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Planejamento produtivo na pecuária de corte

 

Foto: iRancho

 

 

O planejamento é uma ferramenta permanente e necessária para uma boa gestão da atividade pecuária. 

 

Planejar significa avaliar, preparar e elaborar as melhores estratégias para obter um resultado, sendo fundamental definir os objetivos e metas. Não tem como chegar em algum lugar, se não sei para onde quero ir. 

 

O objetivo é específico de cada fazenda, pode ser aumentar a rentabilidade, melhorar índices produtivos ou reprodutivos. A meta é a quantificação do objetivo, o degrau para alcançá-lo. 

 

As metas precisam ser mensuráveis, alcançáveis e ter prazo. Neste contexto significa: quanto quero melhorar e em quanto tempo. 

 

Para simplificar montamos uma equação do que compõe a meta: 

Meta = objetivo + quantidade + prazo

 

Dessa forma, em uma fazenda de cria com objetivo de aumentar o peso dos bezerros à desmama de 180 kg para 210 kg (quantidade), com desmame aos 210 dias – 7 meses de idade (prazo), a meta será: 

Desmamar bezerros aos 210 dias pesando 1@ a mais.

 

Os objetivos e metas constituem ponto de partida para tomada de decisão e programação das atividades da fazenda em cada fase (cria, recria e terminação).

 

O tempo de duração das fases é um fator importante do ponto de vista produtivo e econômico, interfere no desempenho animal e na rentabilidade do sistema. Afinal, “tempo é dinheiro”. 

 

Em média, a cria tem duração de 6 a 8 meses. Já a recria é uma fase negligenciada e com duração variável no Brasil, devido à baixa disponibilidade e qualidade de forragem, principalmente na época seca do ano. Busca-se uma recria de no máximo 12 meses.

 

A adoção da recria intensiva ou uso de suplementação a pasto na seca e nas águas, podem ajudar a maximizar os ganhos e reduzir o tempo de recria e a idade ao abate.

 

Já a terminação dura o tempo necessário para que o animal alcance o peso projetado para o abate. Pode ser feita a pasto ou confinada, de acordo com a produtividade esperada e o grau de investimento pretendido.

 

Em uma fazenda que realiza ciclo completo e faz estação de monta de 90 dias entre novembro e janeiro, os partos ocorrerão entre agosto a outubro/novembro. A desmama acontecerá de março a maio (7 meses) e o abate entre agosto a outubro (Figura 1). Obtendo assim, um animal com 24 meses de idade. Vale ressaltar que é possível antecipar o abate de acordo com a genética dos animais e a nutrição aplicada. 

 

Posteriormente, o planejamento deverá ser ajustado de acordo com as características e necessidades da cria, recria e terminação. 

 

Figura 1. Planejamento básico da produção de bovinos de corte em ciclo completo.

 

Enfim, ter um bom planejamento é imprescindível para definir as estratégias que proporcionem o melhor retorno econômico. E assim, utilizar os recursos materiais, humanos, naturais e financeiros da melhor forma possível. 

 

Pensando nisso, o iRancho é uma ferramenta completa que te auxilia na gestão da fazenda. Com o sistema iRancho, o pecuarista consegue avaliar a melhor estratégia para uma pecuária mais eficiente.

 

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

A importância da identificação de matrizes

Foto: iRancho

 

O bezerro é a matéria-prima para a recria e terminação de bovinos de corte. Busca-se bezerros de qualidade e em quantidade satisfatória para atender a demanda para produção de carne. Em muitas fazendas, a meta é produzir um bezerro/vaca/ano.  

 

Mas você sabe qual vaca está reproduzindo? Ou qual vaca desmamou um bezerro bom e qual teve um bezerro ruim? Sem a identificação de cada matriz não é possível ter essas informações. 

 

A identificação animal é pré-requisito para a escrituração zootécnica em uma fazenda de gado de corte, facilitando o levantamento de informações reprodutivas e produtivas da fêmea bovina, tais como partos, coberturas, inseminação artificial, número de crias, intervalo de partos entre outras. 

 

Com o registro de cada matriz, o pecuarista pode coletar os dados de nascimentos e pode armazena-los em uma ferramenta de gestão. Dessa forma, é possível saber se cada vaca realmente emprenhou, teve partos, desmamou bezerros, bem como as datas e os resultados.

 

Um índice zootécnico bem relevante na cria é quantos kg de bezerro uma matriz desmama em relação ao seu próprio peso no momento da apartação. O ideal é que cada fêmea consiga desmamar um bezerro com pelo menos 50% do seu peso. Por isso, é preciso saber exatamente qual é o bezerro de cada vaca para realizar o cálculo corretamente. Daí a importância da identificação da mãe e cria. 

 

Portanto, com a identificação de cada matriz, é possível acompanhar os resultados produtivos com maior exatidão.

 

Para isso, a identificação animal deve ser única e definitiva. O ideal é combinar números e/ou letras, sem repetição, de modo que não tenha outro animal com a mesma identificação. 

 

Existem vários métodos para identificar as matrizes, como a marcação a fogo, tatuagem ou brincos. 

 

O uso de brincos é muito comum, pois são bem visíveis e fáceis de aplicar. Apesar da perda de brincos ser uma reclamação recorrente, o risco de perda diminui quando se utiliza brincos de melhor qualidade e a aplicação é feita corretamente (Figura 1).

 

 

 

Figura 1. Local correto e incorreto de aplicação do brinco para identificação animal.
Fonte: Allflex – Adaptado

 

 

 

Não esqueça que é preciso monitorar os animais para avaliar se há algum problema decorrente da aplicação dos brincos e assim corrigir o mais rápido possível. 

 

O manejo de identificação deve ser feito com cuidado, para não causar estresse nos animais. O procedimento é simples, porém, requer equipe treinada para realizar o trabalho de forma adequada, tranquila e com segurança. 

 

Enfim, a identificação de matrizes e demais animais da fazenda é ponto FUNDAMENTAL para uma boa gestão na pecuária de corte.

 

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Engorda de bovinos de corte em 2020

No ano de 2019 a arroba do boi gordo teve forte valorização, impulsionada pela demanda interna e exportação. Os valores da arroba estabilizaram e no início de 2020 observou-se queda. Normalmente o mês de janeiro é menos intenso no mercado interno, comparado ao mês de dezembro.

Neste momento, surgem muitas dúvidas e preocupação com o preço da arroba do boi gordo. Principalmente, devido ao aumento na oferta de boiada pronta para o abate que acontecerá daqui a alguns dias.

Se você está na dúvida em manter os animais no pasto ou vender, a dica é: avaliar com cautela, tomar uma decisão planejada e com base nos custos de produção. Assim, saberá se manter os animais na fazenda, não resultará em prejuízo.

Apesar disso, as expectativas para este ano ainda são positivas. Mas, não fique refém do mercado, o risco de preço não deixará de existir, porém, podemos minimizá-lo.

Confinamento: milho x boi gordo

 

A alimentação exerce um grande impacto técnico e econômico em um confinamento. Por isso, quem vai confinar precisa ficar atento aos preços dos ingredientes da ração, dentre eles o milho, que é um alimento energético muito utilizado na alimentação de bovinos confinados.

O preço do milho interfere no custo da diária do animal no confinamento e consequentemente no custo da @ produzida. Dessa forma, o milho pode ser substituído por outros alimentos, como o sorgo, visando redução de custos. Contudo, recomenda-se que a substituição seja feita por um profissional da área de nutrição, pois, é importante uma boa formulação para obter uma dieta que atenda às exigências nutricionais dos animais. E que, além disso, proporcione ganho de carcaça adequado, resultando em melhor remuneração para o produtor.

Houve valorização do preço do milho, devido a demanda interna aquecida e a demanda para exportação. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) é que os preços do milho no mercado interno continuem firmes e elevados, estima-se um estoque final para a safra 2019/2020 de 9,1 milhões de toneladas, inferior a safra 2018/19 que foi de 11.536,1 milhões de toneladas.

Com isso, a relação de troca milho/boi gordo está em 4,03 sc/@ ou seja, hoje é possível comprar quatro sacas de milho (60kg) com o valor de uma arroba de boi gordo. Considerando a cotação em Goiás do milho a R$44,50 reais/sc e R$ 179,50 reais/@ (Scot Consultoria – 19/01/2020).

Alterações nos preços do milho e da arroba irão modificar a relação de troca e o poder de compra do produtor. A relação de troca é considerada favorável, quanto mais sacas de milho o pecuarista conseguir adquirir com uma arroba de boi gordo. O que se considera um estímulo à adoção do confinamento, embora, o custo do boi magro também seja um fator importante no custo final da arroba produzida.

O ágio do boi que é a diferença de preço da arroba entre boi gordo e boi magro está em 20%. Enfim, o custo de aquisição do milho e do boi magro impacta na rentabilidade do confinamento. Com a alta nos preços de ambos, o confinador precisará planejar e comprar bem para viabilizar a atividade.

 

Em resumo

 

Se o mercado melhorar ou piorar temos que estar preparados, e isso só é possível com bom planejamento e uma gestão eficiente. Por isso, avalie as suas operações de engorda de gado, seja a pasto ou em confinamento. “Ganhar dinheiro” na pecuária não depende somente do preço pago pela arroba do boi. A única garantia do produtor é da porteira para dentro, assim, é preciso fazer conta do custo da arroba produzida na fazenda.

 

BeefStats

 

O Beefstats é uma ferramenta que pode auxiliar o pecuarista na tomada de decisão na fazenda. Ele é conhecido como “A calculadora do pecuarista”, e auxilia o produtor a entender os custos, analisar os riscos e tomar decisões com menos incertezas e embasadas em números.

 

Fontes:
www.scotconsultoria.com.br
https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como calcular o custo de produção?

 

O pecuarista tem inúmeros recursos tecnológicos, de nutrição e genética disponíveis para tornar a pecuária eficiente, mas se não gerir os custos corretamente, pode não progredir. Logo, o custo de produção é parte fundamental da gestão de uma fazenda, e consiste na soma de todos os valores dos recursos utilizados para produzir.

 

Vários motivos levam pecuaristas a temer o custo de produção, seja a falta de informações da propriedade, desconhecimento de como realizar o cálculo e o medo de descobrir que a fazenda não paga as contas e não “dá lucro”. Por isso, é comum escutar “é muito difícil calcular” ou “se eu contabilizar tudo que gasto, deixo de produzir”, porém, são mitos.  O custo de produção, é uma excelente ferramenta para conhecer quanto você gasta, onde o dinheiro está sendo aplicado e assim, permanecer na atividade. 

 

Existem duas metodologias muito utilizadas para calcular o custo de produção, são elas:

 

Custos Fixos e Variáveis

Os custos fixos são aqueles que o produtor não controla e não se alteram com o aumento da produção, como por exemplo, os gastos administrativos e impostos. 

Enquanto, os custos variáveis, aumentam proporcionalmente com a produção, o produtor tem total controle e pode escolher reduzi-los. São exemplos de custos variáveis: ração, sementes, fertilizantes, gastos com a sanidade do rebanho, serviços de máquinas e mão de obra. 

Sabe-se que o aumento na produtividade eleva o custo variável, contudo, resulta em diluição do custo fixo. Por isso, a importância de não focar apenas em reduzir custos variáveis, mas investir em tecnologia e melhorar a produção. 

O somatório dos custos fixos + custos variáveis, resulta no custo total.  

 

Custos Operacionais

Os custos operacionais compreendem o custo operacional efetivo (COE), custo operacional total (COT) e o custo total (CT).

O COE consiste na soma de todos os gastos diretos com a produção pecuária em um ciclo produtivo, tais como: insumos (rações e suplementos minerais, sementes, medicamentos veterinários, defensivos agrícolas, fertilizantes), mão de obra contratada, entre outros. 

O COT é o somatório do COE, mão de obra familiar e a depreciação, esta que consiste na desvalorização de um bem, devido ao seu uso. As construções, máquinas, implementos, animais de reprodução e trabalho, se depreciam. Adicionar a depreciação ao custo de produção, possibilita gerar reservas para substituir um bem, como o trator ou implementos, por exemplo, quando for necessário. 

Por fim, o CT, que engloba o COT e o custo de oportunidade. Entende-se o custo de oportunidade como uma “renúncia”, o valor que você deixa de ganhar por aplicar o dinheiro na pecuária, ao invés de utilizá-lo em outra atividade (arrendamento, milho, soja ou poupança). Por essa razão, o custo de oportunidade é temido por muitos. Vale lembrar que, o segredo do sucesso é se dedicar e fazer o melhor, caso contrário, outras atividades serão sempre mais atrativas economicamente.  

Como resultado da avaliação dos custos tem-se o lucro, calculado pela diferença da renda bruta da fazenda e o CT. Quando o lucro é positivo, significa que a pecuária tem melhor rendimento que a atividade alternativa considerada no custo de oportunidade. O lucro igual a zero é um indicativo que a fazenda está no ponto de equilíbrio, como dizem “empatada”. No entanto, quando o lucro é negativo, há prejuízo econômico, ou seja, o retorno financeiro será maior em outra atividade.

Porém, é preciso desmistificar e perder o medo de calcular o custo de produção. Encontrar um resultado negativo, não significa que terá que deixar a atividade. Essa é uma opção, mas, existem outras, como: aumentar produtividade (@/ha/ano) ou melhorar a gestão da fazenda. 

 

Enfim, independente da metodologia utilizada, o importante é conhecer o seu custo de produção. Com ele você tem informação para planejar, corrigir falhas, evoluir e lucrar. Vale lembrar que com o iRancho você faz o controle financeiro completo da sua fazenda!

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

A importância de fazer estação de monta.

 

A estação de monta (EM) é uma etapa importante da fase de cria. Consiste em expor as fêmeas a reprodução em um determinado período do ano, aumentando a eficiência reprodutiva.

 

No Centro-Oeste a EM é realizada de outubro a março e coincide com a época de maior disponibilidade e qualidade de forragem, fundamental para manter a condição corporal e o restabelecimento da atividade reprodutiva das matrizes.

 

Em média, a EM tem duração de 60 a 90 dias. Quanto menor esse período maiores as chances de produzir um bezerro por vaca por ano. Contudo, vale ressaltar que é muito importante produzir um bezerro de qualidade/vaca/ano.

 

Neste contexto, busca-se maior concepção no início da EM, para que a maioria dos nascimentos ocorram no início da estação de parição (EP). Os bezerros que nascem no início da EP são chamados de bezerros “do cedo”, enquanto os que nascem no final são chamados de bezerro “do tarde”.

 

Bezerros do cedo apresentam melhor desenvolvimento e ganho de peso nas fases subsequentes. Isso acontece porque vacas que emprenham no início da EM, terão o terço médio de gestação ainda nas águas e, portanto, quando há disponibilidade de forragem e nutrientes. Sabe-se que no terço médio da gestação ocorre a formação de fibras musculares secundárias, se neste período ocorrer restrição alimentar o bezerro terá menos fibras ao nascimento. Assim, afetará seu crescimento muscular e ganho de peso ao longo da vida.

 

Além disso, nos primeiros meses de vida o bezerro do cedo já terá acesso a pasto, pois iniciará a estação das águas. Enquanto a vaca terá seu pico de lactação neste mesmo período, garantindo o fornecimento de leite para o bezerro.

 

Em resumo, uma fazenda que faz estação de monta com duração de 90 dias, nos meses de novembro a janeiro, os partos acontecerão entre agosto a outubro/novembro. Para obter bezerros do cedo a maioria das vacas precisam emprenhar em novembro e os nascimentos ocorrerem em agosto e início de setembro. Considerando uma desmama aos 7 meses, tradicional no Brasil, a estação da desmama (ED), ocorrerá entre março a maio (Figura 1).

 

A estação da desmama facilita o manejo com os bezerros e libera mão-de-obra para outras atividades no restante do ano. Ainda auxilia na identificação de fêmeas que desmamam bezerros leves. Uma métrica importante na fase de cria é quantos kg de bezerro uma matriz desmama em relação ao seu próprio peso, no momento da apartação. Preconiza-se que a vaca desmame um bezerro com pelos menos 50% do seu peso corporal. Essa medida pode servir de auxílio na seleção de matrizes.

 

Posteriormente, os bezerros desmamados entrarão juntos na recria e terminação. Não esqueça que genética, nutrição e sanidade precisam estar bem ajustadas.

 

Figura 1 – Elaborado pela autora

 

Dessa forma, com a estação de monta obtém-se lotes uniformes, em períodos estratégicos, contribuindo para o controle e gerenciamento do rebanho. Consequentemente, aumenta o poder de negociação e a competitividade do produtor no mercado.

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Referências: DU, M. TONG, J.; ZHAO, J. et al. Fetal Programming of Skeletal muscle Development in Ruminant Animals. Journal of Animal Science, Published Online. P.34,2009

Valorização da arroba: como aproveitar e ter lucro.

 

 

O mercado da pecuária de corte está aquecido, alta demanda, baixa oferta e a arroba do boi gordo valorizada. Estamos na entressafra, período em que há menos animais prontos para o abate. Somado a isto, temos uma recuperação da demanda doméstica, o dólar em alta estimulando a exportação e ainda a intensa procura chinesa por proteína animal. Com isso, o preço pago na arroba do boi gordo subiu e está acima dos R$200,00 reais na maior parte do país. Alguns falam apenas em aumento (alteração) no preço, outros em um reajuste (revisão ou correção), que demorou, mas chegou. De uma forma ou outra o cenário é positivo para o pecuarista. 

 

O produtor que tem boi pronto para venda está aproveitando a alta da arroba, e aquele que já comprou a reposição está com estoque valorizado. Porém, quem não comprou a reposição terá que procurar bem, planejar, analisar e ser eficiente na compra. Quem tem boi nos pastos ou ainda vai confinar ficará na expectativa de como estarão os preços nos próximos meses. Dessa forma, este é o momento para avaliar a produção, os custos e garantir que o aumento do preço da arroba seja realmente convertido em lucro. 

 

De uma forma ou de outra o cenário é positivo para o pecuarista.

 

Os resultados financeiros costumam ser bons nas fases em que o valor pago ao produtor está em alta. Porém, ganhar dinheiro na fase de alta não significa que a fazenda seja eficiente. O segredo é ganhar ou não perder dinheiro até mesmo quando os preços estão baixos. Para isso, é preciso fazer a lição de casa. Ter uma boa relação entre volume de produção, indicadores técnicos e o custo da arroba produzida. Na produção, avaliar as métricas da fazenda, determinar as metas a serem atingidas para o ganho de peso total (GPT), ganho médio diário (GMD), rendimento de carcaça (RC), rendimento do ganho (RG) e ganho de carcaça (GC). Almejando entregar uma carcaça mais pesada para o frigorífico. 

 

Além disso, definir metas da produtividade (@/ha/ano) e ter volume satisfatório de carcaça para a venda. Porém, até a entrega do produto, as condições de mercado podem se modificar, e o ideal é que o custo da arroba produzida fique abaixo do preço da arroba vendida. Tenha cuidado com a ilusão do custo mínimo, gastar pouco com resultados ruins não é uma boa opção. O interessante é manter uma boa relação custo/benefício. 

 

Em resumo, garantir bons resultados técnicos e alinhados ao custo da arroba produzida, permite aproveitar ao máximo as altas nos preços da arroba e obter lucro. Vale lembrar que o risco de preço existe e o produtor precisa traçar estratégias para se proteger dele. Apesar das várias previsões de mercado, não é possível afirmar até quando o preço da arroba vai aumentar, estabilizar ou na pior das hipóteses retornar aos valores anteriores. O período é de mudanças e o futuro é incerto. 

 

Enquanto isso, tenha um planejamento, aproveite os preços atuais e faça bons negócios.

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como fazer a gestão financeira da fazenda?

Como fazer a gestão financeira da fazenda?

 

O objetivo de toda fazenda é obter lucro, para isso é preciso utilizar todos os recursos disponíveis com eficiência, sejam eles naturais, humanos ou financeiros. 

Nesse contexto, a gestão financeira (avaliação, planejamento e controle) é fundamental para uma produção eficiente, lucrativa, evitar “surpresas” e aumentar a competitividade no mercado

O ciclo financeiro de uma fazenda inicia com a compra dos insumos utilizados na produção e termina com a venda do produto (boi, bezerro, grãos…).  Na pecuária o ciclo leva meses ou anos, ou seja, um longo período de saída de dinheiro (pagamentos), e para não se perder nas contas é preciso uma boa gestão.  

Pensando nisto, preparei sete dicas para ajudar você na gestão financeira da fazenda:

 

  • Fazer o diagnóstico produtivo e financeiro 

O primeiro passo para conseguir controlar as contas da fazenda é saber tudo o que acontece nela.

A atividade pecuária se divide em fases (cria, recria e terminação), cada fase tem uma duração diferente e pode ser feita a pasto ou confinada. São muitas as informações e o tempo gasto, desde emprenhar a vaca até o abate do boi gordo. Conhecer cada etapa, a duração, como é a nutrição, a sanidade e os manejos realizados são fundamentais para entender e planejar todas as entradas e saídas de dinheiro.

É muito importante contabilizar tudo que foi gasto com ração, suplementos, medicamentos, adubos, pagamento de funcionários, combustível, assistência técnica, despesas administrativas, financeiras (bancos, juros), investimentos, entre outros. 

Além disso, saber exatamente quais as receitas, que são as entradas de dinheiro provenientes da venda de bezerros (as), matrizes, sêmen, grãos, boi gordo para abate, arrendamento, entre outros.

Sem informação é difícil tomar decisão. 

 

 

  • Fazer um planejamento financeiro

Elaborar uma perspectiva de gastos, seja anual, semestral, trimestral, de acordo com a sua produção, o que irá gastar na seca com suplementação para o gado, na estação de monta ou no confinamento por exemplo.

Dessa forma, faça projeções, um controle financeiro eficiente exige que a fazenda tenha cenários possíveis entre custos e receitas. Por isso a importância de conhecer todo o seu processo produtivo para assim estimar o valor a ser gasto em cada fase, de forma que os gastos possam ser compatíveis com a receita que será gerada. 

Vale ressaltar que o planejamento é um processo contínuo, é necessário fazer sempre.

 

 

  • Fazer o fluxo de caixa

O fluxo de caixa nada mais é do que o registro de todas as entradas e saídas de dinheiro, é uma excelente ferramenta para conhecer a situação financeira da fazenda. O ideal é registrar as informações diariamente. 

No curto prazo é possível saber se tem capital disponível para manter as atividades e quitar dívidas. A médio e longo prazo o fluxo de caixa ajuda no planejamento. Com base na experiência e nos resultados do passado podemos traçar estratégias para o futuro: reduzir os custos de produção, aumentar a produtividade da fazenda, ou fazer um investimento.  

Com o fluxo de caixa você saberá as movimentações financeiras semanais, mensais, poderá fazer fechamento ao final do ciclo produtivo ou do ano. 

“Da porteira para dentro” você controla. 

 

 

  • Ficar de olho no mercado

Para o planejamento financeiro funcionar é necessário conhecer o preço de tudo que será utilizado na produção e o provável preço de venda. O objetivo é comprar e vender bem. Para isso, é importante acompanhar de perto o preço dos insumos, da arroba do boi gordo, da reposição e as tendências para os próximos meses. Ficar de olho nos preços atuais e futuros. 

Conhecendo o mercado é possível identificar os melhores momentos para comprar, vender e elaborar estratégias nutricionais por exemplo, que permitam ter animais no momento desejado, de acordo com a necessidade do mercado e obter melhores faturamentos. 

“Da porteira para fora” esteja preparado (a). 

 

 

  • Não misturar as contas pessoais com as da fazenda

É preciso muito cuidado para não fazer uso do dinheiro da fazenda para pagamento de contas pessoais e vice-versa.  Assim, é indicado determinar um pró-labore para evitar retiradas de dinheiro sem controle, seja para quitar dívidas pessoais ou fazer compras que não vão gerar receita para a fazenda. 

Mas o que é pró-labore? É o seu pagamento. O valor em dinheiro que será retirado do faturamento da fazenda. O pró-labore deve ser pensado e definido com cautela de acordo com o planejamento financeiro.

 

 

  • Tenha uma boa equipe 

Genética, nutrição, sanidade e manejo são os pilares da produção de bovinos de corte, quando bem ajustados é possível produzir com eficiência e lucratividade. Porém, são pessoas que fazem isso acontecer. 

Os colaboradores que estão na lida diariamente são fundamentais para obter bons resultados técnicos e financeiros.  Falhas nos manejos diários podem gerar despesas não planejadas e/ou receitas menores. 

Por isso, treine sua equipe e tenha colaboradores que estejam alinhados com as metas e objetivos da fazenda. 

 

 

  • Use a tecnologia disponível

Na gestão financeira da fazenda são muitos dados para avaliar e processar. Anotar esses dados manualmente leva tempo, há risco de perder informações ou estas não ficarem organizadas, o que dificulta a tomada de decisão para melhorar a produção e os rendimentos financeiros. 

Portanto, usar um software de gestão é uma solução simples e eficiente. Com ele o cadastro das receitas, despesas e todos os custos de produção é feito em tempo real, imediatamente após a compra ou venda, não há risco de perder informação e não precisa fazer planilhas. 

Com as informações organizadas, você identifica os gargalos e decide a melhor estratégia para se sobressair no mercado que cada dia é mais competitivo. 

 

Tem novidade!

 

O iRancho agora conta com o controle financeiro para a fazenda. Você consegue fazer fluxo de caixa, importar extratos bancários e acessar de onde quiser. 

Lembre-se: Sem medir não é possível gerenciar. 

Conheça o iRancho e gerencie sua fazenda com inteligência. 

 

Escrito por: Fabíola Lino. Zootecnista, mestre em Ciência Animal, doutoranda em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Preço do boi gordo atinge R$184,50 por arroba no mercado futuro

O preço do boi gordo na B3 atingiu um novo recorde na última sexta-feira (1 de novembro).  O valor da arroba no contrato de janeiro de 2020 chegou a R$184,50, o mais alto patamar já visto na história da bolsa de valores do Brasil. 

De acordo com o consultor Gustavo Rezende da Agrifatto, o mercado é influenciado pela expectativa de aumento nas exportações brasileiras, além da maior demanda doméstica neste período de fim de ano e da oferta restrita de animais. 

“A peste suína africana, um problema grave na Ásia, tem acelerado as exportações. Com isso, os preços estão subindo e o mercado está muito comprador. Isso tem gerado competição entre frigoríficos”, afirma. 

Segundo o consultor, o valor do boi gordo no mercado comum já atinge R$ 170 por @, mas há negociação com valores maiores. Ele diz ainda que a China está pagando entre R$ 2 e R$ 3 a mais de premio. 

De acordo com Gustavo, a oferta de animais deve continuar restrita até o começo de 2020, fundamento que continua indicando mais altas para o mercado. 

 

Fonte: Canal Rural

Governo propõe corte de 45% no orçamento da Embrapa para 2020 e pesquisas correm riscos

Estatal afirma que, se verba for diminuída, projetos de agricultura de precisão, biotecnologia e sanidade animal poderão ser afetados.

 

O orçamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das principais fontes de novas tecnologias para o setor agropecuário, poderá sofrer corte de 45% em 2020.

Em 2019, os recursos destinados para a estatal foram de R$ 3,6 bilhões. A proposta do governo federal para o ano que vem é de R$ 1,9 bilhão e está em análise no Congresso Nacional.

O texto já começou a ser discutido na Comissão Mista de Orçamento, que é composta por deputados e senadores. Eles vão dar o primeiro parecer sobre a previsão de gastos do governo federal para 2020.

O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator do orçamento, disse que a previsão de cortes atingiu todas as áreas, mas reconhece que o setor agropecuário tem um papel estratégico no desenvolvimento da economia do país.

“O setor do agro tem todo o apoio necessário para garantir a proteção de um setor que é o que move a nossa economia. O nosso trabalho nos próximos meses vai ser olhar onde tem recurso a mais para poder cortar e remanejar para onde se precisa mais”, explica Neto.

Em outubro, os parlamentares devem apresentar as emendas ao projeto de orçamento. A votação final está prevista para dezembro.

 

Projetos em risco

 

Atualmente, 90% do orçamento da Embrapa é para cobrir gastos com a folha de pagamentos. O restante é para custeio e investimento em pesquisas.

A direção da Embrapa disse em nota que há quatro anos o orçamento vem caindo e por isso, tem feito cortes nas despesas.

Cita também a redução no número de centros de pesquisas e de unidades administrativas, mas reconhece que se o orçamento for aprovado como está, pesquisas em áreas importantes poderão ser afetadas.

A nota diz ainda que alguns projetos correm riscos, como os de agricultura de precisão e automação, biotecnologia, sanidade animal.

A notícia do corte preocupa o ex-presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, que foi exonerado pelo governo em julho deste ano.

“Se não tomar cuidado isso representa o fim de tudo que foi feito pela Embrapa ao longo dos anos. A pesquisa é uma coisa de longo prazo. Uma estatal para a pesquisa agropecuária é fundamental”, afirmou Barbosa.

 

Fonte: Globo Rural

Mercado do Boi Gordo


“Em função da oferta contida de boiadas, as indústrias encontram dificuldade em compor as escalas de abate, fator que tem acirrado a concorrência entre os frigoríficos e impulsionado as cotações.

Os preços acima da referência são cada vez mais comuns, estimulando os reajustes das cotações.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, em Cuiabá-MT e no Sudeste de Mato Grosso, por exemplo, os preços subiram na última quinta-feira (5/9) e a arroba ficou cotada, respectivamente, em R$142,00 e R$140,50, à vista, livre de Funrural. Alta de 1,4% e 1,8% desde o início da semana.

No mais, os estoques enxutos permitiram valorizações no mercado atacadista de carne bovina com osso, e no fechamento do dia 5/9 o boi casado castrado ficou cotado em R$10,30/kg. Alta de 0,9% na comparação dia a dia.”

Fonte: Scot Consultoria