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Suplementação na estação das águas

Por Fabíola Lino em 13 de novembro de 2020

A estação das águas compreende o período de maior oferta de forragem para a alimentação dos bovinos de corte a pasto. Por isso, as estratégias nutricionais neste período visam explorar ao máximo o potencial produtivo das forragens e potencializar o desempenho animal. 

Neste contexto, a suplementação é uma estratégia efetiva para aumentar o desempenho e a produtividade da área. Contudo, a resposta produtiva à suplementação dependerá da genética dos animais, da forragem disponível, tipo de suplemento utilizado e a forma de fornecimento.  

A presença de chuvas, maiores temperatura e luminosidade na estação das águas são favoráveis para o crescimento do capim, resultando em maior disponibilidade e qualidade de forragem. O que naturalmente possibilita maior ganho de peso comparado ao período seco do ano. Contudo, as espécies forrageiras variam em produção e composição de acordo com seu potencial genético, manejo do pastejo e tratos culturais realizados como a adubação das áreas, entre outros. 

Dessa forma, a quantidade de minerais, proteína e energia nas forragens é bastante variável e por isso, o recomendado é avaliar a composição química da pastagem para escolher o suplemento adequado

Os minerais desempenham um importante papel no metabolismo animal, exercendo funções na reprodução, crescimento, ganho de peso e outras diversas para manter a vida. As deficiências de minerais causam perdas produtivas, pois ocorre redução no consumo de alimento, no crescimento, na fertilidade e aumento da mortalidade principalmente em animais jovens. 

Deste modo, para evitar a deficiência de minerais é importante utilizar um suplemento mineral formulado contendo macrominerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cloro, enxofre) e microminerais (cobalto, cobre, iodo, ferro, manganês, selênio, zinco, molibidênio, flúor). Existem ainda os suplementos minerais aditivados que além dos minerais, contém algum aditivo melhorador de desempenho como a monensina, virginiamicina, lasalocida, flavomicina entre outros. 

Durante a época seca o teor de proteína da forragem é baixo e limita o desempenho animal. Enquanto nas águas os teores de proteína são maiores e o capim apresenta maior digestibilidade.  Porém, é preciso ter bem definidas as metas de desempenho e fazer análise bromatológica do capim. Só então, será possível saber o que falta no capim e precisa ser suplementado para atender a exigência nutricional dos animais.  

No caso da terminação a pasto normalmente é necessário fazer uso de suplementos proteico e/ou energéticos para obter maiores ganhos de peso. Nas águas o capim apresenta alta digestibilidade da proteína, porém, a energia acaba sendo um limitante. A falta de energia limita o crescimento dos microrganismos do rúmen e reduz o aproveitamento do capim.

Assim, o fornecimento de energia possibilita diminuir a perda de nitrogênio, maximizar o seu uso no rúmen e aumentar a síntese de proteína microbiana. Dessa forma, o uso de suplementos energéticos melhora a utilização do capim e o desempenho animal. O que contribui para reduzir a idade ao abate. 

Mas lembre-se é fundamental contar com um profissional capacitado para fazer a recomendação do suplemento e avaliar o custo da suplementação. E então, escolher a melhor estratégia para alcançar as metas e obter lucro. 

Portanto, a escolha do suplemento deve levar em consideração a disponibilidade de forragem, a sua qualidade, as necessidades nutricionais do rebanho e as metas de desempenho almejadas para o período das águas.  Pois o objetivo principal da suplementação é complementar o que falta no capim, para atender a necessidade dos animais, maximizar a digestão ruminal e obter melhores resultados produtivos. 

Contudo, para o total sucesso da suplementação ainda é importante fornecer corretamente o suplemento, ter um bom manejo de pasto e água em quantidade e de qualidade para os animais. Caso contrário, podem ocorrer falhas na suplementação e afetar negativamente os resultados. 

Dessa forma, os cochos devem estar bem distribuídos nos pastos, sem acúmulo de lama ou cascalho ao seu redor, para facilitar o acesso pelos animais. 

Evite deixar os cochos vazios e mantenha regularidade no fornecimento do suplemento. A falta de rotina afeta o consumo e compromete a eficiência da suplementação. Por isso, recomenda-se fornecer o suplemento diariamente para manter o seu consumo uniforme e constante. Além de, contribuir para a manutenção da qualidade dos produtos, que ficam menos tempo expostos ao ambiente (sol e chuva). Com isso, reduz os riscos de empedramento, proliferação de microrganismos ou de desperdícios.  

Mas, também é preciso ter controle do fornecimento e do estoque dos produtos na fazenda. Para isso, registre as quantidades de produto fornecido e de animais que receberam, a categoria animal e o pasto em que estes animais estavam. Tais registros são fundamentais para controlar a quantidade de produtos em estoque, programar as compras e calcular o custo da suplementação por animal.  

O iRancho é um sistema de gestão que auxilia você pecuarista no controle do fornecimento e estoque dos suplementos e no gerenciamento dos custos com a suplementação. O sistema é integrado com um aplicativo exclusivo chamado App do Peão, no qual o seu colaborador consegue registrar em tempo real o fornecimento do suplemento. 

Com o App do Peão o colaborador registra do seu próprio celular em qual pasto ele está fornecendo suplementação, qual o produto utilizado e a quantidade colocada no cocho para os animais. Assim, você acompanha diariamente a suplementação do rebanho, de forma organizada e sem risco de perder os dados. 

Por fim, não se esqueça de armazenar os produtos em locais secos, arejados e cobertos para garantir a integridade deles, e sempre fique de olho nas recomendações dos fabricantes quanto a conservação e fornecimento.

Com o uso de suplementos consegue-se fornecer os nutrientes deficientes no pasto e atender as demandas nutricionais dos animais, melhorar a sua saúde e otimizar o ganho de peso. Com isso, aumentar a taxa de lotação, melhorar os índices reprodutivos e diminuir o tempo até o abate dos animais. Mas lembre-se é fundamental ter um bom manejo das pastagens. Afinal, o capim é a base da alimentação de bovinos de corte criados a pasto. 

Portanto, a suplementação no período das águas é uma excelente estratégia para potencializar os resultados, mas precisa ser planejada de acordo com as particularidades da produção de cada fazenda.  

Fabíola Lino SOBRE O AUTOR
Fabíola Lino

Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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