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Ciclo pecuário e Gestão – Parte 1

Por Fabíola Lino em 29 de outubro de 2020

A pecuária de corte é uma atividade de longa duração e a sua lucratividade é influenciada por diversos fatores, dentre eles o preço da arroba, que oscila ao longo do ciclo pecuário, devido ao abate ou retenção de fêmeas na fazenda. Deste modo, a pecuária demanda uma gestão eficiente para obter lucro independentemente da fase do ciclo pecuário. 

Entretanto, “dentro da porteira” é o único lugar que você, pecuarista, consegue controlar. O preço da arroba é apenas um dos fatores que afetam o lucro pecuário. A sua margem de lucro dependerá também do custo da arroba produzida e do desempenho animal. É preciso melhorar o desempenho e ter um custo por arroba inferior ao valor de venda. O ajuste entre estes dois fatores minimiza o efeito do preço de venda no resultado financeiro. 

Fica evidente o quanto é importante ter uma boa gestão da fazenda. Visto que, para reduzir custos, aumentar a produção e a lucratividade, é preciso ter organização, planejamento, controles e avaliação periódica dos resultados técnicos e financeiros. 

Neste sentido, fazendas que possuem uma boa gestão se preparam para os momentos de baixa do ciclo pecuário e conseguem aproveitar melhor os momentos de alta nos preços. 

Pensando nisso, veja como você pode melhorar a gestão da sua fazenda e estar preparado para as oscilações de preços da arroba de acordo com o ciclo pecuário.  

  1. Faça o “diagnóstico” produtivo e financeiro da fazenda

O primeiro passo para uma gestão eficiente é conhecer a situação atual da fazenda e o seu processo produtivo. Avaliar todos os custos de produção, o fluxo de caixa (entradas e saídas de dinheiro) e identificar os gargalos (períodos de falta de dinheiro), se houver. Além de, saber as receitas, o retorno financeiro por hectare e a produtividade da terra. Isso ajudará a planejar as estratégias de acordo com o ciclo pecuário.

Neste contexto, é importante também calcular os índices zootécnicos atuais da fazenda para conhecer os resultados produtivos e identificar o que precisa ser melhorado. 

Na fase de cria é importante conhecer a taxa de prenhez, desmame, mortalidade de bezerros, peso ao desmame, relação desmame, quilos de bezerros desmamados por vaca/ano entre outros. Todos estes índices ajudam a identificar o que preciso melhorar para produzir bezerros de qualidade e com custo abaixo do valor de venda. Com os índices em mãos você pode aproveitar a fase de alta do ciclo pecuário quando a arroba do bezerro está valorizada, ou vender melhor na baixa do ciclo e evitar o efeito manada. 

O mesmo se aplica à recria e terminação, fases nas quais diversos índices precisam ser medidos, tais como: ganho de peso (peso vivo e carcaça), rendimento de carcaça, total de @produzida, eficiência biológica, taxa de abate e desfrute, lotação UA/ha/ano, produção de @/ha/ano, entre outros. Com estas informações fica fácil entender se a genética, a nutrição e os manejos aplicados estão corretos. Com isso, aumentar a produtividade e ter animais disponíveis nos momentos de alta do ciclo e na entressafra, quando os preços pagos pela arroba do boi gordo estão favoráveis. 

  1. Tenha um bom planejamento

O planejamento é um processo permanente e contínuo que possibilita à fazenda melhorar a produção, estimar os custos, receitas e utilizar melhor os recursos produtivos disponíveis. Evitando a ociosidade da equipe, equipamentos, instalações e desperdícios ou escassez de insumos.

Assim, você deixa de ser refém do mercado e minimiza o impacto dos fatores externos na lucratividade da fazenda, principalmente na baixa do ciclo pecuário. Ter um bom planejamento contribui para manter a margem de lucro positiva devido à redução nos custos e/ou aumento na produtividade. 

Na pecuária de corte é importante elaborar planejamentos de compras de insumos, venda, nutricional, produtivo, reprodutivo e financeiro. É necessário planejar cada fase produtiva (cria, recria e terminação), de acordo com a estação do ano, sistema de produção, demandas de mercado entre outros fatores. 

O ciclo PDCA (do inglês plan, do, check, act) é uma ferramenta que auxilia no planejamento das atividades na fazenda. É utilizado para obter melhoria constante dos processos e por isso, precisa ser aplicado continuamente. Assim, o ciclo PCDA consiste em planejar as atividades, executá-las, verificar os resultados e agir corrigindo as falhas ou padronizando as ações bem sucedidas. 

Na fase do planejamento são identificados os problemas que serão solucionados, as suas causas e estabelecidos os objetivos e as metas, estas que precisam ser mensuráveis, específicas, com data para realizar e alcançáveis.  Após planejar as ações vem a fase de execução, ou seja, colocar em prática o que foi planejado. 

Contudo, é importante capacitar os colaboradores antes de executar o planejamento, para garantir que as atividades serão realizadas corretamente.  Neste momento, é preciso ainda coletar dados de desempenho animal, consumo de alimento entre outros, para verificar se os resultados obtidos estão compatíveis com as metas propostas. Caso os resultados estejam diferentes do planejado será preciso corrigi-los, elaborando um novo planejamento. 

Veja abaixo um exemplo prático do Ciclo PDCA. O planejamento foi feito para terminar os animais a pasto na estação das águas e aproveitar o momento de alta no ciclo pecuário, quando os preços pagos pela arroba do boi gordo estão favoráveis.

P(planejar)– Definir metas de ganho de peso, peso ao abate, rendimento de carcaça entre outras.
– A estratégia utilizada será uma terminação intensiva a pasto (TIP).
– Elaborar um plano de ação.
D (fazer)– Capacitar os colaboradores
– Executar o plano de ação
– Coletar dados
C (checar)– Checar os dados e comparar com o planejado
A (Agir)– Estabelecer a padronização da atividade ou corrigir falhas
Exemplo do Ciclo PDCA aplicado à pecuária de corte

Para elaborar o plano de ação proposto no ciclo PDCA você pode utilizar outra ferramenta que é o 5W2H. Com ele você define:

O que (What)Definir o objetivo e as metas
Porque (Why)  Descrever os motivos e os benefícios do que será feito
Onde (Where)Escrever o local 
Quando (When)Definir as datas com um cronograma de realização
Quem (Who)Delegar um responsável pela atividade
Como (How)Descrever a atividade e o processo como será executado
Quanto (How much)Estimar os custos 

Existe ainda uma ferramenta simples e útil chamada Análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats), no português é conhecida como Análise FOFA (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças). A SWOT é utilizada para analisar o ambiente interno e externo da fazenda e orientar o planejamento.

As forças e as fraquezas (pontos a melhorar) correspondem ao ambiente “Dentro da porteira”, e são controláveis. Como por exemplo: possuir uma equipe capacitada e uso de tecnologias (pontos fortes); falta de escala produtiva e de capacitação da equipe (pontos fracos). 

Já as oportunidade e ameaças referem-se ao ambiente externo, ou seja, “fora da porteira”, onde não temos controle. As oportunidades podem ser tecnologias, cursos ou aberturas de mercados para exportação. Ameaças é tudo o que constitui risco para o setor pecuário, como fatores climáticos, doenças ou barreiras restritivas à exportação.

Enfim, entender o ciclo pecuário orienta na gestão da fazenda pois possibilita traçar estratégias e planejar a produção de acordo com os momentos de alta e baixa do ciclo. Com isso, é possível melhorar os resultados técnicos, financeiros e fugir do efeito manada. Não perca a continuação deste artigo que será publicado na semana que vem.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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