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Estratégias para a compra da reposição na pecuária de corte

O animal é a matéria-prima para a produção de carne, sendo assim, é fundamental ter animais de qualidade. No entanto, as fazendas que não realizam a fase de cria dependem totalmente da compra de reposição, ou seja,  precisam adquirir os animais para iniciar um novo ciclo produtivo. E o custo da aquisição destes tem impacto significativo no custo total de produção. Por isso, a compra da reposição é decisiva para o resultado técnico e financeiro da recria e da terminação

Assim, para acertar na escolha da reposição, é preciso responder duas perguntas: 

  • qual animal preciso comprar?
  • quanto posso pagar na reposição?

Neste sentido, é fundamental definir metas, como, abater animais com no máximo 24 meses, 20@ e 55% de rendimento de carcaça. Mas, não é qualquer animal que tem potencial para chegar nesse resultado. Deste modo, comprar apenas pelo preço levará a uma baixa eficiência produtiva. Pois, adquirir animais leves e com baixo desenvolvimento pode aumentar o tempo de permanência deles na fazenda e consequentemente o custo de produção.  Dessa forma, o animal barato, ao final da operação sairá caro. 

Recomenda-se, portanto, comprar animais de maior qualidade genética e sempre fazer os seguintes questionamentos: Esse animal atende aos meus objetivos e metas? Tenho condições de fornecer tudo que este animal precisa na fazenda? Se a resposta for não então, repense a viabilidade da compra de reposição.

Cada fazenda tem uma realidade e isso precisa ser levado em consideração na hora de comprar a reposição. Assim, o ideal é elaborar um planejamento com base nos dados atuais de mercado e/ou analisar os resultados anteriores. Com isso, é possível saber a receita, os custos e lucros médios esperados ou obtidos. Com isso, pode-se definir o ponto de equilíbrio para o valor do gado (R$/animal), ou seja, qual o valor máximo que pode pagar por animal para ainda se manter empatado na atividade. Além disso, é possível calcular o ágio do bezerro ou do boi magro. 

Para tomar uma decisão mais assertiva e  saber se sua operação de engorda terá retorno antes de comprar o gado, utilize uma ferramenta como o Beefstats. Com ele você calcula o ponto de equilíbrio do valor do gado e o ágio da arroba do boi magro.  Assim, você identifica qual o melhor valor para pagar nos animais e evita prejuízos para o seu negócio.

Outra análise que pode ser feita é da relação de troca boi gordo e bezerros.  Considere o preço da arroba do boi gordo e do bezerro de R$ 180,00 reais e R$ 291,66 reais respectivamente (dados referentes ao Estado de Goiás, de acordo com  a Scot Consultoria). O pecuarista que abater animais com 18@ conseguirá comprar o equivalente a 1,85 bezerros com a venda do boi gordo. Enquanto, ao abater animais com 20@ seu poder de compra passa para 2,01 bezerros. Dessa forma, potencializar os ganhos e aumentar a produtividade em arrobas produzidas contribui para diluir o custo da reposição e para gerar mais receita.  

Vale lembrar que é preciso ter cautela e evitar comparar a arroba de bezerros de genética superior com a arroba paga no mercado nacional. Afinal, quem vende boi europa ou está em um mercado de carne específico recebe um valor diferente pela arroba do boi gordo. E com certeza o preço pago pela reposição também será diferente. Assim, faça as contas de acordo com a sua realidade de produção.

Por fim, lembre-se de que na hora de comprar a reposição é importante aliar preço e qualidade.  Além disso, recomenda-se o uso de ferramentas de comercialização e gestão de fazendas para ter informações confiáveis e orientar na tomada de decisão. O iRancho, por exemplo, é uma opção bastante interessante, já que ajuda a armazenar informações de forma adequada e a tomar decisões confiáveis no momento da compra de reposição.
Viu como o planejamento da compra de reposição é importante para garantir melhores resultados para o seu negócio pecuário? Agora leia o artigo “Gestão de compras de insumos: comprar bem para vender melhor” e confira nossas dicas para evitar prejuízos na hora de comprar e armazenar insumos para a sua fazenda.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Gestão de compras de insumos: comprar bem para vender melhor

A intensificação na pecuária de corte resultou em ciclos produtivos mais curtos e maior produtividade por área. Mas para se manter competitivo no mercado é preciso estar atento a todas as etapas da produção, desde a compra dos insumos até a venda do boi gordo ao final da operação. 

Neste sentido, elaborar estratégias de compras contribui para garantir a disponibilidade dos insumos necessários e melhores condições de preços e prazos. Isso porque, a gestão inadequada dos insumos  pode ocasionar perdas, estoque irregular e comprometimento do desempenho animal, o que acarreta prejuízos financeiros. 

Portanto, a gestão de compras de insumos é um dos principais passos para melhorar os resultados da sua fazenda. Pensando nisso, separamos  3 dicas para te ajudar a fazer uma boa gestão de compras de insumos para a produção de bovinos de corte. 

1- Planejamento de compras de insumos

O planejamento é fundamental para realizar uma boa compra de insumos. Afinal, não pode faltar no estoque produtos básicos como medicamentos e alimentos. É importante ainda, garantir que todos os demais insumos necessários para a produção sejam adquiridos em tempo hábil e nas quantidades demandadas. Dessa forma, o primeiro passo é conhecer quais insumos são necessários e qual a quantidade. 

A programação de compras deve ser feita de acordo com as atividades que serão realizadas (cria, recria ou terminação) e a época do ano. Além de levar em consideração a estratégia nutricional utilizada, é fundamental fornecer alimentos de qualidade e em quantidade que atenda a exigência nutricional dos animais, visando maior ganho de carcaça e consequentemente maior retorno financeiro. Por essa razão, a alimentação exerce grande impacto no resultado financeiro da atividade pecuária.

O milho e o farelo de soja são alimentos muito utilizados em dietas para animais em confinamento. Seus preços são influenciados por fatores sanitários, climáticos, políticos, produção mundial, entre outros. Porém, no período de safra devido à maior disponibilidade dos grãos, os preços tendem a ser mais atrativos. Por isso, ficar  atento ao mercado permite fazer negociações nos melhores momentos. 

Além disso, o confinador tem a opção de usar alimentos alternativos como coprodutos da indústria, como estratégia para reduzir os custos. No entanto, a substituição de ingredientes deve ser feita com cautela para evitar queda no desempenho animal. Portanto, é importante ter auxílio de um profissional para ajudar o pecuarista no planejamento do confinamento e no balanceamento das dietas. 

Não existem regras ou receita de bolo para fazer a compra de insumos. O que podemos afirmar é que o planejamento e a compra com antecedência levam a melhores resultados. Comprar em cima da hora aumenta os riscos de não encontrar o insumo desejado ou pagar mais pelo produto.

2 – Escolha do fornecedor e qualidade dos insumos

Na hora de adquirir os insumos é importante conhecer os fornecedores, analisar se a empresa é idônea, a qualidade do atendimento e como é o acompanhamento da compra. A localização do fornecedor é outro fator que deve ser levado em consideração, pois o valor do frete para transporte dos insumos impacta significativamente no custo deles.  

Além disso, fique atento a qualidade do produto a ser adquirido, porque comprar bem não é sinônimo de pagar menos. Nesse aspecto, estabeleça critérios de qualidade para cada insumo, caracterizando como este deve ser.  Ao comprar milho grão, por exemplo, determine qual é o teor de umidade aceitável, ausência de micotoxinas, entre outros aspectos. 

Ao adquirir suplementos e núcleos, escolha aqueles que possuam níveis de garantia e composição descritos corretamente nos rótulos. Deve-se verificar ainda se esses produtos são produzidos por estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)

3– Gerenciamento de estoque

 Na pecuária de corte utiliza-se medicamentos, alimentos, fertilizantes, defensivos e outros insumos que demandam cuidados no armazenamento. Todos esses produtos possuem prazo de validade e têm suas características alteradas e menor eficiência, quando expostos a temperaturas elevadas, umidade e pragas, por exemplo.

Por isso, para evitar desperdícios e acúmulo de insumos, sugere-se usar primeiramente os produtos com data de vencimento mais próxima.     Entretanto, a organização e o controle do estoque são fundamentais para que o consumo seja feito corretamente.

A estocagem incorreta resulta em perdas de produtos e prejuízos financeiros para o pecuarista. Dessa forma, recomenda-se que as compras de insumos sejam organizadas de acordo com a capacidade de armazenamento da fazenda e com a logística de utilização.

Para um bom gerenciamento do estoque é importante que o pecuarista registre a quantidade disponível de cada produto, quais são eles, as datas de chegada, prazos de validade, média de consumo e a quantidade utilizada. Neste sentido, nosso software de gestão é um grande aliado na coleta e organização dos dados. O iRancho auxilia o pecuarista no registro e movimentação de insumos nos estoques, de forma fácil, rápida e simples. O iRancho é um sistema 100% integrado, isso quer dizer que os produtos são reduzidos automaticamente no estoque na medida em que são consumidos. Permitindo que o estoque da fazenda fique sempre atualizado.

Resumindo, se você quer comprar bem para vender melhor, deverá aplicar as seguintes estratégias:

  • Estruturar um bom planejamento de compras 
  • Escolher bem os fornecedores 
  • Avaliar a qualidade dos produtos e não somente o preço
  • Gerenciar corretamente o estoque

 Afinal, com a correta gestão de compras é possível comprar bem, ou seja, adquirir um insumo de qualidade, na quantidade demandada e a um custo adequado para o seu negócio. Visto que, o objetivo é produzir uma arroba barata, porém, com eficiência técnica e financeira. Agora que você já sabe os benefícios do planejamento da compra de insumos para o seu negócio, que tal modernizar a gestão da pecuária com um sistema fácil, moderno e completo? Entre em contato conosco e solicite sua avaliação gratuita para conhecer o iRancho!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Você conhece o “confinamento a pasto”?

A estacionalidade de produção de forragem afeta negativamente o desempenho dos animais e dificulta a terminação de bovinos a pasto. Por isso, o pecuarista precisa encontrar uma estratégia eficiente que forneça condições para que os animais construam carcaça de forma adequada e tenha um resultado financeiro positivo. 

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), dos 44,23 milhões de animais abatidos no Brasil, apenas 5,58 milhões são provenientes de terminação em confinamento, o que representa 12,6% do abate total de bovinos. Portanto, a maior parte dos animais abatidos no país vêm de produção a pasto. 

Pensando nisso, é fundamental otimizar o uso de forragem e maximizar os ganhos, principalmente no período seco ano, no qual há baixa disponibilidade e qualidade de forragem. Dessa forma, uma alternativa para o pecuarista é a terminação no chamado “confinamento a pasto”, que é uma estratégia de terminação intensiva a pasto (TIP). 

No “confinamento a pasto”, os animais são mantidos no pasto e são suplementados na proporção de 1,8% a 2% do peso corporal. Os nutrientes que faltam no capim são fornecidos via concentrado. Assim, os animais recebem minerais, vitaminas, energia e proteínas  em quantidade suficiente  para atender suas exigências nutricionais.

Os pastos precisam ser bem manejados, pois a taxa de lotação deve ser definida de acordo com a quantidade de forragem disponível, ou seja, é preciso conhecer a capacidade de suporte da área. Além disso, embora o consumo seja baixo, o pasto é fonte de fibra, sendo essencial para manter o correto funcionamento do rúmen.

Veja algumas dicas para a condução adequada do confinamento a pasto:

  • Planejar as ações corretamente;
  • Fazer período de adaptação (14 a 21 dias);
  • Fornecer o concentrado sempre no mesmo horário;
  • Definir o espaçamento de cocho de forma adequada (40 cm por animal);
  • Ter disponibilidade de forragem;
  • Calcular a taxa de lotação de acordo com a capacidade de suporte da área; 
  • Formar lotes homogêneos para evitar competição e consumo inadequado de concentrado;
  • Disponibilizar água de qualidade e em quantidade suficiente para os animais. Para isso, é importante ter bebedouros de enchimento rápido;
  • Contar com uma equipe capacitada e motivada para conduzir as atividades. 

A estratégia de “confinamento a pasto” proporciona eficiência produtiva, aumento na taxa de lotação e na produção de @/ha/ano. Entretanto, é preciso planejar a operação, definir as metas de desempenho e os custos. Portanto, o ponto-chave para o sucesso na terminação é o planejamento. Assim, conhecendo o custo da arroba produzida e vendida (tabela), o pecuarista saberá a sua margem de lucro de acordo com o preço da arroba previsto para a data da venda. 

Com o iRancho, você acompanha e registra os dados de peso dos animais, consumo de concentrado e todos os custos com a nutrição. Dessa forma, você consegue planejar com segurança, de forma simples e rápida a terminação dos seus animais. 

Quer ver como a terminação de bovinos feita no “confinamento a pasto” funciona? Confira a simulação!

Agora que você já sabe como implementar a estratégia de “confinamento a pasto”, simplifique a gestão da sua fazenda e garanta melhores resultados. Entre em contato conosco e solicite um teste gratuito do iRancho!


Referência:  www.abiec.com.br

Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como planejar a terminação de bovinos de corte?

A terminação é a última fase de produção na pecuária de bovinos de corte, na qual o animal atinge o peso adequado para o abate e deposita gordura na carcaça. É uma fase decisiva, pois a receita com a venda dos animais deverá pagar os custos de produção. Por isso, para alcançar boa rentabilidade é fundamental aumentar o ganho de carcaça e a produção de arrobas/ha/ano.

Diante do cenário de incertezas no mercado pecuário, o planejamento é o ponto- chave do sucesso na terminação de bovinos de corte. Assim, é indispensável definir as metas de desempenho e planejar os custos. 

Atualmente, a terminação intensiva a pasto (TIP) e o confinamento tradicional são estratégias que apresentam excelentes resultados. Em ambas, será necessário realizar um planejamento nutricional com o auxílio de um bom profissional. Para assim, formular uma dieta balanceada, que atenda as exigências nutricionais dos animais e que proporcione melhores resultados produtivos e financeiros para o pecuarista.

Além disso, o pecuarista que irá adquirir animais para terminar, precisará ser eficiente na compra. Devendo escolher aqueles que possuem estrutura corporal adequada e com potencial genético para ganho de peso e qualidade de carcaça. Bem como, calcular o ágio da arroba de entrada e avaliar quanto pode pagar no animal sem ter prejuízo. 

Os custos com a compra do animal e a nutrição exercem grande impacto no resultado financeiro da terminação. Por isso, tenha cuidado ao buscar animais e ingredientes de baixo custo, porque às vezes “o barato sai caro”. É preciso aliar preço e qualidade, bem como conhecer todas as possibilidades de resultados, seja na terminação a pasto ou confinada. Neste contexto, o Beefstats auxilia o pecuarista a avaliar se suas operações de engorda resultarão em lucro ou prejuízo. Ele consegue verificar essa viabilidade antes da compra do gado e dos insumos, o que o auxilia para tomar a melhor decisão.

Confira as simulações:

Veja a seguir três simulações para uma terminação realizada em confinamento. Considerando as seguintes métricas de recria de bovinos de corte: os animais iniciarão com peso médio de 425 kg, 14,2@ e ficarão confinados por um período de 90 dias, com um ganho de peso médio diário de 1,5 kg. 

Na Simulação A, os animais serão abatidos com 20,53@ e 55% de rendimento de carcaça, com um custo de R$ 124,33 reais/@produzida e R$ 184,70 reais/@vendida. Observe na Simulação B que, caso haja uma redução de R$ 0,80 centavos no custo da produção diária (R$ 8,80 vs R$ 8,00 reais/cabeça/dia), o custo da arroba produzida será de R$113,03 reais enquanto cada arroba vendida custará R$ 181,19 reais. Assim, reduzir o valor da diária dos animais impacta diretamente nos custos de produção e na lucratividade da fazenda. 

Na Simulação C, os custos foram mantidos, porém aumentou-se o ganho de carcaça (1,061 vs 1,123 kg/dia), a quantidade de arrobas produzidas (6,37 vs 6,74@) e vendidas (20,53 vs 20,91@). Cada arroba produzida custou R$ 117,51 reais e a arroba vendida R$ 181,34 reais. Além disso, houve redução nos valores de eficiência biológica (153,16 vs 144,74 kg de MS/@produzida). A eficiência biológica é uma medida de conversão em carcaça, na qual avalia-se quantos kg de matéria seca (MS) o animal consome para ganhar uma arroba. 

Dessa forma, observa-se que o aumento no ganho de carcaça e na produção de arrobas, resultou em maior quantidade de arrobas vendidas. Isso possibilitará aumento na produtividade (@/ha/ano) e na receita com a venda dos animais ao abate. Para entender melhor confira a tabela:

Resumo da simulação para terminação em confinamento utilizando o software Beefstats.

Após analisar as simulações, o pecuarista pode optar pela estratégia de terminação de bovinos de corte que proporcione melhor margem de lucro ou ao menos mantenha a fazenda no ponto de equilíbrio. Além disso, terá informações completas para fazer negociações futuras, caso queira se proteger do risco de preço. Contudo, é preciso entender que o maior risco é não saber, não ter informações completas e não planejar suas ações. Por isso, o BeefStats é uma ferramenta essencial para análise pecuária. Por meio dele, o pecuarista entende os custos, projeta resultados e avalia os riscos da operação de engorda antes mesmo dela acontecer. Quer calcular com facilidade o resultado do seu negócio pecuário? Conheça o BeefStats e utilize a ferramenta gratuitamente até o dia 31 de maio de 2020.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Métricas importantes na recria de bovinos de corte

A recria é uma fase determinante para realizar uma pecuária eficiente. Mas, o grande desafio é conduzi-la no menor tempo possível. Para isso, é preciso intensificar a produção e otimizar os resultados em busca de uma recria mais produtiva, rentável e profissional. O objetivo é que os animais cheguem na terminação ou na reprodução mais jovens e com desenvolvimento corporal adequado. 

Desse modo, é imprescindível avaliar as métricas da recria, que são os indicadores produtivos que comprovam a eficiência dos manejos aplicados na fazenda. 

É de conhecimento geral que a alimentação exerce um grande impacto nos resultados da recria. Assim, o pecuarista precisa ficar atento e ajustar muito bem o manejo da pastagem, a suplementação, o manejo de cocho e o fornecimento de água.  Caso contrário, haverá baixo desempenho dos animais e aumento no ciclo produtivo. 

Dessa forma, para realizar a recria em um período de até 12 meses, e abater animais jovens com no máximo 24 meses, é fundamental elaborar um planejamento nutricional e as metas de desempenho para cada período (seca, águas e transições). Afinal,  há variações na disponibilidade e qualidade de forragem ao longo do ano. É importante ainda, medir os resultados para verificar se o planejamento foi bem executado.

Nesse contexto, é importante pesar os animais para obter o peso inicial e final, e acompanhar o ganho de peso total (GPT), ganho médio diário (GMD) e a produção em arrobas. Essas informações são importantes para calcular a taxa de lotação (UA/ha) e a quantidade de @produzidas/ha/ano. Ambas, são indicadores de produtividade importantes na intensificação do sistema, pois, objetiva-se produzir mais, em uma área menor. 

Vale ressaltar que os índices produtivos precisam gerar resultados econômicos, afinal, nem sempre as fazendas com os melhores índices são as mais rentáveis. Porém, aquelas que não conhecem seus resultados produtivos, provavelmente são as menos rentáveis.  Para calcular as métricas da recria de bovinos de corte é fundamental ter informações da quantidade e peso dos animais, área de pastagem utilizada, entre outras. Atualmente, o pecuarista conta com o auxílio da tecnologia para registrar essas informações, podendo utilizar softwares de gestão de fazendas como o iRancho.  Por meio dele, os registros são feitos de forma rápida e fácil.  Além disso, o sistema permite que o pecuarista avalie o resultado da recria com maior segurança para identificar se os índices foram semelhantes, melhores ou piores do que as projeções.

Confira o exemplo:

Como exemplo, temos uma fazenda com animais desmamados aos 7 meses e pesando 6,6@ que foram colocados em recria intensiva durante o período da seca. Os bezerros ganharam 3@ de peso corporal e retornaram <p>aos pastos no período das águas pesando 9,6@. Com pastos de qualidade e uma boa suplementação nas águas, conseguem ganhos de 4,5@. Eles chegam ao final da recria com 14,2@ e aos 18 meses de idade (confira na tabela). 

Esses resultados são totalmente possíveis quando se tem genética, nutrição e manejos bem ajustados. Posteriormente, estes animais irão para a terminação que pode ser realizada a pasto ou confinada. Assim, há uma grande possibilidade de estarem prontos para o abate com 22 a 24 meses, de acordo com as metas de peso ao abate da fazenda. Ou seja, produzindo um animal precoce e em um ciclo curto. Confira na tabela abaixo:

As  informações de desempenho na recria mostram a situação real da produção e são base para definir as metas que se deseja alcançar, com o objetivo de  proporcionar a melhoria econômica da atividade. 

Infelizmente, muitas vezes, os resultados da recria no Brasil são inferiores aos mencionados no exemplo acima. Isso ocorre em virtude da falta de planejamento, baixa adoção de tecnologias, falta de assistência técnica e uma gestão ineficiente.  Por isso, é indiscutível que a profissionalização da pecuária, com utilização de ferramentas modernas de gestão e a adoção de planejamentos são essenciais para garantir bons resultados no processo de recria de bovinos de corte. 

Quer modernizar a gestão da sua fazenda e melhorar os resultados da recria de bovinos de corte? Entre em contato conosco e saiba como o iRancho pode te auxiliar!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Recria intensiva na pecuária de ciclo curto



A recria intensiva é uma estratégia utilizada na época seca do ano, que visa fornecer alimentos de qualidade aos bezerros desmamados, para que continuem a crescer e ganhar peso. 

Os bezerros são confinados em piquetes e recebem no cocho alimento concentrado e um volumoso que pode ser silagem de capim, milho ou sorgo, por um período de 100 a 150 dias. 

Com o fornecimento de uma alimentação de qualidade e em quantidade que atenda as exigências nutricionais dos animais, eles alcançam ganhos de peso de 3 a 3,5@. Dessa forma, os animais conseguem manter seu crescimento durante a seca, que é considerada uma fase crítica para a pecuária. 

Outra vantagem da recria intensiva é o alívio dos pastos na transição seca/águas, momento da rebrota do capim. O pastejo intenso neste período prejudicará o seu crescimento, pois os animais consomem as folhas novas. Assim, com a recria intensiva, reduz-se a carga animal na pastagem para que esta se recupere e possa suportar o pastejo na estação das águas que se inicia.Ao final da recria intensiva os bezerros retornam aos pastos, já na estação das águas, época em que há maior disponibilidade e qualidade de forragem. Agora, com um pasto bom e uma boa suplementação os ganhos continuam, e na próxima estação os animais estarão prontos para a terminação.

Planejamento da recria intensiva

O planejamento é fundamental para o sucesso de toda atividade e precisa ser feito com antecedência. Por isso, recomenda-se que a recria intensiva seja planejada no ano anterior a sua realização, principalmente se o volumoso for produzido na fazenda. No entanto, caso a propriedade compre o volumoso, é importante avaliar os custos de aquisição, transporte e armazenamento. Ao planejar a recria intensiva é preciso projetar os resultados esperados e os custos de alimentação/animal/dia, bem como o custo operacional diário. Para calcular o custo diário total (alimentação + operacional), o custo total (diário x dias de recria intensiva) e o custo da @produzida (total/@produzidas), conforme tabela abaixo.

Tabela. Simulação produtiva e financeira da recria intensiva

O pecuarista pode comparar o planejado com os resultados da suplementação que utiliza atualmente na fazenda e assim, optar pela estratégia que tenha maior viabilidade técnica e financeira. Pensando nisso, o iRancho é uma ferramenta completa que te auxilia no registro das informações da suplementação, resultados de desempenho e na gestão da fazenda.

Portanto, a recria intensiva é uma estratégia eficiente para manter o desempenho na época seca, contribui para reduzir o tempo de permanência dos animais na fazenda e ajuda a obter uma pecuária de ciclo curto. Consequentemente, colabora para a melhoria dos resultados produtivos e financeiros da fazenda, tornando a atividade mais competitiva e lucrativa. 
Quer saber como utilizar o iRancho para simplificar a gestão  e melhorar os resultados da sua fazenda? Entre em contato conosco!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Critérios para escolha da suplementação na recria

O pasto é a base da alimentação de bovinos de corte no Brasil. É dele que os animais retiram a maioria dos nutrientes necessários para sua sobrevivência, produção e reprodução. 

Os animais necessitam de energia, aminoácidos, minerais, vitaminas e água em quantidade suficiente e de qualidade. Essa demanda depende de vários fatores, dentre estes, citam-se a genética (potencial para ganho), gênero (macho ou fêmea), temperatura ambiente e outros. Porém, o capim não consegue atender sozinho a demanda dos animais.  Dessa forma, a suplementação visa fornecer os nutrientes deficientes no pasto, e, é feita de acordo com a disponibilidade e qualidade do capim que há na fazenda.

A equação é simples, confira

Necessidade do animal – Fornecido pelo capim = Déficit a suplementar

Recomenda-se realizar uma análise bromatológica da(s) forrageira(s) utilizada(s) na propriedade rural. Com a análise é possível conhecer a composição do capim, seus teores de matéria seca, proteína, fibras, minerais, entre outros. E, assim, obter dados confiáveis para planejar a suplementação. Além disso, é fundamental ter bem claro os objetivos e as metas almejadas de desempenho animal. 

Um dos grandes desafios da recria é manter o crescimento constante dos animais para realizá-la no menor tempo possível e encurtar o ciclo produtivo. Para isso, o pecuarista precisa planejar a suplementação para a estação seca, águas e períodos de transição (seca-águas e águas-seca). 

No período das águas, as plantas forrageiras possuem todas as condições favoráveis para um bom crescimento. A suplementação neste período corrige a deficiência de nutrientes e potencializa os ganhos, que naturalmente já são melhores em função da disponibilidade e qualidade da forragem. 

Na transição águas-seca o pasto reduz produtividade e a forrageira perde qualidade de forma gradativa, em virtude da redução na temperatura ambiente, luminosidade e quantidade de chuvas.

No período seco do ano há baixa disponibilidade de forragem. O capim apresenta menor valor nutritivo, com teores de proteína bruta (PB) inferiores a 7%, portanto, há uma deficiência de nitrogênio para os microrganismos ruminais. Além disso, os teores de fibra aumentam e a digestibilidade do capim diminui. Consequentemente, isso resulta em baixo desempenho animal. 

Quando a quantidade de massa de forragem reduz drasticamente, não haverá pasto suficiente para alimentar os animais e faltará também energia. Assim, uma boa estratégia de suplementação nesse período de seca visa além de fornecer minerais, adequar os teores de proteína. Para assim, favorecer o crescimento dos microrganismos ruminais, melhorar a produção de proteína microbiana, a digestibilidade do capim e o consumo de forragem. 

E por último, tem-se o período de transição seca-águas, que é marcado por alterações bruscas nos pastos. Logo nas primeiras chuvas, o capim começa a rebrotar e emitir folhas novas, que possuem baixos teores de fibra e alta digestibilidade. 

Assim, em virtude das diferenças na composição e disponibilidade do capim ao longo do ano o pecuarista pode optar por usar um suplemento mineral, mineral aditivado, proteico ou proteico energético. Contudo, é importante consultar um especialista em nutrição animal para fazer a recomendação do suplemento adequado para cada situação.  

Além disso, é necessário avaliar o custo da suplementação. Para isso, o pecuarista precisa conhecer o consumo diário de suplemento pelos animais, o custo operacional diário e o custo por kg do suplemento. Com o iRancho, você consegue registrar os dados de consumo de suplemento dos animais da fazenda e todos os custos com a suplementação, tornando esse controle muito mais fácil e assertivo. 

Quando a suplementação é bem planejada e conduzida, os resultados aparecem. Neste momento, comprova-se que não é caro suplementar. Caro é não ter comida, pois o animal perde peso, permanece muito tempo na fazenda, gera maior custo de produção e menor receita.  

Portanto, na hora de escolher o suplemento, conheça os seus animais, os pastos, tenha uma boa assistência técnica e faça um bom planejamento. Forneça uma suplementação estratégica, que se adeque a necessidade produtiva da fazenda, a fim de alcançar os objetivos e as metas estabelecidas para obter sucesso na recria a pasto.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Os segredos para o sucesso na recria a pasto

A recria compreende a fase da desmama até o momento em que o animal vai para reprodução ou terminação. É a fase mais longa da pecuária de corte, e na maioria das vezes pouco valorizada. 

A estacionalidade da produção forrageira afeta o desempenho animal na recria e ocasiona um período de maior ganho de peso (estação das águas) e outro de menor ganho ou perda de peso (estação seca). 

Por essa razão, o pecuarista precisa ficar atento para evitar o “boi sanfona”, que ganha peso nas águas e perde na seca. Esse animal permanece muito tempo na fazenda, pois demora atingir o peso de abate, aumenta os custos da @ produzida e gera menor receita. 

Por isso, busca-se realizar a recria no menor período possível, com uso de animais precoces, bezerros que foram desmamados com peso adequado e uma boa nutrição.  

Além disso, é preciso projetar qual o ganho de peso total (GPT) e o ganho médio diário (GMD) que se deseja obter na recria. Feito isso, é necessário definir a nutrição e os manejos que permitam alcançar as metas estabelecidas. 

Simulação:

Considere que uma fazenda desmamou os bezerros com 200 kg e realizará uma recria de 12 meses (360 dias). Se o GMD do período total de recria for de 0,330 kg, os animais levarão 90 dias para ganhar 1@ e ao final da recria o ganho será de 4@. 

Caso o GMD seja de 0,580 kg, os animais ganharão 7@ e levarão cerca de 51 dias para ganhar 1@ (Tabela 1). Com isso, serão obtidos animais mais pesados ao final da recria, o que possibilita reduzir o tempo necessário para a terminação e a idade ao abate.

Vale ressaltar que o ganho de peso na seca será inferior ao das águas, por isso, é preciso também projetar o ganho esperado para cada estação. E, lembre-se que o ganho de peso dependerá da genética do animal e da nutrição aplicada. 

GPT = ganho de peso total; GMD = ganho médio diário.
Tabela 1. Simulação de resultados da recria considerando diferentes ganhos de peso durante um período de 12 meses (360 dias).

É importante destacar que o capim é o principal alimento para aos animais na recria a pasto. Por isso, forneça uma forrageira de qualidade. Esta deve possuir alta relação folha/colmo, facilidade de se estabelecer, resistência ou tolerância às pragas e doenças e boa capacidade de recuperação após o corte. Além disso, é preciso ter  um bom valor nutritivo, que se trata de uma característica bastante variável e que depende da idade da planta, época do ano e qualidade do solo. 

Nos sistemas de pastejo o uso de alturas de entrada e saída dos animais para cada capim, permite consumo de forragem com boa relação quantidade X qualidade. Isso porque, com o avanço da idade da planta (maturidade), há aumento na quantidade de colmo e nos teores de fibra e perda de qualidade. Por isso, é importante respeitar o ponto ideal de colheita (entrada) pelo animal. 

Na estação seca do ano o capim tem crescimento reduzido, possui maiores teores de fibra, menor teor de proteína e baixa digestibilidade. Neste sentido, para manejar corretamente o pasto é importante conhecer a capacidade de suporte, ou seja, a quantidade de animais que seus pastos são capazes de suportar. 

A capacidade de suporte é diferente nas estações do ano em virtude da disponibilidade de forragem, pois a produtividade da forrageira irá determinar o número de bovinos que poderão ocupar a área de pastagem. Dessa forma, a capacidade de suporte será menor na seca em comparação às águas, assim, a taxa de lotação também será.  

A taxa de lotação é representada em unidade animal (UA)/ha, quantidade de UA em uma determinada área durante um período de pastejo.

Quando a taxa de lotação é baixa em relação à capacidade de suporte tem-se o subpastejo. Consequentemente, sobra pasto e o capim cresce além da altura ideal de colheita. O pasto fica “passado” e perde qualidade.

O superpastejo ocorre quando a taxa de lotação é alta em relação à capacidade de suporte da pastagem. Neste caso, há mais animais do que a área consegue alimentar, sendo que eles consumirão muitas folhas e o pasto ficará “rapado”. O superpastejo dificulta o crescimento do capim e o restabelecimento da forrageira, levando a uma degradação da área de pastagem.

Deste modo, busca-se o pastejo ótimo, ou seja, quando a taxa de lotação é compatível com a capacidade de suporte. Assim, haverá comida suficiente para alimentar todos os animais e não ocorrerá degradação da pastagem. 

Quer saber a taxa de lotação atual dos seus pastos?

O cálculo é simples:  1 UA equivale a 450kg de peso vivo.  Considere o peso médio dos animais de 360 kg. Então faça a divisão: 360 / 450 = 0,80 UA.  Se a fazenda possui 50 animais será: 50 animais x 0,80 = 40 UA. 

Para saber quantas UA/ha é só dividir a quantidade de UA pela área pastejada (total de ha de pastagem que os animais estão). Portanto, em uma fazenda com 40 UA com área de pastagem de 20 ha, a taxa de lotação atual é de 2,0 UA/ha

Infelizmente a média brasileira é de menos de 1 UA/ha. O que demonstra a baixa eficiência no uso do pasto. Por essa razão, é importante buscar o auxílio de um profissional para calcular a capacidade de suporte dos seus pastos e adotar estratégias para melhorar a taxa de lotação da fazenda.

Como já foi dito, na recria a pasto, o capim é a principal fonte de nutrientes para os bovinos, contudo, não consegue atender toda a demanda nutricional deles. Considerando-se que na estação seca há baixa oferta de forragem e esta é de pior qualidade, a suplementação é fundamental para que os animais não percam peso e/ou consigam manter os ganhos. 

Já na estação das águas, período de maior disponibilidade de forragem, o uso de suplemento corrige deficiências nutricionais e maximiza o ganho de peso. Mas, cabe ao nutricionista responsável indicar o melhor suplemento de acordo com os objetivos e metas de cada fazenda. 

Por fim, para um bom consumo de forragem e suplemento não esqueça da importância da água. É preciso fornecer água limpa, fresca e em quantidade suficiente que atenda a demanda de cada animal. Para isso, faça a limpeza constantemente e use bebedouros que possuam enchimento rápido. 

Os animais ingerem diariamente cerca de 10 a 12% do seu peso corporal em água, e em dias quentes a ingestão aumenta. Portanto, para garantir saúde e bem-estar dos animais é preciso que tenham água em quantidade adequada e de qualidade. A falta de água limita o ganho de peso, com isso o animal reduz o consumo de alimentos e ganha menos. 

Diante do exposto, nota-se que realizar a recria a pasto demanda planejamento constante. Dessa forma, é imprescindível adotar medidas para melhorar a gestão da fazenda. 

Para ter maior controle dos pastos, suplementação e gerenciamento do rebanho você pode contar com o auxílio do iRancho. Nele, você pecuarista armazena informações confiáveis e de fácil acesso para um bom planejamento e condução da recria.

Portanto, os segredos para o sucesso na recria a pasto são os 4Bs: Bom animal, Boa nutrição, Bom manejo e Boa gestão. Mas, é importante ressaltar que não há receita de bolo na pecuária de corte. Cada fazenda precisa ajustar os recursos humanos, naturais, financeiros e produtivos disponíveis, com planejamento e controle adequados para a sua realidade. Por fim, lembre-se de , comprar ou produzir bezerros com boa genética para ganho de peso. Feito isso, trace a estratégia nutricional, execute-a corretamente e faça a gestão da fazenda com o iRancho.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Boas práticas na desmama de bezerros

A desmama é o processo de separação da mãe e cria. Ela ocorre tradicionalmente quando os bezerros estão com 6 a 8 meses de vida. Quando feita de forma abrupta, a separação causa alterações comportamentais que resultam em estresse nos animais. Os bezerros aumentam a vocalização procurando as mães e reduzem o consumo de forragem. Consequentemente, perdem peso e ficam mais susceptíveis a doenças. 

Portanto, para reduzir o impacto negativo no desempenho e bem-estar dos bezerros, é fundamental aplicar boas práticas na desmama, tais como: 

  • Realizar a apartação utilizando piquetes próximos, nos quais os bezerros e as vacas estarão separados apenas por uma cerca, mantendo o contato visual e auditivo;
  • Oferecer água de qualidade e em quantidade adequada; 
  • Ter pastos de qualidade; 
  • Evitar a aplicação de vacinas, castração ou manejos traumáticos logo após a desmama; 
  • Uso de suplementação para melhorar a eficiência de utilização da forragem e o desempenho animal;
  • Evitar o transporte dos bezerros nos primeiros dias após a desmama. Porém, caso seja necessário, faça as viagens de forma menos estressante possível. 

Ao final da desmama é fundamental que o pecuarista avalie alguns índices zootécnicos que indicam o resultado da fase de cria. 

Taxa de desmame

A taxa de desmame (%) é um índice que representa o total de bezerros desmamados em relação às vacas expostas em reprodução. Logo, em uma fazenda que foram desmamados 80 bezerros e 100 vacas foram expostas a reprodução, a taxa de desmame será de 80%. A fertilidade dos reprodutores, a natalidade e a mortalidade de bezerros afetam diretamente a taxa de desmame. 

Além de desmamar muitos bezerros é preciso atentar-se para a qualidade destes. Para isso, recomenda-se pesar os bezerros na desmama para avaliar o resultado nutricional e genético do rebanho. E assim, desmamar um bezerro de qualidade/vaca/ano. 

A habilidade materna tem grande impacto no peso ao desmame. Por isso, busca-se vacas que conseguem desmamar um bezerro com pelo menos 50% do seu peso corporal. 

Neste sentido, o Inttegra (Instituto de Métricas Agropecuárias) criou o índice quilos de bezerro desmamados por vaca exposta a reprodução, que auxilia o pecuarista a visualizar o resultado da fase de cria. Fazendas boas superam os 150 kg de bezerro por vaca. 

Dessa forma, considerando uma fazenda que tenha 100 matrizes expostas a reprodução e que desmamou 80 bezerros com peso médio de 170 kg, obteve-se uma produção de 136 kg de bezerro/vaca. Se ao final da cria os bezerros fossem desmamados mais pesados, com cerca de 220 kg, a produção seria de 176 kg de bezerro/vaca.  Ou seja, melhor resultado produtivo e maior receita na venda dos bezerros. 

O uso do creep feeding  na fase de cria é uma estratégia para obter maior peso dos bezerros a desmama. 

Enfim, a desmama é a transição da fase de cria para a recria. Por isso, e demanda atenção com o bem-estar dos animais, para evitar prejuízos produtivos e econômicos. 

Bezerros pesados ao desmame e com bom ganho de peso pós-desmama, têm potencial para atingir peso de abate mais rápido, e as fêmeas atingirem a puberdade precocemente, antecipando a idade a primeira cobertura. 

Na plataforma do iRancho o pecuarista registra e acompanha os pesos dos bezerros ao nascimento e na desmama, os dados da reprodução, nutrição e os manejos realizados na fazenda. Tais informações são fundamentais para avaliar o resultado da cria, ter uma boa gestão da fazenda e conseguir maior lucratividade. 


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Referência Livro:  Como ganhar dinheiro na pecuária – Os segredos da gestão descomplicada. Autor: Antonio Chaker El-Memari Neto. Inttegra. 343 p. 2018.

Creep feeding: estratégia na criação de bezerros

Creep feeding

O creep feeding é um sistema de alimentação em cocho privativo no qual somente o bezerro tem acesso durante a fase de cria . Visa melhorar o desempenho produtivo, aumentar o peso à desmama e acostumar o bezerro à suplementação no cocho. 

O cocho exclusivo para os bezerros é colocado em um cercado localizado próximo a área de suplementação para as vacas. Ou seja, é prático e permite suplementar o bezerro sem separá-lo da mãe. 

As respostas dos bezerros à suplementação em creep feeding dependem de fatores, como,  a forragem disponível, produção de leite da mãe, genética do bezerro, idade, sexo, tipo de suplemento utilizado e o consumo deste. 

O leite materno fornece a maior parte dos nutrientes necessários para o desenvolvimento do bezerro na sua fase inicial de vida. Contudo, a partir do segundo mês de vida, o leite não consegue suprir totalmente a exigência energética do bezerro. 

Dessa forma, o fornecimento de suplemento alimentar por meio do creep feeding corrige as deficiências nutricionais do leite e da forragem disponível durante o período de cria dos bezerros. Consequentemente, aumenta a taxa de crescimento, o ganho de peso, a eficiência alimentar e resulta em maior peso dos bezerros ao desmame. 

Com isso, o pecuarista obtém crias mais pesadas e lotes uniformes, possibilitando menor tempo de criação até o abate e um giro mais rápido na produção. Contudo, a nutrição pós desmame será decisiva para obter precocidade de abate. 

Animais que tiveram acesso ao sistema de creep feeding, não devem ser colocados em pastos ruins após a desmama, pois apresentarão pior desempenho e perderão peso. O ganho de peso adicional obtido na cria será perdido na recria. 

Lembre-se: a alimentação dos animais nas fases subsequentes precisa ser melhor ou igual a fornecida na fase anterior, nunca pior. Caso contrário, faltarão nutrientes para suprir a exigência de mantença dos animais e manter o ganhar peso. 

Portanto, após o desmame, que ocorre normalmente no início da estação seca em fazendas que realizam estação de monta, os bezerros devem continuar recebendo suplementação ou entrar em uma recria intensiva/confinada. 

Utilizar o creep feeding: sim ou não?

Depende dos objetivos e a realidade de cada fazenda. O pecuarista que objetiva desmamar um bezerro pesado para recriá-lo e reduzir a idade ao abate, precisará planejar a alimentação na recria para garantir a continuidade dos bons resultados. 

Fazendas de cria, que vendem seus bezerros à desmama, conseguem agregar valor ao produto (bezerro). Porém, é fundamental gerenciar o consumo de suplemento, avaliar os custos da suplementação e das instalações do creep feeding. E, estimar antecipadamente se o valor da venda dos bezerros pagará todos os custos. Para isso, utilize o iRancho um sistema de gestão inteligente e intuitivo, fácil de utilizar, que auxilia o pecuarista a controlar e gerenciar tudo que acontece na fase de cria.


Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.