Muitos pecuaristas olham para o pasto alto e sentem orgulho, acreditando que ali tem comida de sobra para o gado. Mas será que quantidade é sinônimo de mais produtividade? A verdade é que um pasto muito alto pode ser uma armadilha para a sua produção.
O que você vai ler neste artigo:
- A diferença entre disponibilidade e qualidade nutricional
- Por que o pasto alto reduz a digestibilidade do gado
- Alturas ideais de entrada e saída para as forrageiras
- Estratégias práticas de monitoramento para o período chuvoso
Pasto alto é pasto bom? Cuidado com a “ilusão da fartura”
É comum associarmos a altura do capim à fartura. No entanto, precisamos separar o que é disponibilidade total do que é disponibilidade de qualidade. Quando o pasto cresce demais sem o manejo adequado, ele entra em um processo de degradação da sua estrutura física.
Dessa forma, o que você vê como um mar verde, o boi enxerga como um desafio. Um pasto alto exige que o animal gaste mais energia para selecionar o que comer, resultando em menos tempo de ruminação produtiva e mais tempo de seleção da planta.
Por que o boi reduz a produtividade no pasto alto?
Quando a pastagem passa do ponto, a planta entende que precisa buscar luz. Para isso, ela alonga o talo (colmo) para projetar as folhas para cima. Nesse sentido, o que acontece é o aumento drástico da fibra de baixa qualidade (lignina).
O gado até tem muito pasto à disposição, mas o aproveitamento é baixíssimo. A parte superior da planta fica fibrosa e difícil de digerir. Afinal, se o animal consome um material que demora para passar pelo rúmen, ele come menos. O resultado? Você perde o potencial de ganho de peso das águas porque o animal está “cheio”, mas mal alimentado. O segredo é encontrar o ponto ótimo: onde a planta tem o máximo de folhas jovens e o mínimo de talo.
Altura ideal de entrada e saída
É preciso entender que cada capim tem sua altura ideal de manejo e respeitar esse fator é o que separa o lucro do prejuízo. De forma equivocada, alguns produtores esperam o capim atingir alturas extremas para soltar o lote, acreditando que haverá mais comida. No entanto, esse atraso compromete a estrutura do pasto.
Nesse sentido, o tamanho do capim pode ser mensurado de forma fácil com uma régua de madeira (entre 1 metro e 1,20m). Uma dica prática é marcar em verde a altura da pastagem de entrada e em vermelho a de saída. Este é um método simples de manejo, sem custo e que traz grande efetividade para o dia a dia do produtor.
Além disso, vale lembrar que essas medidas variam conforme a espécie. Portanto, fique atento aos números de acordo com a forragem da sua propriedade. Abaixo, listamos dois exemplos baseados nas recomendações da Embrapa Gado de Corte:
- Capim Mombaça: entrada com 90 cm e saída entre 30 e 50 cm.
- Capim Tanzânia: entrada com 70 cm e saída entre 30 e 50 cm.
Respeitando esses limites, a planta permanece com a área foliar ideal para rebrotar com força total, garantindo o próximo ciclo de pastejo muito mais rápido e nutritivo.
A importância do manejo estratégico nas águas
O período das águas é o momento de fazer a arroba baratear. É nessa época que as gramíneas apresentam crescimento acelerado, devido à combinação de temperaturas elevadas e alta disponibilidade de água. No entanto, o manejo correto é fundamental nesse período: se você não apertar o passo, o capim “passa” e você perde a janela de maior valor nutricional.
Para maximizar seus resultados, aqui vão algumas dicas práticas:
- Avalie o pasto com frequência: Vá ao piquete. Use uma régua de manejo para avaliar altura de entrada e saída e determinar a sequência de pastejo.
- Ajuste a lotação: Se o capim está crescendo mais rápido do que o gado consegue comer, aumente o número de animais ou faça uma roçada estratégica.
- Monitore o desempenho: Fique de olho no escore corporal e no ganho de peso. Se o pasto está alto e o gado está sentido, o problema pode ser a qualidade.
- Fertilidade do solo: Lembre-se que planta que cresce muito, tira muito nutriente da terra. Mantenha a reposição de adubação em dia para sustentar esse crescimento.
Olho no pasto e foco na gestão: O segredo para não deixar o lucro passar
O segredo de uma engorda eficiente nas águas é o equilíbrio entre a observação de campo e a agilidade nas decisões. Não basta apenas ver o capim crescer; é preciso agir no momento exato para que a planta não perca qualidade e o animal não perca desempenho.
Dessa forma, contar com ferramentas como o iRancho faz toda a diferença no dia a dia. Ao utilizar funções como o Mapa de Rebanho, você centraliza a conferência de pasto e o controle de lotação em um só lugar, garantindo que o manejo saia do “achismo” e se transforme em produtividade real. Com o pasto no ponto e a gestão na palma da mão, o resultado na balança é consequência certa.