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Como otimizar o uso das pastagens nas águas?

Por Fabíola Lino em 18 de novembro de 2020

O sucesso da pecuária a pasto depende da produção de forragem (quantidade e qualidade), do seu consumo e conversão em carne. Deste modo, com a chegada da estação das águas, é preciso utilizar os recursos disponíveis para produzir forragem e ser eficiente na colheita de pasto. E assim, maximizar o desempenho animal e a produtividade por hectare/ano.

Diagrama

Descrição gerada automaticamente
Produção animal em pastagens. Adaptado de: Hodgson (1990)

Na estação das águas as condições ambientais são totalmente favoráveis para o crescimento do capim.  Dessa forma, para otimizar o uso das pastagens é preciso manejá-las corretamente e obter o máximo possível de plantas por área com maior proporção de folhas, pois são elas que fornecem nutrientes para os animais. 

O manejo adequado evita a degradação da pastagem, do solo e mantem uma boa produção de matéria seca (MS) para atender as necessidades nutricionais dos animais.  Dessa forma, os bovinos consumem forragens mais digestíveis e nutritivas.

A produção de matéria seca das forragens depende do potencial produtivo do capim que pode variar de 18 a 50 toneladas de MS/ha/ano, desde que haja condições ambientais ótimas para o crescimento como ocorre nas águas. Por isso, a maior parte da produção se concentra nesta estação e determina a capacidade de suporte da pastagem, ou seja, o número de animais que poderão ocupar a área.

Conhecer a capacidade de suporte das pastagens é fundamental para realizar um pastejo eficiente, e também para escolher corretamente o método de pastejo que será adotado durante a estação. 

O pastejo com lotação contínua é um método no qual os animais permanecem na mesma área de pastagem durante toda a estação de pastejo, sem necessidade de transferência de pastos, saindo apenas para troca de lote, manejo sanitário ou venda. Neste método de pastejo há economia de mão de obra e facilidade na operação diária. 

Contudo, a lotação contínua gera um pastejo desuniforme, com áreas pouco pastejadas em detrimento a outras muito pastejadas. Os animais exercem pressão sobre a forrageira por estarem constantemente na área, o que impede a rebrota correta e a recuperação da planta. Dessa forma, as plantas emitem menos perfilhos (folhas jovens), isso reduz a produção de matéria seca e consequentemente a capacidade de suporte da pastagem. E, em caso de algum problema com o capim, como pragas ou doenças, a impossibilidade de transferência de pasto prejudica o desempenho animal. 

Uma alternativa é o pastejo alternado onde tem-se área de pasto “reserva” para uso enquanto a área recém pastejada permanece desocupada.  Assim, o capim passa por um período de descanso, para crescimento e recuperação do pasto, minimizando os danos às plantas e ao solo.

Existe ainda o pastejo com lotação rotacionada no qual o rebanho tem acesso a subdivisões da pastagem (piquetes), com momentos de pastejo (período de ocupação) e de descanso. Vários fatores determinam o período de descanso e de ocupação dos piquetes. Dentre eles citam-se a categoria animal, condições do solo, espécie forrageira, adubação utilizada, entre outros. 

Este método de pastejo é recomendado para sistemas intensivos de produção e permite utilizar capins com alta produção de matéria seca, como os do gênero Panicum. Porém, o método demanda maior mão de obra, pois é preciso transferir os animais de piquetes.

Na lotação rotacionada há maior aproveitamento da forragem disponível, um pastejo mais uniforme e não causa degradação da pastagem, desde que respeitadas a capacidade de suporte da área e as alturas de entrada e retirada dos animais dos piquetes. 

Cada forrageira possui uma altura ideal para pastejo que corresponde ao ponto de máxima produção de folhas, menor quantidade de colmo e material senescente (folhas mortas). Dessa forma, os animais consumirão capim de melhor valor nutritivo e digestibilidade. Já o ponto ideal para retirada dos animais do piquete é quando há resíduo de capim suficiente para que as plantas rebrotem, respeitando a sua fisiologia. 

A altura do capim pode ser facilmente medida com régua ou fita métrica. A adubação das pastagens e as condições climáticas podem adiantar ou atrasar o crescimento do capim e a chegada na altura ideal de pastejo pelos animais. 

Independente do método de pastejo escolhido (contínuo, alternado ou rotacionado), é preciso ajustar corretamente a lotação (UA/ha). Caso contrário haverá degradação da pastagem e do solo, sobra ou falta de capim para alimentar os animais e pior desempenho. 

Observa-se que em situações de subpastejo nas quais a taxa de lotação é baixa em relação à capacidade de suporte, há sobra de pasto. Apesar da maior disponibilidade de forragem contribuir para o ganho de peso individual dos animais, o ganho por hectare será baixo pois a área é subutilizada e poderiam ser colocados mais animais, reduzindo a produtividade/ha/ano (Figura). 

No superpastejo onde há lotação superior à capacidade de suporte da pastagem o desempenho animal é baixo, pois falta comida para os animais. Além disso, o consumo excessivo de folhas deixa a planta com dificuldades para crescer e restabelecer causando degradação da pastagem. 

Deste modo, as duas situações (subpastejo e superpastejo) afetam a produção de arrobas e o lucro por hectare. Por isso, o ideal é buscar a faixa ótima de pastejo na qual a taxa de lotação é compatível com a capacidade de suporte da pastagem. Neste ponto, o ganho de peso animal por área é o ideal para obter melhores resultados técnicos e financeiros.  

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Adaptado de Mott, G. O.: Grazing pressures and the measurement of pastures production. In: International Grassland Congress Proceedings, Reading, 1960, p. 606-611.

Vale lembrar que conhecer o valor nutritivo dos pastos é fundamental para identificar os nutrientes deficientes e realizar a suplementação. Com isso, é possível atender completamente a exigência nutricional dos animais, aumentar a lotação e a produção de @/ha/ano. 

Portanto, para aproveitar ao máximo a estação das águas e potencializar o desempenho animal é preciso manejar corretamente os pastos, ajustando a lotação e realizando um pastejo eficiente. Dessa forma os animais conseguem consumir forragem na quantidade necessária e de qualidade. E, não se esqueça de monitorar os indicadores zootécnicos para conferir se o resultado projetado foi realizado. 

Neste sentido, o iRancho auxilia você no controle da lotação (UA/ha) da fazenda, na movimentação dos animais nos pastos e no acompanhamento do desempenho individual e do lote. Assim, você registra, controla e organiza com maior facilidade e praticidade os dados importantes para tomada de decisão, otimizar o uso das pastagens e melhorar o desempenho animal.

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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