Estratégias para a compra da reposição na pecuária de corte

O animal é a matéria-prima para a produção de carne, sendo assim, é fundamental ter animais de qualidade. No entanto, as fazendas que não realizam a fase de cria dependem totalmente da compra de reposição, ou seja,  precisam adquirir os animais para iniciar um novo ciclo produtivo. E o custo da aquisição destes tem impacto significativo no custo total de produção. Por isso, a compra da reposição é decisiva para o resultado técnico e financeiro da recria e da terminação

Assim, para acertar na escolha da reposição, é preciso responder duas perguntas: 

  • qual animal preciso comprar?
  • quanto posso pagar na reposição?

Neste sentido, é fundamental definir metas, como, abater animais com no máximo 24 meses, 20@ e 55% de rendimento de carcaça. Mas, não é qualquer animal que tem potencial para chegar nesse resultado. Deste modo, comprar apenas pelo preço levará a uma baixa eficiência produtiva. Pois, adquirir animais leves e com baixo desenvolvimento pode aumentar o tempo de permanência deles na fazenda e consequentemente o custo de produção.  Dessa forma, o animal barato, ao final da operação sairá caro. 

Recomenda-se, portanto, comprar animais de maior qualidade genética e sempre fazer os seguintes questionamentos: Esse animal atende aos meus objetivos e metas? Tenho condições de fornecer tudo que este animal precisa na fazenda? Se a resposta for não então, repense a viabilidade da compra de reposição.

Cada fazenda tem uma realidade e isso precisa ser levado em consideração na hora de comprar a reposição. Assim, o ideal é elaborar um planejamento com base nos dados atuais de mercado e/ou analisar os resultados anteriores. Com isso, é possível saber a receita, os custos e lucros médios esperados ou obtidos. Com isso, pode-se definir o ponto de equilíbrio para o valor do gado (R$/animal), ou seja, qual o valor máximo que pode pagar por animal para ainda se manter empatado na atividade. Além disso, é possível calcular o ágio do bezerro ou do boi magro. 

Para tomar uma decisão mais assertiva e  saber se sua operação de engorda terá retorno antes de comprar o gado, utilize uma ferramenta como o Beefstats. Com ele você calcula o ponto de equilíbrio do valor do gado e o ágio da arroba do boi magro.  Assim, você identifica qual o melhor valor para pagar nos animais e evita prejuízos para o seu negócio.

Outra análise que pode ser feita é da relação de troca boi gordo e bezerros.  Considere o preço da arroba do boi gordo e do bezerro de R$ 180,00 reais e R$ 291,66 reais respectivamente (dados referentes ao Estado de Goiás, de acordo com  a Scot Consultoria). O pecuarista que abater animais com 18@ conseguirá comprar o equivalente a 1,85 bezerros com a venda do boi gordo. Enquanto, ao abater animais com 20@ seu poder de compra passa para 2,01 bezerros. Dessa forma, potencializar os ganhos e aumentar a produtividade em arrobas produzidas contribui para diluir o custo da reposição e para gerar mais receita.  

Vale lembrar que é preciso ter cautela e evitar comparar a arroba de bezerros de genética superior com a arroba paga no mercado nacional. Afinal, quem vende boi europa ou está em um mercado de carne específico recebe um valor diferente pela arroba do boi gordo. E com certeza o preço pago pela reposição também será diferente. Assim, faça as contas de acordo com a sua realidade de produção.

Por fim, lembre-se de que na hora de comprar a reposição é importante aliar preço e qualidade.  Além disso, recomenda-se o uso de ferramentas de comercialização e gestão de fazendas para ter informações confiáveis e orientar na tomada de decisão. O iRancho, por exemplo, é uma opção bastante interessante, já que ajuda a armazenar informações de forma adequada e a tomar decisões confiáveis no momento da compra de reposição.
Viu como o planejamento da compra de reposição é importante para garantir melhores resultados para o seu negócio pecuário? Agora leia o artigo “Gestão de compras de insumos: comprar bem para vender melhor” e confira nossas dicas para evitar prejuízos na hora de comprar e armazenar insumos para a sua fazenda.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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