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Gestão de fazenda: É só para grandes produtores?

 

A gestão da atividade pecuária não é uma exclusividade de grandes propriedades. E essa resposta não deveria ser surpresa para ninguém. Na verdade, meus amigos, a gestão de pequenas e médias propriedades rurais demandam um controle extremamente eficiente. Uma vez que o pequeno e médio produtor têm um volume reduzido de operações quando comparado ao grande produtor. Desta forma, eles precisam minimizar ao máximo o risco de suas atividades. Saber a hora de comprar e vender animais, ter na ponta da língua qual é o GPD (Ganho de Peso Diário) ou GMD (Ganho Médio Diário) da propriedade, e fazer planejamentos de cria, recria, engorda e descarte.

Como diz Rodrigo Albuquerque do Notícias do Front, fazendo analogia a um plano de voo: “uma aeronave só pode levantar voo se tiver um plano de voo, trajetória e local de pouso”. Voltando para a pecuária, podemos comprar um bezerro já planejando o boi lá na frente, ou “parindo” o dito cujo para vender a desmama em determinada época do ano. Como posso definir esse planejamento? Com informação! Informação é a base de tudo, não se toma decisão sem informação.

Pegando como exemplo a atividade de cria, você precisará saber quantas matrizes aptas possui para a estação, quantos touros de repasse, quantas doses de sêmen, quantos protocolos de IATF, dia de início (D0), data do toque, data da ressincronização, do repasse e projeção de data de parto. Enfim, uma série de informações que são básicas para o início do processo. Se é o seu segundo ano, você já sabe qual é o seu IEP (Intervalo Entre Partos)? Qual foi a data de desmama do último lote da estação passada? Qual foi o índice de sucesso da estação do ano passado? Quantos bezerros(as) você vendeu? Se teve dificuldades para responder algumas dessas perguntas, meu conselho é que você precisa de um banco de dados. Veja que com 2 minutos de leitura, já demandamos uma grande quantidade de informações, e um rebanho de qualquer tamanho gera informação suficiente para auxiliar na tomada de decisão.

Ouvimos muito por aí “aqui no meu caderno tenho tudo” ou “na minha planilha de excel tenho informação de 5 anos”. Se você se encaixou nessas duas frases, você já tem o começo, agora é só alimentar um sistema. O problema das planilhas não está na inserção dos dados, mas sim na informação que conseguimos gerar a partir desses dados. Com base em uma planilha excel, você consegue me dizer se houve crescimento ou não na sua atividade no último ano? Qual foi o sêmen, utilizado na IATF, que gerou o bezerro mais pesado na desmama? Qual foi o lote com a melhor taxa de sucesso? Qual têm sido a principal causa de mortalidade na sua fazenda? Difícil extrair essas informações de uma planilha excel, não é mesmo? Mas e se eu te disser que você consegue gerar relatórios com todas essas informações usando uma ferramenta de gestão. Ficou fácil, não é? Basta emitir um relatório, filtrar as informações que você deseja, e pronto, todos os dados que você precisa para fazer a sua análise estarão ali na sua frente.

Essas informações podem impactar em vários aspectos a sua tomada de decisão. Você pode comprar mais sêmen do touro que deu origem aos bezerros mais pesados na desmama, pode renegociar aquele protocolo de IATF que deu melhores resultados. Você consegue identificar, de maneira muito clara, oportunidades de melhoria na gestão de sua propriedade. O reconhecimento do problema é o primeiro passo para a solução.

Por Pedro Henrique Maia e Mariana Machado

Mercado do Boi Gordo

De acordo com a Scot Consultoria, na última sexta-feira (26/4), o mercado foi movimentado. Como tipicamente acontece neste dia da semana, os compradores de gado aproveitaram para tentar exercer alguma pressão de baixa nos preços da arroba.

Porém, as tentativas de pagamentos menores não tiveram muito sucesso. Com exceção de Goiás, onde a demanda calma e a oferta de boiadas ganhando corpo possibilitaram que as ofertas menores se tornassem referência.

Já em São Paulo, grande parte dos frigoríficos abriu o dia fora das negociações. Essas indústrias, que estão com as escalas um pouco mais confortáveis, vão esperar o comportamento do mercado nesta semana para lançar suas ofertas de compra.

Contudo, existem frigoríficos com programações menores. Mais receosos, quanto a um dia a menos de abate na próxima semana, preferiram garantir as escalas de abate nas negociações do último dia da semana. Mesmo que para isso tivessem que ofertar preços maiores para a arroba.

Para o período de virada de mês, o mercado deve ganhar força, respaldado pela demanda aquecida do varejo e também pelos estoques mais moderados, em função da interrupção dos abates no feriado do dia primeiro de maio.

Fonte: Scot Consultoria

IATF: Maior produtividade em menor tempo

Especialistas defendem IATF para bovinos de corte para elevar retorno financeiro a criadores.

Segundo publicação na Folha de Londrina, a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) permite à bovinocultura de corte a redução média de 30% no intervalo entre partos, um ganho de 8% na produção de bezerros, um ganho de 20 kg para o animal até o desmame e de mais 15 kg até o abate. O ganho financeiro estimado para a cadeia com o uso dessa tecnologia é de R$ 2,1 bilhões ao ano, mas chega a apenas 13,6% das fêmeas no País, segundo números apresentados no 8º Simpósio de Eficiência em Produção e Reprodução Animal, na última quinta-feira (11), durante a ExpoLondrina.

O Brasil é o principal responsável por puxar para baixo a média mundial no uso de inseminação artificial, que hoje gira em torno de 22%. O uso da tecnologia aumenta a produtividade da pecuária, tanto no gado de corte quanto de leite, mas a média brasileira fica entre 10 e 12%. Índice que ganha peso quando considerado que o País tem o maior rebanho do mundo, com 221,8 milhões cabeças, de acordo com o balanço do fechamento de 2017 da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).

Presidente da SBTE (Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões), professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e um dos palestrantes do simpósio, Marcelo Seneda afirma que países com rebanhos menores e mais avançados em produtividade, como os europeus, ultrapassam os 90% de uso de inseminação artificial. Nos Estados Unidos, grande produtor, o índice se aproxima de 40%.

Ele explica que os ganhos aparecem já no início. “A maior parte do rebanho brasileiro é de gado nelore, que apresenta cio majoritariamente à noite. Se o produtor não vê, só terá outra chance 21 dias depois”, diz Seneda. O professor explica que em no máximo três meses se consegue a prenhez das fêmeas, o que garante um bezerro por ano e concentra a atividade de acompanhamento da gestação em período menor. “Pelo método tradicional, o comum é ter um touro para cada 25 vacas e fica difícil fazer uma estação curta de reprodução, que chega a cinco meses e dilui os nascimentos em um período grande”, cita.

Para o pesquisador e também palestrante do simpósio, Pietro Sampaio Baruselli, existe muito a se crescer em uso de tecnologias de inseminação na pecuária brasileira. “Temos muito a evoluir dentro desses processos. A boa notícia é que estamos melhorando, porque inseminávamos 6% há alguns anos e hoje chegamos a 13%, com um pacote tecnológico extremamente eficiente não só em termos de produtividade, mas de rentabilidade ao produtor”, diz ele, que é professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e ex-presidente da SBTE.

Em ganhos financeiros, Baruselli afirma que cada real investido em IATF gera R$ 4,50 em retorno ao produtor após os 18 meses de desenvolvimento do animal. Tanto que, das cerca de 15 milhões de doses de sêmen comercializadas para inseminação, perto de 13 milhões já são feitas com IATF e tendência é só de crescimento. “Estimamos que temos hoje em torno de 4 mil especialistas para chegar em uma taxa de inseminação que é a metade da mundial. Para chegarmos à média mundial, vamos precisar de mais 4 mil especialistas no campo e a qualificação das pessoas, a fixação delas no campo e o aumento do conhecimento do criador das vantagens da aplicação dessa tecnologia são muito importantes.”

Seneda complementa que os ganhos não são apenas financeiros. “A carne mais valorizada hoje no Brasil é da raça angus e também o sêmen mais vendido, porque o touro dessa raça não aguenta o clima brasileiro e não consegue ficar no campo. A inseminação permite nascer um angus meio-sangue que tem carne mais marmoreada e melhor preço de venda”, diz.

 

Pesquisadores afirmam que IATF garante sustentabilidade

Presidente da SBTE (Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões) e professor da Universidade Estadual de Londrina, Marcelo Seneda afirma que a IATF em bovinos melhora o bem-estar animal e a sustentabilidade ambiental. “Deixar o gado largado no pasto e ter um bezerro a cada 18 meses são práticas que não têm espaço hoje com a concorrência da agricultura, principalmente em uma terra valorizada como a do Paraná.”

Seneda diz que é mais comum que o criador que utiliza a biotecnologia garanta ao gado um melhor sombreamento, alimentação e evite a lotação excessiva no alojamento. “Quanto à sustentabilidade, se o produtor é mais eficiente, consegue produzir mais em uma área menor, com redução do impacto ambiental e mais respeito aos animais. Caso contrário, não vai ter o resultado esperado”, diz.

O professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) Pietro Sampaio Baruselli diz que é preciso fazer chegar a informação ao criador para que a cadeia tenha o melhor aproveitamento possível. “Temos de mostrar para o setor produtivo que essa ferramenta tem de ser cada vez mais utilizada para ter uma cadeia de produção de carne e de leite cada vez mais sustentável para a pecuária brasileira.”

FONTE: Folha de Londrina

 

Apenas 15% das fazendas no Brasil usam balança e tronco de contenção

O Giro do Boi divulgou nesta quinta-feira, 11, entrevista com o diretor da Açôres Balanças e Troncos, Gabriel Hauly. O empresário reforçou a importância das balanças de precisão e troncos de contenção para uma pecuária produtiva e competitiva por conta da relevância do conjunto como ferramenta de gestão.

Hauly alertou para o número que aponta que, no Brasil, apenas 15% das fazendas de pecuária possuem tronco de contenção e balança. A estimativa pode ser ainda mais alarmante, pois, de acordo com o próprio empresário, em boa parte das propriedades que possuem, a estrutura e o equipamento estão em estados de conservação inadequados. “Isso tem deixado muito preocupado realmente porque o único celeiro do mundo que possa produzir carne, e de qualidade, é o Brasil”, frisou.

Gabriel salientou ainda que os equipamentos mais modernos, automatizados, podem melhorar a produtividade do manejo feito na fazenda. Enquanto a pesagem de um animal na balança mecânica leva, em média, um minuto e meio, no tronco automático é possível fazer apenas a pesagem em cinco a seis segundos. Em serviços mais complexos, o empresário afirmou que é possível manejar até 120 bovinos por hora. “É fantástico, com apenas um operador fazendo pesagem eletrônica, fazendo contenção, vacina, tudo ao mesmo tempo”, confirmou.

FONTE: Giro do Boi

Preços da arroba do Boi Gordo sobem em 6 Estados

De acordo com a SCOT Consultoria, o cenário de valorização da cotação da arroba do boi gordo observado em março se mantém neste início de abril. Na média de todas as praças pesquisadas pela Scot Consultoria, as cotações subiram 0,5% desde 1/4. A pouca oferta de boiadas e o aumento da demanda de início de mês são fatores que explicam a firmeza do mercado. No fechamento da última terça-feira (9/4), onde houve variações nas referências, todas foram positivas. Destaque para São Paulo que teve valorização pelo segundo dia consecutivo. A referência para a arroba do boi gordo ficou em R$157,50/@, à vista, livre de Funrural. Essa firmeza do mercado físico impactou o mercado futuro, trazendo otimismo nos últimos dias para os contratos de abril, que até o fim de março estavam precificados próximos a R$155,00/@ e hoje estão próximos de R$157,50/@. Com as pastagens ainda permitindo a retenção das boiadas, na maior parte do país, no curto prazo esse cenário de oferta regulada não deve sofrer alteração, o que tende a manter as cotações da arroba sustentadas.

 

FONTE: https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/todas-noticias/50417/a-cotacao-da-arroba-do-boi-gordo-esta-subindo.htm

Indicador Bezerro abre semana com viés de alta em MS

Baixa oferta de animais, sobretudo de lotes de gado macho, abriu espaço para uma forte especulação altista

O Indicador bezerro ESALQ/BM&FBovespa (animal Nelore, de 8 a 12 meses) teve alta diária significativa no Mato Grosso do Sul na última sexta-feira, fechando a semana valendo R$ 1.228,39, com valorização de 2,3% na comparação com o dia anterior, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA).

No comparativo mensal, porém, o valor atual do indicador bezerro apresenta estabilidade em relação ao preço registrado em 15 de janeiro, de R$ 1.229,94.

Segundo análise da consultoria Informa Economics FNP, de São Paulo, a baixa oferta de animais, sobretudo de lotes de gado macho, abriu espaço para uma forte especulação altista neste começo de 2019, o que prejudicou a relação de troca entre lotes de reposição e a boiada gorda.

“Vale destacar um aumento significativo de oferta de lotes de fêmeas nos leilões, o que abriu espaço para ajustes negativos mais expressivos nos preços desta categoria”, informa o último Boletim Semanal da consultoria FNP.

Fonte: https://www.portaldbo.com.br/indicador-bezerro-abre-semana-com-vies-de-alta-em-ms/?fbclid=IwAR20uexHePNRwAkzdJ7xIDpp7tv7K_72-fGuvyfbq_s8cJon5u7U33EfBow

Vamos falar sobre comunicação?

O uso do Whatsapp e de outras formas de comunicação.

É cada vez mais comum o uso de ferramentas modernas de comunicação nas fazendas. O celular virou carne de pescoço e todo mundo usa. Junto com ele vieram ferramentas muito úteis, ágeis, que conduzem imagens, mensagens e vídeos de um lado a outro do planeta em segundos. No entanto…..

No entanto, as confusões na interpretação das mensagens aumentaram em muitas fazendas. Quando conversamos com alguém no tete a tete, nosso cérebro analisa muito além do texto que sai da boca…ele olha o tom de voz, os gestos, a postura e com tudo isso somado, toma uma decisão e interpreta a mensagem transmitida.

Mas como nossa cabeça faz isso quando a mensagem vem escrita no celular??? Vai interpretar de qualquer jeito, com base no emocional de quem está lendo! Se o leitor estiver nervoso, vai interpretar a mensagem como se fosse um coice. Se estiver de boa, vai interpretar a mensagem como se nada fosse tão sério assim.

E nas duas situações pode levar os comunicadores ao erro… Então, lembre-se que existe aquela pecinha por trás dos dois aparelhos que estão se comunicando, que são peças humanas, com toda a complexidade que vocês bem conhecem.

Confirme o entendimento da mensagem

Pergunte se o recado foi entendido. Peça para repetir. Pergunte se você entendeu certo. Coisas simples que na era das cavernas a gente fazia.

Dicas Agrobov

(62)9982-7178

(64)3674-3118

agrobov@hotmail.com

Pecuaristas terão de mudar de atividade senão souberem controlar os custos.

Muitos pecuaristas terão de mudar de atividade se não souberem controlar os custos

Repletas de livros, pastas e publicações, as gavetas e as prateleiras de uma das salas da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) finalmente foram desocupadas no início de outubro. O processo de limpeza se estendeu por dois anos. Nesse espaço acadêmico, por três décadas, um dos maiores especialistas em ciência da carne no Brasil, o professor agora aposentado Pedro Eduardo de Felício, fez pesquisas, orientou centenas de alunos e mudou a visão da pecuária brasileira sobre qualidade na criação de bovinos.

“Finalmente consegui dar conta do material guardado”, diz Felício, doutor pela universidade amerinacana do Kansas. Mas ele continua na ativa, embora diga que vem perdendo o passo por não acompanhar com lupa as pesquisas no setor. No dia 18 de outubro, Felício era um dos palestrantes no 8º Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal, realizado em Campinas.

“Estou encerrando minha contribuição à pecuária”, disse ele à DINHEIRO RURAL. “De agora para a frente serei somente um observador.” Felício foi pesquisador por 44 anos, entre a Unicamp e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão do governo paulista, onde iniciou a sua carreira.

Que conselho o sr. daria para melhorar o ambiente de pesquisa na pecuária?

Aposte nos convênios internacionais para trazer professores estrangeiros ao Brasil. Eles são fantásticos. São experts em pegar um problema local e desenvolver uma pesquisa com você. Minha tese de doutorado foi através de convênio com um professor americano, Dell M.Allen, doutor na Kansas State University. Ele é um dos 50 nomes que fizeram a ciência da carne no último meio século. Mas há muitos outros, como o neozelandês Bruce Marsh, uma das maiores autoridades do mundo sobre tecido muscular. Marsh, por exemplo, fez seu doutorado em um navio que caçava baleia para os ingleses, pesquisando o rigor mortis animal.

Mas como atrair esses profissionais diante de recursos cada vez mais escassos para pesquisas nas universidades brasileiras?

De novo, a saída são os convênios, mas nesse caso com as empresas. Dá para fazer parcerias e o modelo existe. Como é o caso da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), na unidade de Colina. Há convênios com pecuaristas que levam o gado à estação de pesquisa e elas acontecem. Existem outras que podem fazer o mesmo, além da Embrapa.

Dá para comparar o volume de pesquisas com décadas atrás?

Hoje há muito mais pesquisas. Por isso a genética vem em uma evolução bárbara, com centros de processamento de dados que são espetaculares. Hoje, é de nível internacional o trabalho do professor Raysildo Lobo, da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores. Ele não fica devendo nada para ninguém. E há muito mais nomes, como a professora Lúcia de Albuquerque, da Unesp de Jaboticabal (SP), ou o pesquisador Luiz Otávio Campos da Silva, na Embrapa de Campo Grande (MS), com o programa Geneplus, que estão no mesmo patamar.

Qual o principal desafio para a pecuária?

Só vi evolução até hoje, mas o que a gente ouve é que muitos pecuaristas terão que mudar de atividade se não souberem controlar os custos. Sem isso não há lucro. Como acontece com a agricultura e a suinocultura, por exemplo.

Quem vai sobreviver nesse ambiente?

Na pecuária, vai sobrar quem dispor de capital para investir em produtividade. Dá um pouco de medo em falar, porque há gente mais qualificada para responder a essa pergunta. Mas me lembro de uma discussão na Sociedade Rural Brasileira, na qual um dos participantes dizia que era preciso investir em pastos pequenos para o gado, enquanto outro falava sobre a dificuldade de dispor de dinheiro para fazer cerca. Então, se o problema era recurso para uma cerca, imagina para o resto.

Os fundos de investimento seriam uma saída para o setor?

Nunca pensei se agentes dessa natureza investiriam fortemente no setor. Há uma tarefa muito importante em andamento, que poderia ajudar. Somente agora os sistemas de pecuária estão sendo estabelecidos, como o tipo de padrão de gado, se ele vai ser puro ou cruzado, por exemplo. Eu acredito que o cruzamento industrial vai explodir e haverá esse sistema para tudo quanto é lado. Mas é preciso acertar algumas arestas, como os touros ideais para cobrir as vacas nelore, porque em muitos casos está acontecendo de o gado crescer demais e não engordar. Conforme o sêmen usado, o animal cresce em esqueleto e a engorda não acompanha, levando a mais tempo de engorda no pasto ou no confinamento.

Então, qual a saída?

Sem dúvida é acertar a genética dentro dos cruzamentos. Aparentemente, estamos muito bem servidos de sêmen importado de raças britânicas, tanto da Argentina como dos Estados Unidos. O caminho é com as raças britânicas hereford e angus, e com as suas raças compostas, a braford e brangus porque elas permitem o uso de seus touros a campo. Para uma carne mais magra pode-se usar o canchim, embora demore mais para engordar, ou o senepol que é um gado de padrão menor. Mas não importa a escolha do pecuarista: peso e uma carcaça equilibrada são questões que não têm mais volta. E os frigoríficos vão ter que resolver essa questão, porque eles têm um limite estrutural. Não foram desenhados para gado muito grande. Não podem abater animais acima 24 arrobas, embora comprem além desse peso. Quando isso acontece precisam usar ganchos para que a carcaça não arraste no chão. Nos últimos três anos tenho visto estatísticas dos frigoríficos da Minerva e da JBS. O aumento do peso das carcaças é uma realidade. O pecuarista está engordando mais o gado para otimizar o preço do bezerro e do boi magro em alta.

Para onde vai o mercado brasileiro de carnes premium?

Existe um crescimento desse mercado, tanto é que há importação até de carne do Paraguai, além de Argentina e Austrália, porque não há produção suficiente. No caso da carne brasileira para esse mercado, mais uma vez, acho que é preciso ajustes. A carne está um pouco pálida e na grelha a sua cor não é muito agradável de ver.

Não é esse o padrão americano?

Não. Depois de grelhada a carne americana não fica pálida.
No Brasil é o abate de animais muito jovens, sem uma recria eficiente que está levando a isso. Carne pálida é sinal de menos sabor. Mas, como a carne tem que ser macia, talvez o consumidor entre numa fase em que aceite alguma falta de sabor ou cor, em troca da maciez.

Na história da pecuária, abater animais jovens não era a promessa de lucro, como um pote de ouro no final do arco-íris?

É o que todo mundo pensa para aumentar a produtividade da fazenda. E sem dúvida aumenta. Mas a pecuária precisa ser feita em função do consumidor. Vamos ver o que vai acontecer, à medida que esse mercado amadurecer. Nós já passamos por isso. No início dos programas de novilhos superprecoces, nos anos 2000, acompanhei o trabalho de um frigorífico, à época em Uberlândia (MG). O consumidor já percebia a carne muito clara e, quando consumida, a impressão era de falta de sabor.

Fonte: Dinheiro Rural.

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Ministério da Agricultura assina novo protocolo de certificação de bovinos

Ministério da Agricultura assina novo protocolo de certificação de bovinos

O custo com a certificação de bovinos deve reduzir. É que nesta semana o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Jorge Caetano Junior, homologou um protocolo de certificação de bovinos e bubalinos que desobriga o pecuarista a seguir várias normas rígidas, reduzindo em três vezes o custo com a certificação.

A CNA  (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) estima que, com o novo protocolo, o custo da certificação da propriedade vai ser de R$ 900,00 por ano, enquanto as propriedades ERAS tem um custo estimado em R$ 2.700,00 por ano, que inclui taxas mais caras, vistorias semestrais e rígido controle de trânsito.

Exportações brasileiras de carne bovina têm desempenho histórico

Em 2018, as exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 1,64 milhão de toneladas, volume 11% maior que em 2017. A receita com as exportações alcançou US$ 6,5 bilhões, crescimento de 7,9%.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), que confirma que esse foi o maior volume de carne bovina já exportado pelo Brasil e consolida o país como o principal exportador mundial do produto.

Hong Kong e China foram os principais compradores da proteína brasileira, representando 24% e 22% das exportações, respectivamente. Destaque também para a União Europeia, Chile e Emirados Árabes que aumentaram suas compras ao longo do ano.

 

Fonte: ABIEC