O DDG no confinamento, é um coproduto do etanol de milho considerado uma alternativa para o farelo de soja e o milho grão na dieta bovina. Sua principal vantagem é o aumento de produção de carcaça, além de reduzir o risco de acidose ruminal devido ao baixo teor de amido e alta proteína não degradável no rúmen (PNDR).
O mercado de etanol de milho e a oferta de coprodutos
O Brasil está consolidando sua posição na produção de biocombustíveis. Segundo o presidente da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), o país deve encerrar o atual ano-safra com 10 bilhões de litros produzidos.
Dessa forma, esse crescimento gera um volume massivo de subprodutos como o DDG, que impulsiona a engorda do gado e eleva a produtividade da carne nacional.
O que é DDG e quais os principais tipos?
O DDG (Dry Distillers Grains) é o que sobra após o processamento do milho para obtenção de etanol e estão cada vez mais populares nas dietas de bovinos no Brasil. Nesse sentido, você encontra basicamente três variações no mercado, dependendo do processamento:
- DDG (Grãos secos de destilaria): Opção com boa conservação e facilidade de logística.
- DDGS (Grãos secos com solúveis): Possui adição de solúveis, podendo ser focado em alta proteína ou alta fibra.
- WDGS (Grãos úmidos com solúveis): Versão com alta palatabilidade, mas que exige consumo rápido devido à umidade.
O coproduto têm alta concentração de proteína e energia, tudo o que o gado precisa na fase de engorda.
Vantagens do uso de DDG no confinamento
O uso do DDG vai além da vantagem econômica e perfil nutricional. Ele altera a dinâmica digestiva do animal. Além disso, existem pontos técnicos fundamentais:
1. Proteína metabolizável (PNDR)
Boa parte da proteína do DDG é proteína não degradável no rúmen (PNDR). Isso significa que ela chega diretamente ao intestino, aumentando o teor de proteína metabolizável disponível. Por isso, ele tem uma eficiência energética maior que as proteínas de degradação rápida.
2. Saúde do rúmen e fibra
Ao contrário do milho grão, o DDG tem baixo teor de amido. Portanto, ele ajuda a reduzir a acidose ruminal. Sua fibra de alta qualidade auxilia na manutenção do ambiente do rúmen.
3. Substituição
O DDG se destaca como um substituto estratégico para o farelo de soja, devido ao seu alto teor de proteína bruta. Além disso, ele pode ser utilizado para elevar o aporte energético da dieta através do seu teor de extrato etéreo (gordura). Essa versatilidade permite que o pecuarista ajuste a formulação de acordo com a disponibilidade de outros insumos na fazenda.
4. Viabilidade econômica
O custo-benefício do DDG no confinamento costuma ser muito atrativo em comparação a outros alimentos energéticos e proteicos tradicionais.
O impacto real na balança
Quando o assunto é desempenho na fase final de engorda, o DDG já comprovou sua eficiência. Segundo Flávio Portela, professor de Zootecnia da Esalq-USP, a cada 10% de inclusão de DDGS na dieta, observa-se um ganho adicional entre 2 e 2,6 kg de carcaça por animal. Na prática, isso significa que, em um ciclo de 100 dias de confinamento, uma dieta com 40% de DDGS pode resultar em até 12 kg a mais de carcaça por boi (GAZETA DO BOI, 2026). Em outras palavras, o produtor pode abater animais mais pesados ou reduzir o tempo de permanência no cocho até atingir o peso ideal.
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