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Oferta x Demanda e a formação de preços da arroba

Por Fabíola Lino em 13 de outubro de 2020

O preço pago pela arroba do boi gordo é um dos fatores que afetam a lucratividade da pecuária. Por isso, entender a formação de preços da arroba, é importante na hora de elaborar o planejamento produtivo e na tomada de decisão na fazenda. 

Os preços dos produtos agropecuários são formados a partir da oferta e demanda. Deste modo, a precificação da arroba ocorre em função da oferta de boi gordo para o abate e da demanda por carne bovina. 

Nesse contexto, o ciclo pecuário, os fatores climáticos, a aplicação de tecnologias e a rentabilidade do pecuarista interferem na oferta de boi gordo para o abate. Já a demanda é afetada pelo preço da carne, a renda dos consumidores, preços dos produtos substitutos como a carne de frango, a preferência do consumidor, entre outros.   

O ciclo pecuário é determinante na formação de preços da arroba pois afeta a disponibilidade de animais para o abate e assim, modifica a oferta. Pressionando as cotações da arroba para cima ou para baixo de forma cíclica em função do abate e a retenção de fêmeas na fazenda.

O aumento no abate de fêmeas compromete a produção de bezerros e reduz a disponibilidade de animais para reposição na próxima safra. Com isso, haverá oferta restrita de boi gordo para atender a demanda, ocasionando aumento no preço da arroba. Neste momento, os pecuaristas começam a reter as fêmeas na fazenda, consequentemente aumentará a oferta de bezerros e de boi gordo para abate. A maior oferta de animais causará redução no preço da arroba.

Observa-se ainda maior oferta de animais no período de safra, o que pressiona o preço da arroba para baixo. Enquanto a oferta restrita de animais na entressafra, contribui para elevar as cotações da arroba no segundo semestre do ano. Entretanto, a adoção de tecnologias como a suplementação e a terminação intensiva com o uso de estratégias como o confinamento, têm contribuído para aumentar a oferta na entressafra.

A pecuária de corte está na fase do ciclo pecuário em que há oferta restrita de animais para o abate, mantendo em alta os preços da arroba. De acordo com o IBGE, no segundo trimestre de 2020 foram abatidos 7,30 milhões de bovinos, volume 8% inferior ao mesmo período de 2019. O abate de vacas, novilhas e machos reduziram 18,9%, 13,1% e 0,9% respectivamente em comparação ao segundo trimestre de 2019. A retenção de fêmeas reduz a participação destas nos abates, o que contribui para valorizar a arroba do boi gordo. 

Como dito anteriormente, a demanda por carne bovina também interfere na precificação da arroba. De acordo com a lei da oferta e da demanda, quanto maior a oferta de animais para o abate e menor a demanda por carne, observa-se uma tendência à redução do preço. E, quanto menor a oferta de animais e maior a demanda, o preço tende a subir. 

Neste sentido, a demanda externa está aquecida e muitas plantas frigoríficas foram habilitadas para exportação. A alta do dólar fez com que as exportações ficassem mais atrativas, o que reduziu a oferta de boi gordo para o mercado interno. 

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no 2º trimestre de 2020 as exportações de carne bovina aumentaram 20,5%, chegando a 423,91 mil toneladas. A China foi o principal destino das exportações brasileiras, responsável por 52,4% da carne bovina exportada, seguida por Hong Kong. Juntos, os dois países responderam por 65,4% das exportações de carne bovina brasileira (IBGE). 

No mercado doméstico a demanda por carne bovina oscila ao longo do ano. É comum reduzir o consumo no início do ano devido a queda no poder aquisitivo dos consumidores. Neste período há uma redução na quantidade de dinheiro disponível para consumo de proteína animal, pois o consumidor direciona sua renda para quitar dívidas adquiridas no fim do ano. Além disso, observa-se uma redução no consumo de carne bovina no período de quaresma, quando o consumidor tende a optar por proteínas alternativas. 

Com o passar dos meses a demanda vai se recuperando. No segundo semestre do ano o consumo doméstico de carne bovina costuma se fortalecer, impulsionado pelas festas de final de ano e pelo 13º salário. Além disso, datas comemorativas e feriados contribuem para o aumento na demanda por carne bovina. 

Em 2020 a pandemia afetou a renda das famílias e, consequentemente, o consumo de carne. Entretanto, a oferta restrita de boiadas prontas para o abate, o dólar valorizado e a demanda de exportação em alta, contribuíram para manter as cotações da arroba em alta.  

Diante do exposto, é notável a dificuldade em prever ou controlar o preço da arroba, pois diversos fatores afetam a oferta de animais para o abate e a demanda por carne bovina. 

Apesar disso, é comum o pecuarista questionar a possibilidade de reter animais na fazenda para reduzir a oferta e pressionar o aumento nos preços pagos pela arroba. 

Nesses momentos, é fundamental analisar o mercado. A decisão de manter animais prontos para o abate na fazenda ao invés de comercializá-los precisa ser tomada com cautela. Quando a oferta é naturalmente maior e a demanda é baixa, existe a possibilidade de não haver melhora de cenário. E lembre-se, quanto mais tempo os animais ficam na fazenda, maior será o custo/arroba, e maior o risco para a lucratividade da operação. 

Dessa forma, esteja atento ao mercado, na oferta de animais e na demanda por carne bovina, avalie bem o momento e calcule os seus custos de produção. Neste sentido, o BeefStats te ajuda a calcular com facilidade os resultados do seu negócio, para que você tome decisões cada vez mais acertadas.

O preço pago pela arroba do boi gordo, o desempenho animal e o custo por arroba produzida interferem na lucratividade da pecuária. Portanto, entender o comportamento dos preços da arroba é importante para o pecuarista alinhar a produção e a gestão da fazenda. 

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Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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