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Os segredos para o sucesso na recria a pasto

A recria compreende a fase da desmama até o momento em que o animal vai para reprodução ou terminação. É a fase mais longa da pecuária de corte, e na maioria das vezes pouco valorizada. 

A estacionalidade da produção forrageira afeta o desempenho animal na recria e ocasiona um período de maior ganho de peso (estação das águas) e outro de menor ganho ou perda de peso (estação seca). 

Por essa razão, o pecuarista precisa ficar atento para evitar o “boi sanfona”, que ganha peso nas águas e perde na seca. Esse animal permanece muito tempo na fazenda, pois demora atingir o peso de abate, aumenta os custos da @ produzida e gera menor receita. 

Por isso, busca-se realizar a recria no menor período possível, com uso de animais precoces, bezerros que foram desmamados com peso adequado e uma boa nutrição.  

Além disso, é preciso projetar qual o ganho de peso total (GPT) e o ganho médio diário (GMD) que se deseja obter na recria. Feito isso, é necessário definir a nutrição e os manejos que permitam alcançar as metas estabelecidas. 

Simulação:

Considere que uma fazenda desmamou os bezerros com 200 kg e realizará uma recria de 12 meses (360 dias). Se o GMD do período total de recria for de 0,330 kg, os animais levarão 90 dias para ganhar 1@ e ao final da recria o ganho será de 4@. 

Caso o GMD seja de 0,580 kg, os animais ganharão 7@ e levarão cerca de 51 dias para ganhar 1@ (Tabela 1). Com isso, serão obtidos animais mais pesados ao final da recria, o que possibilita reduzir o tempo necessário para a terminação e a idade ao abate.

Vale ressaltar que o ganho de peso na seca será inferior ao das águas, por isso, é preciso também projetar o ganho esperado para cada estação. E, lembre-se que o ganho de peso dependerá da genética do animal e da nutrição aplicada. 

GPT = ganho de peso total; GMD = ganho médio diário.
Tabela 1. Simulação de resultados da recria considerando diferentes ganhos de peso durante um período de 12 meses (360 dias).

É importante destacar que o capim é o principal alimento para aos animais na recria a pasto. Por isso, forneça uma forrageira de qualidade. Esta deve possuir alta relação folha/colmo, facilidade de se estabelecer, resistência ou tolerância às pragas e doenças e boa capacidade de recuperação após o corte. Além disso, é preciso ter  um bom valor nutritivo, que se trata de uma característica bastante variável e que depende da idade da planta, época do ano e qualidade do solo. 

Nos sistemas de pastejo o uso de alturas de entrada e saída dos animais para cada capim, permite consumo de forragem com boa relação quantidade X qualidade. Isso porque, com o avanço da idade da planta (maturidade), há aumento na quantidade de colmo e nos teores de fibra e perda de qualidade. Por isso, é importante respeitar o ponto ideal de colheita (entrada) pelo animal. 

Na estação seca do ano o capim tem crescimento reduzido, possui maiores teores de fibra, menor teor de proteína e baixa digestibilidade. Neste sentido, para manejar corretamente o pasto é importante conhecer a capacidade de suporte, ou seja, a quantidade de animais que seus pastos são capazes de suportar. 

A capacidade de suporte é diferente nas estações do ano em virtude da disponibilidade de forragem, pois a produtividade da forrageira irá determinar o número de bovinos que poderão ocupar a área de pastagem. Dessa forma, a capacidade de suporte será menor na seca em comparação às águas, assim, a taxa de lotação também será.  

A taxa de lotação é representada em unidade animal (UA)/ha, quantidade de UA em uma determinada área durante um período de pastejo.

Quando a taxa de lotação é baixa em relação à capacidade de suporte tem-se o subpastejo. Consequentemente, sobra pasto e o capim cresce além da altura ideal de colheita. O pasto fica “passado” e perde qualidade.

O superpastejo ocorre quando a taxa de lotação é alta em relação à capacidade de suporte da pastagem. Neste caso, há mais animais do que a área consegue alimentar, sendo que eles consumirão muitas folhas e o pasto ficará “rapado”. O superpastejo dificulta o crescimento do capim e o restabelecimento da forrageira, levando a uma degradação da área de pastagem.

Deste modo, busca-se o pastejo ótimo, ou seja, quando a taxa de lotação é compatível com a capacidade de suporte. Assim, haverá comida suficiente para alimentar todos os animais e não ocorrerá degradação da pastagem. 

Quer saber a taxa de lotação atual dos seus pastos?

O cálculo é simples:  1 UA equivale a 450kg de peso vivo.  Considere o peso médio dos animais de 360 kg. Então faça a divisão: 360 / 450 = 0,80 UA.  Se a fazenda possui 50 animais será: 50 animais x 0,80 = 40 UA. 

Para saber quantas UA/ha é só dividir a quantidade de UA pela área pastejada (total de ha de pastagem que os animais estão). Portanto, em uma fazenda com 40 UA com área de pastagem de 20 ha, a taxa de lotação atual é de 2,0 UA/ha

Infelizmente a média brasileira é de menos de 1 UA/ha. O que demonstra a baixa eficiência no uso do pasto. Por essa razão, é importante buscar o auxílio de um profissional para calcular a capacidade de suporte dos seus pastos e adotar estratégias para melhorar a taxa de lotação da fazenda.

Como já foi dito, na recria a pasto, o capim é a principal fonte de nutrientes para os bovinos, contudo, não consegue atender toda a demanda nutricional deles. Considerando-se que na estação seca há baixa oferta de forragem e esta é de pior qualidade, a suplementação é fundamental para que os animais não percam peso e/ou consigam manter os ganhos. 

Já na estação das águas, período de maior disponibilidade de forragem, o uso de suplemento corrige deficiências nutricionais e maximiza o ganho de peso. Mas, cabe ao nutricionista responsável indicar o melhor suplemento de acordo com os objetivos e metas de cada fazenda. 

Por fim, para um bom consumo de forragem e suplemento não esqueça da importância da água. É preciso fornecer água limpa, fresca e em quantidade suficiente que atenda a demanda de cada animal. Para isso, faça a limpeza constantemente e use bebedouros que possuam enchimento rápido. 

Os animais ingerem diariamente cerca de 10 a 12% do seu peso corporal em água, e em dias quentes a ingestão aumenta. Portanto, para garantir saúde e bem-estar dos animais é preciso que tenham água em quantidade adequada e de qualidade. A falta de água limita o ganho de peso, com isso o animal reduz o consumo de alimentos e ganha menos. 

Diante do exposto, nota-se que realizar a recria a pasto demanda planejamento constante. Dessa forma, é imprescindível adotar medidas para melhorar a gestão da fazenda. 

Para ter maior controle dos pastos, suplementação e gerenciamento do rebanho você pode contar com o auxílio do iRancho. Nele, você pecuarista armazena informações confiáveis e de fácil acesso para um bom planejamento e condução da recria.

Portanto, os segredos para o sucesso na recria a pasto são os 4Bs: Bom animal, Boa nutrição, Bom manejo e Boa gestão. Mas, é importante ressaltar que não há receita de bolo na pecuária de corte. Cada fazenda precisa ajustar os recursos humanos, naturais, financeiros e produtivos disponíveis, com planejamento e controle adequados para a sua realidade. Por fim, lembre-se de , comprar ou produzir bezerros com boa genética para ganho de peso. Feito isso, trace a estratégia nutricional, execute-a corretamente e faça a gestão da fazenda com o iRancho.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Boas práticas na desmama de bezerros

A desmama é o processo de separação da mãe e cria. Ela ocorre tradicionalmente quando os bezerros estão com 6 a 8 meses de vida. Quando feita de forma abrupta, a separação causa alterações comportamentais que resultam em estresse nos animais. Os bezerros aumentam a vocalização procurando as mães e reduzem o consumo de forragem. Consequentemente, perdem peso e ficam mais susceptíveis a doenças. 

Portanto, para reduzir o impacto negativo no desempenho e bem-estar dos bezerros, é fundamental aplicar boas práticas na desmama, tais como: 

  • Realizar a apartação utilizando piquetes próximos, nos quais os bezerros e as vacas estarão separados apenas por uma cerca, mantendo o contato visual e auditivo;
  • Oferecer água de qualidade e em quantidade adequada; 
  • Ter pastos de qualidade; 
  • Evitar a aplicação de vacinas, castração ou manejos traumáticos logo após a desmama; 
  • Uso de suplementação para melhorar a eficiência de utilização da forragem e o desempenho animal;
  • Evitar o transporte dos bezerros nos primeiros dias após a desmama. Porém, caso seja necessário, faça as viagens de forma menos estressante possível. 

Ao final da desmama é fundamental que o pecuarista avalie alguns índices zootécnicos que indicam o resultado da fase de cria. 

Taxa de desmame

A taxa de desmame (%) é um índice que representa o total de bezerros desmamados em relação às vacas expostas em reprodução. Logo, em uma fazenda que foram desmamados 80 bezerros e 100 vacas foram expostas a reprodução, a taxa de desmame será de 80%. A fertilidade dos reprodutores, a natalidade e a mortalidade de bezerros afetam diretamente a taxa de desmame. 

Além de desmamar muitos bezerros é preciso atentar-se para a qualidade destes. Para isso, recomenda-se pesar os bezerros na desmama para avaliar o resultado nutricional e genético do rebanho. E assim, desmamar um bezerro de qualidade/vaca/ano. 

A habilidade materna tem grande impacto no peso ao desmame. Por isso, busca-se vacas que conseguem desmamar um bezerro com pelo menos 50% do seu peso corporal. 

Neste sentido, o Inttegra (Instituto de Métricas Agropecuárias) criou o índice quilos de bezerro desmamados por vaca exposta a reprodução, que auxilia o pecuarista a visualizar o resultado da fase de cria. Fazendas boas superam os 150 kg de bezerro por vaca. 

Dessa forma, considerando uma fazenda que tenha 100 matrizes expostas a reprodução e que desmamou 80 bezerros com peso médio de 170 kg, obteve-se uma produção de 136 kg de bezerro/vaca. Se ao final da cria os bezerros fossem desmamados mais pesados, com cerca de 220 kg, a produção seria de 176 kg de bezerro/vaca.  Ou seja, melhor resultado produtivo e maior receita na venda dos bezerros. 

O uso do creep feeding  na fase de cria é uma estratégia para obter maior peso dos bezerros a desmama. 

Enfim, a desmama é a transição da fase de cria para a recria. Por isso, e demanda atenção com o bem-estar dos animais, para evitar prejuízos produtivos e econômicos. 

Bezerros pesados ao desmame e com bom ganho de peso pós-desmama, têm potencial para atingir peso de abate mais rápido, e as fêmeas atingirem a puberdade precocemente, antecipando a idade a primeira cobertura. 

Na plataforma do iRancho o pecuarista registra e acompanha os pesos dos bezerros ao nascimento e na desmama, os dados da reprodução, nutrição e os manejos realizados na fazenda. Tais informações são fundamentais para avaliar o resultado da cria, ter uma boa gestão da fazenda e conseguir maior lucratividade. 


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Referência Livro:  Como ganhar dinheiro na pecuária – Os segredos da gestão descomplicada. Autor: Antonio Chaker El-Memari Neto. Inttegra. 343 p. 2018.

Creep feeding: estratégia na criação de bezerros

Creep feeding

O creep feeding é um sistema de alimentação em cocho privativo no qual somente o bezerro tem acesso durante a fase de cria . Visa melhorar o desempenho produtivo, aumentar o peso à desmama e acostumar o bezerro à suplementação no cocho. 

O cocho exclusivo para os bezerros é colocado em um cercado localizado próximo a área de suplementação para as vacas. Ou seja, é prático e permite suplementar o bezerro sem separá-lo da mãe. 

As respostas dos bezerros à suplementação em creep feeding dependem de fatores, como,  a forragem disponível, produção de leite da mãe, genética do bezerro, idade, sexo, tipo de suplemento utilizado e o consumo deste. 

O leite materno fornece a maior parte dos nutrientes necessários para o desenvolvimento do bezerro na sua fase inicial de vida. Contudo, a partir do segundo mês de vida, o leite não consegue suprir totalmente a exigência energética do bezerro. 

Dessa forma, o fornecimento de suplemento alimentar por meio do creep feeding corrige as deficiências nutricionais do leite e da forragem disponível durante o período de cria dos bezerros. Consequentemente, aumenta a taxa de crescimento, o ganho de peso, a eficiência alimentar e resulta em maior peso dos bezerros ao desmame. 

Com isso, o pecuarista obtém crias mais pesadas e lotes uniformes, possibilitando menor tempo de criação até o abate e um giro mais rápido na produção. Contudo, a nutrição pós desmame será decisiva para obter precocidade de abate. 

Animais que tiveram acesso ao sistema de creep feeding, não devem ser colocados em pastos ruins após a desmama, pois apresentarão pior desempenho e perderão peso. O ganho de peso adicional obtido na cria será perdido na recria. 

Lembre-se: a alimentação dos animais nas fases subsequentes precisa ser melhor ou igual a fornecida na fase anterior, nunca pior. Caso contrário, faltarão nutrientes para suprir a exigência de mantença dos animais e manter o ganhar peso. 

Portanto, após o desmame, que ocorre normalmente no início da estação seca em fazendas que realizam estação de monta, os bezerros devem continuar recebendo suplementação ou entrar em uma recria intensiva/confinada. 

Utilizar o creep feeding: sim ou não?

Depende dos objetivos e a realidade de cada fazenda. O pecuarista que objetiva desmamar um bezerro pesado para recriá-lo e reduzir a idade ao abate, precisará planejar a alimentação na recria para garantir a continuidade dos bons resultados. 

Fazendas de cria, que vendem seus bezerros à desmama, conseguem agregar valor ao produto (bezerro). Porém, é fundamental gerenciar o consumo de suplemento, avaliar os custos da suplementação e das instalações do creep feeding. E, estimar antecipadamente se o valor da venda dos bezerros pagará todos os custos. Para isso, utilize o iRancho um sistema de gestão inteligente e intuitivo, fácil de utilizar, que auxilia o pecuarista a controlar e gerenciar tudo que acontece na fase de cria.


Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Por que produzir bezerros do cedo?

A época de nascimento interfere na obtenção de um bom bezerro. Os bezerros “do cedo” nascem no início da estação de parição e são melhores, comparados aos bezerros “do tarde”, nascidos no final da estação.

Concentrar os nascimentos no início da estação de parição traz inúmeras possibilidades, como, melhor crescimento e desempenho dos bezerros, facilidade de manejo e ganhos financeiros.

Quanto maior a quantidade de vacas prenhes no início da estação de monta mais bezerros nascerão nos primeiros meses da estação de parição.

Gráfico explicativo da estação de monta

As vacas que emprenham no início da estação de monta terão o terço médio da gestação entre março e abril, na transição das águas para a seca, período que ainda há disponibilidade de forragem. Com isso, a nutrição da mãe será melhor permitindo maior formação de fibras musculares do bezerro como relatado no texto sobre programação fetal.

Considerando uma estação de monta de novembro a janeiro, os bezerros do cedo nascem nos meses de agosto e setembro. Assim, pouco tempo após o nascimento, se inicia a estação das águas e haverá oferta de forragem para a vacada. As fêmeas poderão se alimentar melhor, restabelecer condição corporal e ficar aptas para emprenhar no início da próxima estação de monta.

Além disso, há melhoria no status nutricional das vacas e assim, na produção de leite, o que contribui para aumentar o peso dos bezerros à desmama.

Vale ressaltar que a pastagem é a principal fonte de alimento para o rebanho de cria no Brasil. Por isso, é preciso investir no pasto, ter forragem de qualidade, fazer manejo do pastejo adequado e planejar uma boa suplementação com antecedência.

A melhoria na nutrição materna na gestação, pós parto e do bezerro na fase de cria, permite ao bezerro do cedo apresentar melhor crescimento e desenvolvimento, e alcançar maior peso na desmama comparado ao bezerro do tarde.

Isso porque, a vaca que emprenhou por último na estação de monta, passará pelo terço médio de gestação no período da seca, dividindo os nutrientes para suprir sua demanda de mantença com o feto. Assim, a vaca gera um bezerro de pior qualidade devido a restrição de nutrientes. Além disso, os bezerros nascerão nas águas onde o manejo sanitário é dificultado e há maior risco de mortalidade de bezerros.

O manejo sanitário também é privilegiado no início da estação de parição, pois a incidência de chuvas é menor, assim, há menos umidade ambiental e proliferação de microrganismos. A cura do umbigo é um dos manejos profiláticos beneficiados pelo período. Após o nascimento, a correta desinfecção do umbigo contribui significativamente para a saúde dos bezerros, redução na mortalidade e bom desenvolvimento deles.

Portanto, o ideal é concentrar os nascimentos no início da estação de parição para obter os bezerros do cedo, que apresentarão melhor desempenho comparado aos bezerros do tarde.

Contribuindo para reduzir o tempo de permanência dos aninais na fazenda e assim, possibilita gerar maior rentabilidade para o pecuarista.

Como planejar o nascimento dos bezerros?

O primeiro passo para um bom planejamento é definir os objetivos e metas da produção. Posteriormente, é preciso estabelecer a estação de monta, que, consequentemente, gera o período de nascimentos. Não temos controle sobre a gestação da vaca, portanto, nove meses após emprenhar o bezerro irá nascer.

Além disso, é preciso realizar o diagnóstico produtivo e reprodutivo da fazenda, planejar e organizar a nutrição materna e da cria.

Neste sentido, é fundamental ter uma boa gestão da fazenda. Organize de forma simples e rápida os dados da fazenda com o auxílio do iRancho. Com ele você armazena informações suficientes e confiáveis para elaborar um bom planejamento e conseguir executá-lo.


Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Relação entre programação fetal e qualidade de carcaça

Foto: iRancho

 

Você sabia que a nutrição da vaca gestante afeta a qualidade dos seus bezerros?

 

Vacas que não foram bem nutridas durante a gestação podem gerar bezerros ruins, com pior desempenho na cria, recria, terminação e qualidade de carcaça ao abate. 

 

Por isso, não fornecer alimento em quantidade adequada e de qualidade para as fêmeas gestantes do rebanho pode fazer você perder dinheiro.

 

A fase reprodutiva na pecuária de corte geralmente ocorre nos meses de maior disponibilidade de forragem, entre novembro a janeiro, quando se realiza a estação de monta

 

Assim, a vaca emprenha durante a estação que tem alimento disponível, contudo, parte da gestação coincide com o período crítico de disponibilidade de forragem, que é a estação seca do ano. O que resulta em limitação nutricional para bom desempenho e crescimento do feto. 

 

A gestação das fêmeas bovinas tem duração média de 9 meses, e é dividida em terço inicial, médio e final. Tradicionalmente, o produtor preocupa-se muito com o terço final da gestação, porque é nessa fase que o crescimento do feto é maior. E, acaba negligenciando os primeiros meses da gestação. 

 

No entanto, o terço inicial e médio da gestação são de grande importância para o desenvolvimento do bezerro. A deficiência de nutrientes nestas fases resulta em menor número de fibras musculares, e consequentemente afetará o ganho de peso do bezerro após o nascimento. 

 

Neste sentido, a nutrição materna ganhou relevância no país. Entende-se programação fetal como o estímulo maternal no período fetal que impacta o desenvolvimento e crescimento do bezerro.   

 

O tecido muscular tem baixa prioridade na distribuição dos nutrientes que serão disponibilizados para o feto em desenvolvimento, quando compara-se com órgãos como o coração, cérebro e fígado. Dessa forma, a formação de tecido muscular é prejudicada em situações de baixa disponibilidade de nutrientes, como por exemplo, quando a vaca está em pasto ruim e sem suplementação. 

 

A formação de fibras musculares, também chamada de miogênese (Figura 1), acontece na gestação, principalmente, no terço médio. É a etapa de hiperplasia (aumento do número de células). A restrição de nutrientes nessa fase resulta em menor formação de fibras musculares. 

 

No terço final de gestação o bezerro apresenta um crescimento significativo. Nessa fase ocorre hipertrofia (aumento de tamanho) das fibras musculares. Se a vaca não tiver nutrição adequada haverá menor hipertrofia e isso diminuirá o peso do bezerro ao nascimento.  

 

O bezerro que teve formação correta de fibras musculares, com uma boa nutrição após o nascimento ainda poderá recuperar peso. Isso porque, o crescimento muscular após o nascimento ocorre por meio da hipertrofia das células musculares já existentes.

 

Figura 1 – Fonte: Adaptado de Du et al. (2009)

 

A nutrição do feto no terço médio e final da gestação e na fase de cria durante os primeiros meses de vida, é fundamental para produção de células de gordura (adipócitos). Estes que, sofrerão hipertrofia e formarão a gordura de cobertura (subcutânea) e a gordura intramuscular (marmoreio). Portanto, conferindo qualidade à carcaça bovina. 

 

A hiperplasia (adipogênese), aumento da quantidade de adipócitos, ocorre principalmente na fase final do desenvolvimento fetal (terço final da gestação) e se estende até, aproximadamente, 250 dias de vida do bezerro após o nascimento. Período chamado de janela de marmoreio (marbling window), em que, uma boa nutrição permite obter maior número de adipócitos. 

 

Após os 250 dias de vida do bezerro ocorre a hipertrofia, ou seja, enchimento dos adipócitos. Mas é na terminação que isso efetivamente acontecerá, fase na qual há uso de dietas com grande densidade energética. A deposição de gordura intramuscular acontece por meio da hipertrofia dos adipócitos existentes. 

 

Vale lembrar que o marmoreio também tem fator genético, portanto, algumas raças como Wagyu e Aberdeen Angus apresentam maior gordura de marmoreio comparadas à raça Nelore. 

 

Contudo, a má nutrição materna durante a formação do bezerro na barriga da mãe e na fase de cria, resulta em menor número de adipócitos. Assim, o animal na terminação, poderá apresentar pior acabamento de carcaça do que aquele que a nutrição materna foi melhor. 

 

Portanto, a vaca que teve uma nutrição ruim durante a gestação vai gerar um bezerro de pior qualidade. 

 

Nesse contexto, é fundamental investir em uma boa nutrição para as matrizes da fazenda. Fornecer alimentos de qualidade e com custo satisfatório. Por isso, faça a gestão eficiente da fazenda e acompanhe a nutrição das suas matrizes e dos bezerros por meio do iRancho

 

Fonte: DU, M.; TONG, J.; ZHAO, J.; et al. Fetal programming of skeletal muscle development in ruminant animals. Journal of Animal Science, v.88, n.13, suppl, p.E51-60, 2009.

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Índices zootécnicos na cria

 

Foto: iRancho

 

Os índices zootécnicos são dados qualitativos e quantitativos que expressam de forma clara qual o resultado do conjunto, genética, nutrição, sanidade e manejo, aplicado na propriedade. Precisam ser medidos em todas as fases de produção, especialmente na cria, que é o alicerce da pecuária de corte.

 

Conheça alguns índices zootécnicos estratégicos para a fase de cria:

 

Período de serviço e intervalo de partos

 

O período de serviço compreende o tempo entre o parto da vaca e uma nova concepção. Tem influência direta no intervalo de partos, que representa o somatório do tempo de gestação da vaca e o período de serviço.

 

Dessa forma, o intervalo de partos consiste no período entre o nascimento de dois bezerros consecutivos da mesma matriz. Como o objetivo é produzir um bezerro/vaca/ano, o intervalo de partos ideal é de 365 dias ou 12 meses.

 

Taxa de prenhez

 

Representa o número de vacas prenhas em relação ao total de fêmeas em reprodução.

 

 

A taxa de prenhez é afetada por vários fatores como: nutrição, escore de condição corporal, uso de estação de monta, relação touro:vaca, fertilidade do touro, inseminação e sanidade. É importante calcular a taxa de prenhez por categoria (primíparas e multíparas). Quanto maior a taxa de prenhez, melhor.

 

Taxa de desmame

 

Compreende o total de bezerros desmamados em relação às vacas expostas a reprodução. Está diretamente relacionada com os nascimentos e a mortalidade de bezerros.

 

 

A taxa de desmame é um índice muito importante para quem produz bezerros, pois influencia a rentabilidade da propriedade. Quanto mais bezerros desmamados, melhor para o pecuarista.

 

Desde a reprodução até o desmame tem-se um longo período (estação de monta + 9 meses de gestação + 6 a 8 meses de cria), o que demanda um ótimo controle e registro dos animais e manejos.

 

Por isso, é importante utilizar um software de gestão de fazendas como o iRancho para armazenar informações sobre as matrizes e os bezerros, e assim, calcular com confiança o total de desmames no ciclo produtivo. Com o iRancho o pecuarista registra os animais e todos os manejos realizados, as datas importantes de inseminações, partos, mortes, pesos, entre outros.

 

Relação desmama

 

Representa a porcentagem do peso do bezerro em relação ao peso da matriz. Preconiza-se que a vaca desmame um bezerro com 50% do seu peso corporal. Portanto, uma vaca 400 kg precisa desmamar um bezerro de 200 kg no momento da apartação.

 

 

É um índice importante para orientar na seleção de matrizes e no tamanho do rebanho. Animais maiores possuem maior exigência nutricional e demanda por alimentos, o que resulta em aumento nos custos de produção.

 

Peso ao desmame

 

Importante medida para avaliar a habilidade materna das vacas do rebanho, ou seja, a vaca boa é a que consegue cumprir a relação de desmama citada anteriormente: desmamar um bezerro com metade do seu peso corporal.

 

Fazendas que se preocupam com a genética do rebanho tem mais facilidade em alcançar pesos maiores dos bezerros ao desmame, desde que, mãe e cria, recebam uma nutrição adequada para expressar seu potencial genético.

 

Uma forma de aumentar o peso à desmama é com o uso do creep-feeding, que consiste na suplementação dos bezerros em um cocho privativo, no qual só o bezerro tem acesso. E com isso, agrega valor na comercialização dos bezerros.

 

O peso ao desmame está correlacionado positivamente com os pesos do animais nas fases subsequentes, portanto, interfere no resultado da recria e terminação. Bezerros desmamados pesados podem atingir o peso de abate mais cedo e assim, reduzir o custo e o tempo de permanência destes animais na propriedade.

 

Dessa forma, a rentabilidade da cria está diretamente ligada a quantidade de bezerros desmamados e o peso destes. Reflete a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho.

 

Vale ressaltar que a coleta de dados é fundamental para que o produtor conheça a situação produtiva e reprodutiva da propriedade, e possa calcular os índices zootécnicos.

 

Com o iRancho, a coleta e armazenamento das informações referentes aos animais, é feita de forma rápida, precisa e fácil.

 

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

 

Planejamento produtivo na pecuária de corte

 

Foto: iRancho

 

 

O planejamento é uma ferramenta permanente e necessária para uma boa gestão da atividade pecuária. 

 

Planejar significa avaliar, preparar e elaborar as melhores estratégias para obter um resultado, sendo fundamental definir os objetivos e metas. Não tem como chegar em algum lugar, se não sei para onde quero ir. 

 

O objetivo é específico de cada fazenda, pode ser aumentar a rentabilidade, melhorar índices produtivos ou reprodutivos. A meta é a quantificação do objetivo, o degrau para alcançá-lo. 

 

As metas precisam ser mensuráveis, alcançáveis e ter prazo. Neste contexto significa: quanto quero melhorar e em quanto tempo. 

 

Para simplificar montamos uma equação do que compõe a meta: 

Meta = objetivo + quantidade + prazo

 

Dessa forma, em uma fazenda de cria com objetivo de aumentar o peso dos bezerros à desmama de 180 kg para 210 kg (quantidade), com desmame aos 210 dias – 7 meses de idade (prazo), a meta será: 

Desmamar bezerros aos 210 dias pesando 1@ a mais.

 

Os objetivos e metas constituem ponto de partida para tomada de decisão e programação das atividades da fazenda em cada fase (cria, recria e terminação).

 

O tempo de duração das fases é um fator importante do ponto de vista produtivo e econômico, interfere no desempenho animal e na rentabilidade do sistema. Afinal, “tempo é dinheiro”. 

 

Em média, a cria tem duração de 6 a 8 meses. Já a recria é uma fase negligenciada e com duração variável no Brasil, devido à baixa disponibilidade e qualidade de forragem, principalmente na época seca do ano. Busca-se uma recria de no máximo 12 meses.

 

A adoção da recria intensiva ou uso de suplementação a pasto na seca e nas águas, podem ajudar a maximizar os ganhos e reduzir o tempo de recria e a idade ao abate.

 

Já a terminação dura o tempo necessário para que o animal alcance o peso projetado para o abate. Pode ser feita a pasto ou confinada, de acordo com a produtividade esperada e o grau de investimento pretendido.

 

Em uma fazenda que realiza ciclo completo e faz estação de monta de 90 dias entre novembro e janeiro, os partos ocorrerão entre agosto a outubro/novembro. A desmama acontecerá de março a maio (7 meses) e o abate entre agosto a outubro (Figura 1). Obtendo assim, um animal com 24 meses de idade. Vale ressaltar que é possível antecipar o abate de acordo com a genética dos animais e a nutrição aplicada. 

 

Posteriormente, o planejamento deverá ser ajustado de acordo com as características e necessidades da cria, recria e terminação. 

 

Figura 1. Planejamento básico da produção de bovinos de corte em ciclo completo.

 

Enfim, ter um bom planejamento é imprescindível para definir as estratégias que proporcionem o melhor retorno econômico. E assim, utilizar os recursos materiais, humanos, naturais e financeiros da melhor forma possível. 

 

Pensando nisso, o iRancho é uma ferramenta completa que te auxilia na gestão da fazenda. Com o sistema iRancho, o pecuarista consegue avaliar a melhor estratégia para uma pecuária mais eficiente.

 

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

A importância da identificação de matrizes

Foto: iRancho

 

O bezerro é a matéria-prima para a recria e terminação de bovinos de corte. Busca-se bezerros de qualidade e em quantidade satisfatória para atender a demanda para produção de carne. Em muitas fazendas, a meta é produzir um bezerro/vaca/ano.  

 

Mas você sabe qual vaca está reproduzindo? Ou qual vaca desmamou um bezerro bom e qual teve um bezerro ruim? Sem a identificação de cada matriz não é possível ter essas informações. 

 

A identificação animal é pré-requisito para a escrituração zootécnica em uma fazenda de gado de corte, facilitando o levantamento de informações reprodutivas e produtivas da fêmea bovina, tais como partos, coberturas, inseminação artificial, número de crias, intervalo de partos entre outras. 

 

Com o registro de cada matriz, o pecuarista pode coletar os dados de nascimentos e pode armazena-los em uma ferramenta de gestão. Dessa forma, é possível saber se cada vaca realmente emprenhou, teve partos, desmamou bezerros, bem como as datas e os resultados.

 

Um índice zootécnico bem relevante na cria é quantos kg de bezerro uma matriz desmama em relação ao seu próprio peso no momento da apartação. O ideal é que cada fêmea consiga desmamar um bezerro com pelo menos 50% do seu peso. Por isso, é preciso saber exatamente qual é o bezerro de cada vaca para realizar o cálculo corretamente. Daí a importância da identificação da mãe e cria. 

 

Portanto, com a identificação de cada matriz, é possível acompanhar os resultados produtivos com maior exatidão.

 

Para isso, a identificação animal deve ser única e definitiva. O ideal é combinar números e/ou letras, sem repetição, de modo que não tenha outro animal com a mesma identificação. 

 

Existem vários métodos para identificar as matrizes, como a marcação a fogo, tatuagem ou brincos. 

 

O uso de brincos é muito comum, pois são bem visíveis e fáceis de aplicar. Apesar da perda de brincos ser uma reclamação recorrente, o risco de perda diminui quando se utiliza brincos de melhor qualidade e a aplicação é feita corretamente (Figura 1).

 

 

 

Figura 1. Local correto e incorreto de aplicação do brinco para identificação animal.
Fonte: Allflex – Adaptado

 

 

 

Não esqueça que é preciso monitorar os animais para avaliar se há algum problema decorrente da aplicação dos brincos e assim corrigir o mais rápido possível. 

 

O manejo de identificação deve ser feito com cuidado, para não causar estresse nos animais. O procedimento é simples, porém, requer equipe treinada para realizar o trabalho de forma adequada, tranquila e com segurança. 

 

Enfim, a identificação de matrizes e demais animais da fazenda é ponto FUNDAMENTAL para uma boa gestão na pecuária de corte.

 

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Engorda de bovinos de corte em 2020

No ano de 2019 a arroba do boi gordo teve forte valorização, impulsionada pela demanda interna e exportação. Os valores da arroba estabilizaram e no início de 2020 observou-se queda. Normalmente o mês de janeiro é menos intenso no mercado interno, comparado ao mês de dezembro.

Neste momento, surgem muitas dúvidas e preocupação com o preço da arroba do boi gordo. Principalmente, devido ao aumento na oferta de boiada pronta para o abate que acontecerá daqui a alguns dias.

Se você está na dúvida em manter os animais no pasto ou vender, a dica é: avaliar com cautela, tomar uma decisão planejada e com base nos custos de produção. Assim, saberá se manter os animais na fazenda, não resultará em prejuízo.

Apesar disso, as expectativas para este ano ainda são positivas. Mas, não fique refém do mercado, o risco de preço não deixará de existir, porém, podemos minimizá-lo.

Confinamento: milho x boi gordo

 

A alimentação exerce um grande impacto técnico e econômico em um confinamento. Por isso, quem vai confinar precisa ficar atento aos preços dos ingredientes da ração, dentre eles o milho, que é um alimento energético muito utilizado na alimentação de bovinos confinados.

O preço do milho interfere no custo da diária do animal no confinamento e consequentemente no custo da @ produzida. Dessa forma, o milho pode ser substituído por outros alimentos, como o sorgo, visando redução de custos. Contudo, recomenda-se que a substituição seja feita por um profissional da área de nutrição, pois, é importante uma boa formulação para obter uma dieta que atenda às exigências nutricionais dos animais. E que, além disso, proporcione ganho de carcaça adequado, resultando em melhor remuneração para o produtor.

Houve valorização do preço do milho, devido a demanda interna aquecida e a demanda para exportação. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) é que os preços do milho no mercado interno continuem firmes e elevados, estima-se um estoque final para a safra 2019/2020 de 9,1 milhões de toneladas, inferior a safra 2018/19 que foi de 11.536,1 milhões de toneladas.

Com isso, a relação de troca milho/boi gordo está em 4,03 sc/@ ou seja, hoje é possível comprar quatro sacas de milho (60kg) com o valor de uma arroba de boi gordo. Considerando a cotação em Goiás do milho a R$44,50 reais/sc e R$ 179,50 reais/@ (Scot Consultoria – 19/01/2020).

Alterações nos preços do milho e da arroba irão modificar a relação de troca e o poder de compra do produtor. A relação de troca é considerada favorável, quanto mais sacas de milho o pecuarista conseguir adquirir com uma arroba de boi gordo. O que se considera um estímulo à adoção do confinamento, embora, o custo do boi magro também seja um fator importante no custo final da arroba produzida.

O ágio do boi que é a diferença de preço da arroba entre boi gordo e boi magro está em 20%. Enfim, o custo de aquisição do milho e do boi magro impacta na rentabilidade do confinamento. Com a alta nos preços de ambos, o confinador precisará planejar e comprar bem para viabilizar a atividade.

 

Em resumo

 

Se o mercado melhorar ou piorar temos que estar preparados, e isso só é possível com bom planejamento e uma gestão eficiente. Por isso, avalie as suas operações de engorda de gado, seja a pasto ou em confinamento. “Ganhar dinheiro” na pecuária não depende somente do preço pago pela arroba do boi. A única garantia do produtor é da porteira para dentro, assim, é preciso fazer conta do custo da arroba produzida na fazenda.

 

BeefStats

 

O Beefstats é uma ferramenta que pode auxiliar o pecuarista na tomada de decisão na fazenda. Ele é conhecido como “A calculadora do pecuarista”, e auxilia o produtor a entender os custos, analisar os riscos e tomar decisões com menos incertezas e embasadas em números.

 

Fontes:
www.scotconsultoria.com.br
https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como calcular o custo de produção?

 

O pecuarista tem inúmeros recursos tecnológicos, de nutrição e genética disponíveis para tornar a pecuária eficiente, mas se não gerir os custos corretamente, pode não progredir. Logo, o custo de produção é parte fundamental da gestão de uma fazenda, e consiste na soma de todos os valores dos recursos utilizados para produzir.

 

Vários motivos levam pecuaristas a temer o custo de produção, seja a falta de informações da propriedade, desconhecimento de como realizar o cálculo e o medo de descobrir que a fazenda não paga as contas e não “dá lucro”. Por isso, é comum escutar “é muito difícil calcular” ou “se eu contabilizar tudo que gasto, deixo de produzir”, porém, são mitos.  O custo de produção, é uma excelente ferramenta para conhecer quanto você gasta, onde o dinheiro está sendo aplicado e assim, permanecer na atividade. 

 

Existem duas metodologias muito utilizadas para calcular o custo de produção, são elas:

 

Custos Fixos e Variáveis

Os custos fixos são aqueles que o produtor não controla e não se alteram com o aumento da produção, como por exemplo, os gastos administrativos e impostos. 

Enquanto, os custos variáveis, aumentam proporcionalmente com a produção, o produtor tem total controle e pode escolher reduzi-los. São exemplos de custos variáveis: ração, sementes, fertilizantes, gastos com a sanidade do rebanho, serviços de máquinas e mão de obra. 

Sabe-se que o aumento na produtividade eleva o custo variável, contudo, resulta em diluição do custo fixo. Por isso, a importância de não focar apenas em reduzir custos variáveis, mas investir em tecnologia e melhorar a produção. 

O somatório dos custos fixos + custos variáveis, resulta no custo total.  

 

Custos Operacionais

Os custos operacionais compreendem o custo operacional efetivo (COE), custo operacional total (COT) e o custo total (CT).

O COE consiste na soma de todos os gastos diretos com a produção pecuária em um ciclo produtivo, tais como: insumos (rações e suplementos minerais, sementes, medicamentos veterinários, defensivos agrícolas, fertilizantes), mão de obra contratada, entre outros. 

O COT é o somatório do COE, mão de obra familiar e a depreciação, esta que consiste na desvalorização de um bem, devido ao seu uso. As construções, máquinas, implementos, animais de reprodução e trabalho, se depreciam. Adicionar a depreciação ao custo de produção, possibilita gerar reservas para substituir um bem, como o trator ou implementos, por exemplo, quando for necessário. 

Por fim, o CT, que engloba o COT e o custo de oportunidade. Entende-se o custo de oportunidade como uma “renúncia”, o valor que você deixa de ganhar por aplicar o dinheiro na pecuária, ao invés de utilizá-lo em outra atividade (arrendamento, milho, soja ou poupança). Por essa razão, o custo de oportunidade é temido por muitos. Vale lembrar que, o segredo do sucesso é se dedicar e fazer o melhor, caso contrário, outras atividades serão sempre mais atrativas economicamente.  

Como resultado da avaliação dos custos tem-se o lucro, calculado pela diferença da renda bruta da fazenda e o CT. Quando o lucro é positivo, significa que a pecuária tem melhor rendimento que a atividade alternativa considerada no custo de oportunidade. O lucro igual a zero é um indicativo que a fazenda está no ponto de equilíbrio, como dizem “empatada”. No entanto, quando o lucro é negativo, há prejuízo econômico, ou seja, o retorno financeiro será maior em outra atividade.

Porém, é preciso desmistificar e perder o medo de calcular o custo de produção. Encontrar um resultado negativo, não significa que terá que deixar a atividade. Essa é uma opção, mas, existem outras, como: aumentar produtividade (@/ha/ano) ou melhorar a gestão da fazenda. 

 

Enfim, independente da metodologia utilizada, o importante é conhecer o seu custo de produção. Com ele você tem informação para planejar, corrigir falhas, evoluir e lucrar. Vale lembrar que com o iRancho você faz o controle financeiro completo da sua fazenda!

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.