quando bem realizados contribuem para a qualidade de vida dos animais e um melhor desempenho destes ao longo da vida.

Na produção de bovinos confinados é importante analisar todos os detalhes da criação. Isso porque, os animais estão fora do seu ambiente natural que é o pasto, e precisam se adaptar ao novo local, alimentação e rotina. No confinamento há uma maior movimentação de pessoas e veículos, o que pode causar estresse nos primeiros dias.

Neste sentido, é fundamental calcular o número de animais por curral e o espaçamento por animal (m²/animal). Com isso, formar lotes de acordo com a quantidade de animais que o curral suporta. Além disso, recomenda-se que os lotes sejam homogêneos com animais de idades e pesos próximos. Animais maiores são dominantes, e quando há diferenças bruscas entre eles os menores não conseguirão chegar ao cocho para se alimentarem.

No confinamento, ainda é preciso realizar um manejo correto de fornecimento de alimento, sem oscilações de horários, pois os animais gostam de rotina e se adaptam a ela. A mudança abrupta de horários causa estresse, altera a ingestão de matéria seca, resulta em distúrbios metabólicos e piores desempenhos. Além disso, é essencial ter cochos de fácil acesso com espaçamento adequado para os animais e bebedouros com água limpa e disponível sempre.

No período seco do ano o uso de aspersores auxilia a minimizar a poeira nos currais de confinamentos e diminuir problemas respiratórios. Enquanto, no período das águas o desafio é a formação de lama, que dificulta a locomoção dos animais e afeta negativamente o conforto e o desempenho animal. Por isso, é preciso projetar bem as instalações de acordo com o local, objetivos, uso e ficar atento ao comportamento dos animais.

Em resumo, os animais necessitam de atenção e cuidados diários para que possam estar em bem-estar.  Porém, cada fazenda tem suas particularidades e precisa identificar os pontos a serem melhorados.

Veja algumas dicas práticas para fazer um manejo racional e fornecer condições para que os animais estejam em bem estar:

  • Observar o comportamento dos animais, eles não falam, porém mostram o que estão passando;
  • Fornecer alimentos e água de qualidade e em quantidade que atenda a demanda dos animais;
  • Determinar o espaço de cocho de acordo com o tipo de dieta e categoria animal;
  • Evitar manter animais dentro do curral por período superior ao necessário para realizar os manejos;
  • Nas pesagens, auxiliar os animais que sofrem quedas a se levantarem rapidamente para não ocorrer pisoteio e lesões;
  • Evitar aglomeração de pessoas nos currais durante os manejos. Bem como veículos ou qualquer coisa que possa distrair ou intimidar os animais;
  • Não utilizar materiais pontiagudos na condução dos animais;
  • Evitar gritos e fazer o serviço com pressa. O estresse dificulta o manejo e o retarda, além disso, caso ocorra no período pré-abate afeta a qualidade da carne;
  • Pratique medidas preventivas para evitar doenças e faça o tratamento das existentes.

Dessa forma, às boas práticas de manejo são detalhes que visam atender as necessidades básicas dos animais e melhorar a sua vida na fazenda. É importante estar atento a elas para que os animais possam estar em bem-estar, e então produzir mais e melhor. Lembre-se, o respeito aos animais é a base da produção animal. 

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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