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Fatores que afetam a oferta de boi gordo para o abate

Por Fabíola Lino em 8 de maio de 2021

Na pecuária de corte a oferta depende da quantidade de animais que os pecuaristas estão dispostos a colocar no mercado em função dos preços em um determinado período. Contudo, não é tão simples assim, vários fatores afetam o desempenho animal, a capacidade produtiva da fazenda e a renda da atividade pecuária. O que dificulta manter escala produtiva e ter boi gordo para o abate durante todo o ano. 

Neste sentido, é importante entender a dinâmica da oferta de animais no mercado para traçar estratégias de compra e venda e obter maior lucro. Então, veja alguns fatores que afetam a oferta de boi gordo para o abate. 

O Ciclo Pecuário

O abate e a retenção de fêmeas na fazenda são pontos marcantes do ciclo pecuário que afetam de forma gradativa a oferta de boi gordo para o abate e o preço da arroba.

O aumento no abate de fêmeas resulta em menor produção de bezerros e, portanto, reduz o estoque de animais para a recria e terminação. Dessa forma, o pecuarista terá dificuldade em adquirir a reposição, em virtude da baixa oferta de animais e do preço destes. Isso porque, a menor oferta no mercado eleva o preço da arroba. Portanto, haverá menos animais terminados, reduzindo a oferta de boi gordo para abate. 

Enquanto, a retenção de fêmeas leva a um aumento na produção de bezerros e na disponibilidade de animais para a recria e posteriormente terminação.  Com isso, aumentará a oferta de animais para o abate.

Portanto, a quantidade de animais nas categorias de bezerro, novilho, boi magro e gordo se altera ao longo do ciclo pecuário em virtude do abate ou retenção de fêmeas. O que gera anos de oferta restrita ou de maior oferta. 

Contudo, outros fatores impactam na oferta e a tornam maior ou menor em alguns meses do ano.

Condições Climáticas 

É bem nítido no Brasil o efeito do clima sobre a produção animal a pasto. Em boa parte do país observa-se duas estações do ano bem definidas: águas e seca. 

Na estação das águas há chuva, luz e temperatura favoráveis para o crescimento do capim. Contudo, na estação seca a baixa temperatura, a pouca luz e a falta de chuva limitam a oferta de capim e reduz a produção de forragem. Fato bem conhecido como estacionalidade de produção de forragem. 

Isso resulta em sazonalidade na oferta de boi gordo para o abate, definindo em período de safra (entre janeiro a maio) e entressafra de junho até novembro/dezembro. 

A safra do boi ocorre na estação das águas, período de maior produção de forragem e de melhor qualidade. Os animais têm mais alimentos e nutrientes disponíveis, maior ganho de peso e isso facilita a terminação à pasto.  Dessa forma, há uma boa oferta de gado no mercado.

A oferta se intensifica no final da safra, entre abril e maio, com a redução das chuvas e a baixa qualidade do capim. Neste momento, muitos pecuaristas enviam a boiada para o abate para aliviar os pastos já que iniciará a estação seca do ano. 

A entressafra ocorre na estação seca e caso não seja realizada uma suplementação adequada os animais perdem peso ou apresentam baixo ganho de peso. Assim, na entressafra, há uma menor oferta de animais prontos para o abate e o mercado depende das boiadas vindas de confinamento. 

Aplicação de Tecnologias 

Nesse contexto, as mudanças nos sistemas produtivos com a adoção de tecnologias e a intensificação da produção contribuem para aumentar a oferta de animais ao longo do ano.

Sendo assim, o confinamento é uma estratégia que melhora o desempenho animal e possibilita produzir mais arrobas por hectare. O fornecimento de ração balanceada no cocho atende as necessidades nutricionais dos animais. Com isso, é possível terminá-los rapidamente em qualquer período do ano. 

Como alternativa ao confinamento tradicional, o pecuarista pode realizar o “confinamento a pasto”, que é uma estratégia de TIP (terminação intensiva a pasto). Assim pode terminar animais na entressafra no pasto e com boa produtividade.

Além destas estratégias, diversas técnicas de produção ajudam a melhorar o desempenho animal e a eficiência reprodutiva. Exemplo: técnicas de manejo da pastagem e pastejo, correção e adubação de solo, sistemas integrados, suplementação, melhoramento genético e nutrição, entre outros.

Preço dos insumos e o custo de produção

O preço dos insumos é outro fator que afeta a oferta de boi gordo. Em momentos de alta nos preços dos insumos há aumento nos custos de produção e a atividade fica menos atrativa. Por isso, a tendência é que os pecuaristas reduzam a quantidade de bois para terminar. 

Em 2020, por exemplo, o confinamento foi menos atrativo em virtude da baixa oferta de animais para reposição com um alto custo da arroba e alta nos preços dos insumos, como milho e soja. Os maiores custos em um confinamento são o boi magro e a alimentação, ambos exercem impacto no custo da arroba produzida. Dessa forma, o aumento dos custos de produção afeta a oferta de boiada pronta para o abate.

O preço pago pela arroba do boi gordo é um fator que também influencia na oferta, já que é evidente o desejo de todos os pecuaristas em vender animais nos momentos de maior valorização da arroba. Contudo, a oferta continua sendo limitada ou aumentada pelos demais fatores expostos anteriormente. 

Existem ainda outros fatores não tão comuns que também afetam a oferta de animais. Exemplo: tempestades com raios, inundações, queimadas e doenças no rebanho. Fatores que causam perda de animais, de pastagem e lavouras e afetam a produção da fazenda.  

Pecuarista de Sucesso

Na lição de hoje do Pecuarista de Sucesso, você aprendeu que a oferta de boi gordo para o abate oscila entre os anos, por conta do ciclo pecuário. Também oscila entre os meses do ano em função dos preços dos insumos, uso de tecnologias e da produção de forragens. É importante conhecer estes fatores para elaborar estratégias produtivas e ter boi gordo disponível nos melhores momentos de venda. 

Para isso, é preciso de metas bem definidas, planejamento e gestão dos dados da sua fazenda. Onde estão os controles da sua fazenda? Conheça o iRancho e registre tudo o que acontece em um lugar só. Informação de qualidade para elaborar as melhores estratégias e aumentar a sua margem de lucro.

Na próxima lição do Pecuarista de Sucesso você vai entender como se dá a formação de preço da arroba do boi gordo. Continue nesta jornada, você vai ficar “craque” em gestão pecuária. Veja abaixo as lições anteriores. Até a próxima!

Lições Anteriores:

Gestão Pecuária: saiba como usar o PDCA na sua fazenda

Gestão Pecuária: saiba como fazer o controle da sua fazenda

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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