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Veja o passo a passo no processamentos do milho para nutrição animal

Por Fabíola Lino em 11 de dezembro de 2020

O milho é um alimento com alto valor energético, muito utilizado em suplementos e rações para bovinos de corte, podendo representar uma grande parte dos custos da dieta. Por isso, é importante aproveitar ao máximo a energia contida nele e evitar a perda nas fezes, para obter melhores resultados técnicos e financeiros na produção.

A digestão do grão de milho pelos bovinos varia em função da textura (duro, semiduro, dentado), estágio de maturidade (ponto de colheita), composição química e o tipo de processamento utilizado. 

 Os grãos duros e semiduros possuem menor digestão comparados ao milho de textura farinácea também chamados de dentados. Isso ocorre devido a estrutura dos grãos duros e semiduros, que possuem a maior parte do seu amido envolvido por uma camada mais densa de proteínas chamada de matriz proteica. Essa matriz dificulta o acesso ao amido pelos microrganismos do rúmen e enzimas produzidas pelos animais. 

Independente da textura com o avanço da maturidade ocorre aumento da matriz proteica. Portanto, quando o grão chega na maturidade fisiológica, ou seja, está maduro, a sua digestão é menor do que se colhido em fases anteriores. 

Dessa forma, o processamento dos grãos é uma forma eficiente de minimizar o efeito da estrutura e composição dos grãos sobre a sua digestão. Isso porque, os processamentos visam quebrar o pericarpo do grão, reduzir o tamanho de partícula, romper a matriz proteica e aumentar digestibilidade do milho. Consequentemente, haverá mais energia disponível e melhora no desempenho animal. 

A moagem é um processamento bastante difundido e utilizado no qual os grãos são triturados em moinhos do tipo martelo ou de rolos. Apesar da moagem diminuir o tamanho da partícula e facilitar a digestão, não consegue quebrar a matriz proteica. 

Além disso, precisa ser realizada corretamente, pois o tamanho de partícula do milho moído interfere na sua digestão. De forma bem simples, significa que milho moído grosso, com partículas maiores, apresenta menor digestão comparado ao moído fino. Por isso, é fundamental estar atento ao tamanho de partícula médio da moagem nos moinhos da fazenda. 

Neste contexto, a avaliação da granulometria do milho moído visa manter tamanhos de partículas adequados para melhor digestão do milho e evitar perda nas fezes.

A granulometria do milho é medida por meio de um conjunto de peneiras com diâmetros de 6,00 mm; 3,25 mm; 2,00 mm; 1,25 mm e o fundo. A amostra de milho é coletada diretamente da boca de saída do moinho, pesada e colocada sobre as peneiras, organizadas em ordem decrescente (peneira de maior diâmetro em cima e as demais em baixo). Posteriormente, as peneiras são agitadas para passagem das partículas menores. Então, é feita a pesagem da quantidade de grão moído que ficou retida em cada peneira. 

Não é desejado a presença de partículas de milho na peneira de 6,00mm, pois haverá perdas de grãos nas fezes. No geral, busca-se que a maior parte das partículas fiquem retidas entre as peneiras de 3,25 e 1,25 milímetros. Já as partículas retidas no fundo, ou seja, inferiores a 1,25 mm são rapidamente fermentadas no rúmen, têm maior digestão, contudo, aumentam o risco de acidose. Por isso, o ajuste do tamanho de partícula do milho moído na fazenda deve ser feito por um profissional nutricionista. Para maior eficiência é necessário ajustar a dieta, os teores de energia, proteína, quantidade de volumosos, a efetividade da fibra, uso de aditivos entre outros detalhes da nutrição. 

Veja na figura abaixo as peneiras utilizadas na avaliação da granulometria do milho:

Tela de computador com texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente

Existem ainda outros processamentos eficientes e que podem ser usados para melhorar a digestão do milho.  Dentre estes cita-se a floculação, na qual o grão é submetido a uma câmara de vapor para aumentar a umidade e posteriormente passa entre rolos que o transforma em floco. A temperatura associada à umidade rompe a matriz proteica que envolve o amido, aumentando a digestão do milho e reduzindo a perda de energia nas fezes. 

Contudo, a floculação é um processamento pouco realizado no Brasil devido principalmente ao custo e dificuldades no armazenamento do milho floculado. 

Outro processamento eficiente e acessível é a ensilagem de grão úmido de milho. Neste caso, os grãos são colhidos quando apresentam teor de umidade próximo a 38% e são triturados e ensilados. O processo é semelhante ao da produção de silagem da planta inteira, mantendo os cuidados com a compactação e vedação, para que ocorra a fermentação anaeróbica e abaixamento do pH. 

É uma tecnologia que permite antecipar a colheita dos grãos, facilita o armazenamento evitando a presença de carunchos e roedores e conserva o valor nutritivo do milho. Entretanto, uma das maiores dificuldades no campo é conseguir colher os grãos no ponto ideal, que muitas vezes secam rápido e passam do ponto. 

Por isso, uma alternativa é o uso de outro processamento que é a reidratação. Neste caso, utiliza-se o grão de milho seco que é triturado e recebe adição de água (reidratação), para aumentar a umidade até teores próximos ao do grão úmido. Posteriormente o material é ensilado. 

Em geral, a silagem de grão úmido de milho ou reidratado e o milho floculado apresentam maior digestibilidade em comparação ao milho seco moído. Contudo, a decisão de qual método usar depende da estrutura física da fazenda, capacidade de investimento, de um bom planejamento nutricional e uma avaliação financeira do resultado da operação. 

Portanto, levando em consideração os preços elevados do milho e a sua grande participação nas dietas, é fundamental garantir a sua ingestão e digestão adequada pelos animais. Lembre-se quanto mais grãos nas fezes maior é a perda de energia, impactando negativamente no desempenho animal e no lucro.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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