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Fatores que afetam a oferta de boi gordo para o abate

Por Fabíola Lino em 8 de outubro de 2020

Na pecuária de corte a oferta é representada pela quantidade de animais que os pecuaristas estão dispostos, e aptos, a colocar no mercado em função dos preços em um determinado período. Contudo, não é tão simples assim, diversos fatores afetam o desempenho animal, a capacidade produtiva da fazenda e a rentabilidade da atividade pecuária. O que dificulta manter escala produtiva e ter boi gordo para o abate de forma constante durante o ano. 

Neste sentido, é importante entender a dinâmica da disponibilidade de animais no mercado para traçar estratégias de compra e venda e obter maior lucratividade. 

Assim, veja a seguir alguns fatores que afetam a oferta de boi gordo para o abate. 

O abate e a retenção de fêmeas na fazenda são pontos marcantes do ciclo pecuário que afetam de forma gradativa a oferta de boi gordo para o abate e o preço da arroba.

O aumento no abate de fêmeas resulta em menor produção de bezerros e, portanto, reduz o estoque de animais para a recria e terminação. Dessa forma, o pecuarista terá dificuldade em adquirir a reposição, em virtude da baixa disponibilidade de animais e do preço destes. Isso porque a menor oferta no mercado eleva o preço da arroba. Consequentemente, haverá menos animais terminados, reduzindo a oferta de boi gordo para abate. 

Enquanto, a retenção de fêmeas leva a um aumento na produção de bezerros e na disponibilidade de animais para a recria e posteriormente terminação.  Com isso, aumentará a oferta de animais para o abate.

Portanto, a quantidade de animais nas categorias de bezerro, novilho, boi magro e gordo se altera ao longo do ciclo pecuário em virtude do abate ou retenção de fêmeas. O que gera anos de oferta restrita ou de maior oferta. 

Contudo, outros fatores impactam na oferta e a tornam maior ou menor em determinados meses do ano.

  • Condições climáticas 

É bem nítido no Brasil o efeito do clima sobre a produção animal a pasto. Em boa parte do país observa-se duas estações do ano bem definidas: águas e seca. 

Na estação das águas há chuva, luminosidade e temperaturas favoráveis para o desenvolvimento do capim. Ao contrário da estação seca, na qual as baixas temperaturas, luminosidade e falta de chuvas limitam o crescimento do capim e reduz a produção de forragem. Fato bem conhecido como estacionalidade de produção de forragem. 

Essa estacionalidade resulta em sazonalidade na oferta de boi gordo para o abate, definindo claramente um período de safra (entre janeiro a maio) e entressafra de junho até novembro/dezembro. 

A safra do boi ocorre na estação das águas, período de maior produção de forragem e de melhor qualidade. Os animais têm mais alimentos e nutrientes disponíveis, apresentam maior ganho de peso e isso facilita a terminação destes à pasto.  Dessa forma, há uma boa disponibilidade de gado no mercado.

A oferta se intensifica no final da safra por volta de abril e maio devido a redução das chuvas, no crescimento e qualidade do capim. Neste momento, muitos pecuaristas enviam a boiada para o abate para aliviar os pastos já que iniciará a estação seca do ano. 

Em contrapartida, a entressafra ocorre na estação seca e caso não seja realizada uma suplementação adequada os animais perdem peso ou apresentam ganho de peso insatisfatório para engorda. Assim, na entressafra há uma menor oferta de animais prontos para o abate e o mercado depende das boiadas vindas de confinamento. 

  • Aplicação de tecnologias 

Nesse contexto, as mudanças nos sistemas produtivos com a adoção de tecnologias e a intensificação da produção contribuem para aumentar a oferta de animais ao longo do ano.

Sendo assim, o confinamento é uma estratégia que melhora o desempenho animal e possibilita produzir mais arrobas por hectare. O fornecimento de ração balanceada no cocho atende as necessidades nutricionais dos animais. Com isso, é possível terminá-los rapidamente em qualquer período do ano e principalmente na entressafra. 

Apesar de aumentar a eficiência produtiva do rebanho sua adoção ainda é baixa no país. No ano de 2019 foram abatidos 43,3 milhões de animais, destes cerca de 6 milhões eram provenientes de confinamento, um total de 14% dos abates (ABIEC, 2020). 

Como alternativa ao confinamento tradicional o pecuarista pode realizar o “confinamento a pasto” que é uma estratégia de TIP (terminação intensiva a pasto). E, terminar animais na entressafra no pasto e com boa produtividade.

Além destas estratégias, diversos avanços na produção contribuem para melhorar o desempenho animal e a eficiência reprodutiva, o que possibilita disponibilizar mais animais no mercado e encurtar o ciclo produtivo. Tais como: as técnicas de manejo da pastagem e pastejo, a correção e adubação de solo, o uso de sistemas integrados, a suplementação, os avanços no melhoramento genético e na nutrição, entre outros.

  • Preço dos insumos e o custo de produção

O preço dos insumos constitui outro fator que afeta a oferta de boi gordo. Em momentos de alta nos preços dos insumos há aumento nos custos de produção e a atividade fica menos atrativa. Por isso, a tendência é que os pecuaristas reduzam a quantidade de bois para terminar. 

Em 2020, observou-se uma menor atratividade no confinamento em virtude da baixa disponibilidade de animais para reposição com um alto custo/arroba e aumento nos preços dos insumos, entre eles milho e soja, muito usados na alimentação animal. Os maiores custos em um confinamento são o boi magro e a alimentação, ambos exercem impacto no custo da arroba produzida. Dessa forma, o aumento dos custos de produção afeta negativamente a oferta de boiada pronta para o abate.

O preço pago pela arroba do boi gordo é um fator que também influencia na oferta, já que é evidente o desejo de todos os pecuaristas em vender animais nos momentos de maior valorização da arroba. Contudo, a oferta continua sendo limitada ou aumentada pelos demais fatores expostos anteriormente. 

Existem ainda outros fatores menos representativos, mas que podem eventualmente acontecer e afetar a oferta de animais, como por exemplo: tempestades com raios, inundações ou queimadas e doenças no rebanho. Causando perda de animais, de áreas de pastagem e lavouras, na infraestrutura e na produtividade da fazenda.  

Em resumo, a oferta de boi gordo para o abate oscila entre os anos de acordo com o ciclo pecuário e entre os meses do ano em função dos preços dos insumos, uso de tecnologias e da produção de forragens. Conhecer estes fatores é primordial para elaborar estratégias produtivas e ter boi gordo disponível nos melhores momentos de venda. 

Entretanto, é fundamental ter um planejamento bem elaborado e executado, com objetivos e metas bem definidos e uma gestão eficiente da fazenda. Conheça o iRancho e registre tudo o que acontece na fazenda, faça uma gestão eficiente e tenha informação de qualidade para elaborar as melhores estratégias e aumentar a sua margem de lucro.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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