Seja bem vindo ao portal iRancho!

O que preciso saber para elaborar um planejamento nutricional?

A nutrição é um dos grandes pilares da produção animal. Animais bem nutridos conseguem expressar seu potencial genético, crescer, ganhar peso e se reproduzirem. Entretanto, o seu custo impacta significativamente no resultado financeiro da atividade pecuária. Por isso, é fundamental planejar a nutrição dos animais. A falta de planejamento nutricional ou a má elaboração deste, leva a um baixo desempenho animal, e resulta em prejuízo financeiro para o pecuarista.

Assim, veja 5 dicas do que é importante saber para elaborar um planejamento nutricional para o seu rebanho.

1. Objetivos e metas

O primeiro passo para ter um bom planejamento é saber o que queremos alcançar. É preciso definir metas, por exemplo, qual o ganho médio diário (GMD), peso ao abate ou quantidade de arrobas que se deseja obter.  Dessa forma, facilita adotar estratégias nutricionais para alcançar o resultado pretendido.

2. Conhecer os animais

Os animais demandam água (quantidade e qualidade), energia, aminoácidos, minerais e vitaminas. Contudo, a sua exigência nutricional se altera em função da idade, grupo genético, gênero, temperatura, estado fisiológico e nível de produção.

Por isso, é imprescindível conhecer os animais da fazenda para elaborar dietas adequadas a cada categoria, e assim, atender as metas de ganho de peso e/ou reprodução.

Além disso, é preciso realizar a pesagem dos animais. Os dados de peso corporal são importantes no balanceamento de rações, no ajuste do consumo de matéria seca e na definição das metas.

3. Composição, disponibilidade e o custo dos alimentos

Sabe-se que no Brasil é predominante a produção a pasto. Dessa forma, é preciso estar atento a quantidade de forragem disponível e a sua qualidade. Logo, é fundamental medir a capacidade de suporte das áreas de pastagens para definir a taxa de lotação. Bem como, conhecer os teores dos nutrientes presentes no capim, para identificar os que estão deficientes e ser mais assertivo na escolha do suplemento. A composição nutricional do capim e demais alimentos é obtida por meio da análise bromatológica que é realizada em laboratório.

Mas, além do conhecimento da composição nutricional dos alimentos, é importante estar atento às características de cada um e aos seus níveis de inclusão. Assim, na hora de balancear as rações, o profissional precisa analisar qual alimento usar e qual a quantidade a ser incluída.

Neste sentido, conhecer o custo dos alimentos é um ponto relevante na escolha de quais utilizar. Contudo, vale ressaltar que nem sempre o alimento mais barato é o melhor. É preciso analisar a viabilidade técnica e financeira da dieta. 

Portanto, é importante conhecer os alimentos para fornecer aqueles que supram as necessidades dos animais, promovam desempenho satisfatório e tenham um custo adequado, visando maior lucratividade.

4. Conhecer o ambiente

Outro ponto relevante para um bom planejamento nutricional é conhecer a estrutura da fazenda, os cochos, bebedouros, locais para armazenamento dos alimentos, a disponibilidade de água, entre outros.

Estes fatores irão interferir na escolha dos alimentos e no manejo de fornecimento destes. Muitas vezes a dieta foi formulada corretamente contudo, falhas na mistura dos ingredientes e no fornecimento comprometem o resultado.

5. Gestão da fazenda

Com uma boa gestão é fácil conhecer a propriedade, o rebanho e obter todas as informações necessárias para elaborar o planejamento nutricional.

Além disso, na hora de definir as metas é fundamental ter anotações, conhecer os índices zootécnicos e os dados financeiros da fazenda. Neste sentido, software de gestão como o iRancho é um grande aliado do pecuarista. Pois armazena dados em tempo real, ajuda a obter informações de qualidade e na tomada de decisão.

Para elaborar um planejamento nutricional é preciso considerar as condições da fazenda, de mercado, conhecer os animais e os alimentos disponíveis. Mas, lembre-se consulte um profissional capacitado para formular as dietas e fazer o planejamento corretamente.

Com um planejamento nutricional bem estruturado, fornecemos aos animais os nutrientes que atendam às suas demandas, e consequentemente obtém-se melhores resultados técnicos e financeiros.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Intensificação e o aumento da produtividade na pecuária de corte: um caminho sem volta

Intensificar é produzir mais em uma determinada área ou período. E, na pecuária de corte significa, utilizar melhor os recursos disponíveis, maximizar a produção e realizar um ciclo pecuário curto. Com isso, melhorar os resultados financeiros e obter mais lucro/ha/ano.

Na produção de milho ou soja, o agricultor sabe exatamente quantos quilos, toneladas ou sacas foram produzidas por hectare. De forma semelhante, o pecuarista precisa conhecer quanto produziu de carne em cada hectare utilizado na criação dos animais. Neste contexto, analise os seguintes questionamentos:

  • Você conhece os números da sua produção?
  • Sabe qual a taxa de lotação da sua fazenda?
  • Quantas arrobas produziu esse ano?

A produtividade na pecuária de corte precisa ser expressada em números. Por isso, medimos a taxa de lotação (UA/ha) quantidade de carcaça ou arrobas produzidas (kg ou @/ha/ano) e o lucro obtido por hectare ano (R$/ha/ano).

A produção de arrobas é um indicador importante e influenciado pela lotação e pelo ganho de peso dos animais. Entretanto, nos últimos anos teve pouca evolução, passou de 1,6 @/ha/ano em 1990, para 4,3 @/ha/ano em 2019 (ABIEC, 2019). Dados do Inttegra indicam que para uma boa lucratividade o ideal é que esse número seja superior a 7@/ha/ano. Assim, fica evidente que precisamos melhorar os resultados produtivos, para ficar em uma faixa de produção que traga retorno financeiro.

Pensando nisso, como posso intensificar e aumentar a produtividade da fazenda?

Com a adoção de técnicas e estratégias que visam melhorar os processos e manejos em todas as fases, cria, recria ou terminação. Como por exemplo, utilizando animais de genética superior, biotecnologias reprodutivas, estação de monta, suplementação, creep feeding, confinamento, terminação intensiva a pasto (TIP), sistemas integrados como o ILPF (Integração lavoura pecuária floresta), entre outros.

Em virtude da produção pecuária no Brasil ser realizada majoritariamente a pasto, o manejo correto da pastagem tem impacto significativo na produtividade da fazenda. Além disso, é essencial suplementar os animais, principalmente no período seco do ano. E lembre-se, a estratégia nutricional é determinante para conseguir intensificar a produção.

Dessa forma, com uso das diversas tecnologias disponíveis, aumenta-se a produção de bezerros, as taxas de fertilidade, prenhez, desmama e muitos outros índices. Bem como, o ganho médio diário, o peso ao abate, a quantidade e qualidade da carcaça produzida.

Vale ressaltar, que é fundamental ter um bom planejamento, estabelecer metas e fazer simulações dos resultados. A gestão da fazenda é primordial para a organização e controle das etapas da produção e acompanhamento dos indicadores de produtividade.

Neste sentido, o iRancho é uma ferramenta aliada do pecuarista para conduzir a gestão da fazenda. Com ele é possível coletar, armazenar e gerenciar os dados fundamentais para orientar na tomada de decisão. Portanto, não há como pensar em uma pecuária eficiente e lucrativa, sem intensificar a produção e aumentar a produtividade da fazenda.

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como a nutrição das matrizes afeta o seu desempenho reprodutivo?

As fêmeas bovinas necessitam de um eficiente manejo nutricional, caso contrário, seu desempenho reprodutivo ficará prejudicado. É preciso que as matrizes estejam bem nutridas para que possam apresentar cio, emprenhar, manter a gestação e produzir leite para alimentar suas crias. Com isso, é possível desmamar bezerros de qualidade que serão matéria-prima para a produção de carne. 

Durante o ano, os animais passam por mudanças na condição corporal, ganham ou perdem peso em função de diversos fatores, dentre eles, a disponibilidade e qualidade dos alimentos. Logo, as matrizes mantidas exclusivamente a pasto e sem suplementação no período da seca, perdem peso, e isso tem um impacto negativo na reprodução. 

Muitos pecuaristas ficam na expectativa da estação das águas para que as vacas recuperem condição corporal. Contudo, quando se realiza estação de monta, o período disponível para recuperação fica curto. O que contribui para reduzir a taxa de prenhez e aumentar o intervalo de partos. Além disso, caso as vacas consigam emprenhar, porém tardiamente, aumentará a quantidade de bezerros do tarde. Enquanto, o desejado é que emprenhem no início da estação de monta para produzir bezerros do cedo.

As vacas que emprenham no início da estação de monta, passarão o terço médio e final da gestação, na estação seca. Portanto, se estiverem em pasto ruim e sem suplementação, elas terão bezerros de pior qualidade. Isso porque, faltarão nutrientes suficientes para as mães consequentemente para os bezerros, prejudicando a formação das fibras musculares (terço médio) e aumento de peso (terço final), como falado no texto sobre programação fetal. 

Já as fêmeas que estão em lactação precisam de nutrientes para se manter e produzir leite para alimentar suas crias. Afinal, os bezerros  estão em fase de amplo crescimento e desenvolvimento. E, uma má nutrição materna afetará o seu peso ao desmame. 

Em situações de nutrição inadequada para novilhas, que são jovens e estão em crescimento, isso fará com que elas não consigam atingir peso e condição corporal adequados de maneira mais rápida aumentando a idade a primeira cria. Mas, vale ressaltar que para obter fêmeas precoces, além da nutrição, é fundamental buscar animais com potencial genético para precocidade sexual.

Por que nessas situações a reprodução é prejudicada?

Após o consumo e digestão dos alimentos, os nutrientes são absorvidos e distribuídos no organismo de acordo com a necessidade. Nessa distribuição, a reprodução não é prioridade. Isso porque, os nutrientes serão direcionados primeiramente para atender os processos vitais (metabolismo basal), para que a vaca possa se manter viva. Os nutrientes excedentes é que serão direcionados para as atividades, crescimento, restabelecer as reservas corporais e posteriormente, para a reprodução (Figura 1). 

Assim, quando a ingestão de alimento ou a qualidade deste é insuficiente para atender a todas estas demandas, observa-se falhas na reprodução. O estado nutricional da vaca no pós-parto,por exemplo, é determinante para que ela volte a apresentar cio. Dessa forma, é importante conhecer a condição atual das matrizes. Para isso, o pecuarista pode fazer a avaliação do escore de condição corporal (ECC). A ECC é uma avaliação subjetiva, porém, prática e simples que auxilia na identificação do estado nutricional das matrizes e na separação de lotes. Assim, é possível escolher a estratégia nutricional adequada para os animais de acordo com sua condição corporal.

Então, como posso melhorar a nutrição das matrizes?

A base da alimentação das matrizes é o capim, por isso, é preciso avaliar a capacidade de suporte das pastagens e ajustar a taxa de lotação, que na seca será inferior a das águas. Além disso, deve-se fazer um bom manejo das pastagens na estação das águas, pois isso ajudará a ter pasto disponível no período seco.

Contudo, é essencial o uso de suplementos para fornecer os nutrientes que estão deficientes no pasto. Lembrando que, na seca a proteína é o fator limitante para o funcionamento correto do rúmen e a digestão do capim. Porém, consulte um profissional para indicar o suplemento adequado para o seu rebanho. 

É importante destacar ainda que é possível  utilizar estratégias como a recria intensiva ou confinada para as fêmeas manterem crescimento e desenvolvimento corporal durante o período da recria. 

 Por fim, não esqueça de sempre elaborar um planejamento nutricional de acordo com a realidade da sua fazenda, genética dos animais, nível de tecnologia, índices atuais e as metas  estabelecidas. 

Lembre-se, a nutrição das matrizes exerce grande impacto nos resultados reprodutivos e é um dos fatores determinantes para o sucesso da fase de cria. Portanto, fique atento a essa categoria tão importante na fazenda. Afinal,  um bom bezerro, vem de uma boa mãe. 

Agora que você já sabe como a nutrição de matrizes afeta o desempenho do seu rebanho, confira as vantagens do iRancho. Com ele você coleta os dados e os armazena de forma simples e rápida. Assim, consegue gerar informações confiáveis para planejar a nutrição das matrizes e fazer uma gestão eficiente da fazenda.


SHORT, R. E.; ADAMS, D. C. Nutritional and hormonal interrelationships in beef cattle reproduction. Canadian Journal of Animal Science, v. 68, p. 29-39, 1988.

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Peso corporal x Carcaça: por que aumentar o ganho de peso em carcaça?

Nos últimos anos houve aumento no peso corporal dos bovinos ao abate. Mas, o objetivo é que o peso de carcaça dos animais no frigorífico também seja maior,  afinal isso reflete diretamente na receita com a venda do boi gordo. Mas qual a relação do ganho de peso “vivo” e o ganho de peso em carcaça? 

O peso corporal ou peso “vivo” é obtido após a pesagem dos animais, que deve ser feita em balança na fazenda. A partir dele calcula-se o ganho de peso total (GPT), que é a diferença entre o peso inicial e o peso final do animal (GPT = Peso corporal final – Peso corporal final). E, o ganho médio diário (GMD) que é calculado dividindo o GPT pelo total de dias em avaliação, seja na cria, recria ou terminação. 

Os dados de GPT e GMD são importantes para o resultado da fazenda, portanto, eles sempre devem ser avaliados. Contudo, é fundamental conhecer quanto desse ganho de peso foi em carcaça. Isso é possível calculando o GMD em carcaça (kg/dia) e o rendimento do ganho (%), que expressa a porcentagem do ganho de peso que representa o ganho em carcaça.

Para calcular o ganho médio diário em carcaça (kg/dia) é preciso ter o peso da carcaça quente obtido após o abate dos animais no frigorífico bem como o peso da carcaça do boi magro ao iniciar a fase de terminação. Para isso, consideramos um rendimento de carcaça inicial médio de 50%. 

O rendimento de carcaça é a relação entre o peso do animal vivo e o peso da carcaça quente após o abate. Dados recentes da ABIEC mostram que o peso médio de carcaça no Brasil é de 242,27 kg e o rendimento médio de carcaça de animais zebuínos está entre 51,3% a 54,3%. É importante salientar que esses resultados podem ser melhorados quando buscamos maiores ganhos em carcaça. 

Veja como é simples calcular o ganho de peso em carcaça e o rendimento do ganho:

Como exemplo, temos um lote de bovinos com peso médio de carcaça de 313,6 kg. Peso corporal inicial de 425 kg e peso de carcaça inicial de 212,5 kg, com período de terminação em confinamento de 90 dias e GMD de 1,5kg/dia. Assim, os animais tiveram GMD em carcaça de 1,12kg/dia e rendimento do ganho de 74,8%. Quanto maiores esses valores, melhor. Veja a explicação abaixo:

Lembre-se, é fundamental ter dados confiáveis das pesagens dos animais. Por isso, além de agilidade ao coletar o peso é preciso também precisão. Neste sentido, o iRancho é uma ferramenta que pode te auxiliar bastante, pois com ele você consegue coletar e armazenar os dados dos pesos dos animais, inclusive durante a pesagem no curral, de forma prática, simples e rápida.  

Vamos entender como funciona a composição do ganho de peso dos animais.

Durante o crescimento os bovinos aumentam em tamanho e peso corporal, isso ocorre em virtude da deposição de tecidos ósseo, muscular e adiposo. Inicia durante o período de gestação como falado no texto sobre a programação fetal. E, após o nascimento o crescimento muscular é intenso até a puberdade. Posteriormente há uma desaceleração neste crescimento e aumento na deposição de gordura, que se intensifica a partir da maturidade fisiológica do animal. De modo que, a composição corporal dos animais adultos e jovens é diferente, o que interfere no resultado técnico e financeiro da produção de carne.  Por isso, buscamos maximizar o crescimento muscular, abater animais jovens e encurtar o ciclo produtivo.

Na fase de terminação são utilizadas estratégias nutricionais para obter também um bom acabamento da carcaça. Assim, produzir uma carcaça com gordura de cobertura (subcutânea) adequada para a conservação da carcaça na câmara fria no frigorífico e gordura de marmoreio de acordo com o mercado pretendido. 

Porém, existem diferenças na proporção e início da deposição de gordura nos animais em função da genética. Outro ponto importante é que bovinos machos não castrados apresentam maior ganho de peso corporal e deposição de gordura tardia, comparados aos animais castrados e fêmeas.

Todos  os fatores citados anteriormente afetam a composição do ganho de peso. Então, ao pesar os animais na fazenda, o pecuarista tem um resultado de peso corporal que contabiliza ossatura, músculo e gordura. Porém, estarão em proporções diferentes nos animais, de acordo com os fatores mencionados acima. E, ainda está contido no peso corporal do animal, o peso dos componentes não carcaça e do conteúdo do trato digestório, este último se modifica caso os animais estejam em jejum na hora da pesagem.  Como resultado, animais com ganho de peso corporal semelhantes, podem apresentar ganhos de carcaça diferentes. 

Esse entendimento é importante, pois buscamos animais mais pesados ao abate, visando maior peso de carcaça e produção de arrobas/ha. Portanto, é necessário aliar genética e nutrição para intensificar o ganho de peso do que realmente vai remunerar o pecuarista. 

Dentro desse contexto, observa-se casos de animais que passaram por restrição alimentar e quando voltam a ser bem alimentados apresentam crescimento compensatório. Isto é, o ganho de peso no período de realimentação é superior ao de animais que não sofreram restrição. Nestes casos, a composição do ganho é diferente entre os animais.

O crescimento compensatório pode acontecer em todas as fases de vida do animal, porém é bem nítido na terminação e em início de confinamento. Principalmente quando os animais vieram de pasto ruim e sem suplementação. Ao receberem uma dieta de melhor qualidade, eles podem apresentar ganho compensatório na tentativa de recuperar o peso corporal perdido. Contudo, essa recuperação é na sua maioria, de componentes não carcaça. Em especial, órgãos do trato gastrointestinal, que reduzem de tamanho para diminuir a exigência de mantença dos animais e poupar energia. Por isso, é comum em confinamento, ver casos de animais que “ganharam muito peso”, entretanto, a receita com a venda deles não foi satisfatória. 

Diante disso, fica evidente a importância de mensurar o quanto de carcaça estamos produzindo, uma vez que, isso afeta o peso de carcaça no frigorífico e consequentemente, a receita com a venda dos animais. Além disso, aumentar o ganho em carcaça contribui para uma maior produtividade em arrobas/ha/ano, que é um indicador importante e diretamente ligado ao lucro na atividade pecuária.


Referências:

ABIEC – Beef Report 2020


PAULINO, P. V. R.; OLIVEIRA, I. M.; MONNERAT, J. P. I. S.; REIS, S.F. Aspectos fisiológicos sobre o crescimento de bovinos de corte. In: Joanis Tilemahos Zervoudakis; Luciano da Silva Cabral. (Org.). Nutrição e Produção de Bovinos de Corte. 1ed.Cuiabá: FAPEMAT, 2011, v. 1, p. 237-263.

OWENS, F. N.; GILL, D. R.; SECRIST, D. S.; COLEMAN, S. W. Review of some aspects of growth and development of feedlot cattle. Journal of Animal Science, v. 73, n. 10, p. 3.152,1995.

Escrito por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Estratégias para a compra da reposição na pecuária de corte

O animal é a matéria-prima para a produção de carne, sendo assim, é fundamental ter animais de qualidade. No entanto, as fazendas que não realizam a fase de cria dependem totalmente da compra de reposição, ou seja,  precisam adquirir os animais para iniciar um novo ciclo produtivo. E o custo da aquisição destes tem impacto significativo no custo total de produção. Por isso, a compra da reposição é decisiva para o resultado técnico e financeiro da recria e da terminação

Assim, para acertar na escolha da reposição, é preciso responder duas perguntas: 

  • qual animal preciso comprar?
  • quanto posso pagar na reposição?

Neste sentido, é fundamental definir metas, como, abater animais com no máximo 24 meses, 20@ e 55% de rendimento de carcaça. Mas, não é qualquer animal que tem potencial para chegar nesse resultado. Deste modo, comprar apenas pelo preço levará a uma baixa eficiência produtiva. Pois, adquirir animais leves e com baixo desenvolvimento pode aumentar o tempo de permanência deles na fazenda e consequentemente o custo de produção.  Dessa forma, o animal barato, ao final da operação sairá caro. 

Recomenda-se, portanto, comprar animais de maior qualidade genética e sempre fazer os seguintes questionamentos: Esse animal atende aos meus objetivos e metas? Tenho condições de fornecer tudo que este animal precisa na fazenda? Se a resposta for não então, repense a viabilidade da compra de reposição.

Cada fazenda tem uma realidade e isso precisa ser levado em consideração na hora de comprar a reposição. Assim, o ideal é elaborar um planejamento com base nos dados atuais de mercado e/ou analisar os resultados anteriores. Com isso, é possível saber a receita, os custos e lucros médios esperados ou obtidos. Com isso, pode-se definir o ponto de equilíbrio para o valor do gado (R$/animal), ou seja, qual o valor máximo que pode pagar por animal para ainda se manter empatado na atividade. Além disso, é possível calcular o ágio do bezerro ou do boi magro. 

Para tomar uma decisão mais assertiva e  saber se sua operação de engorda terá retorno antes de comprar o gado, utilize uma ferramenta como o Beefstats. Com ele você calcula o ponto de equilíbrio do valor do gado e o ágio da arroba do boi magro.  Assim, você identifica qual o melhor valor para pagar nos animais e evita prejuízos para o seu negócio.

Outra análise que pode ser feita é da relação de troca boi gordo e bezerros.  Considere o preço da arroba do boi gordo e do bezerro de R$ 180,00 reais e R$ 291,66 reais respectivamente (dados referentes ao Estado de Goiás, de acordo com  a Scot Consultoria). O pecuarista que abater animais com 18@ conseguirá comprar o equivalente a 1,85 bezerros com a venda do boi gordo. Enquanto, ao abater animais com 20@ seu poder de compra passa para 2,01 bezerros. Dessa forma, potencializar os ganhos e aumentar a produtividade em arrobas produzidas contribui para diluir o custo da reposição e para gerar mais receita.  

Vale lembrar que é preciso ter cautela e evitar comparar a arroba de bezerros de genética superior com a arroba paga no mercado nacional. Afinal, quem vende boi europa ou está em um mercado de carne específico recebe um valor diferente pela arroba do boi gordo. E com certeza o preço pago pela reposição também será diferente. Assim, faça as contas de acordo com a sua realidade de produção.

Por fim, lembre-se de que na hora de comprar a reposição é importante aliar preço e qualidade.  Além disso, recomenda-se o uso de ferramentas de comercialização e gestão de fazendas para ter informações confiáveis e orientar na tomada de decisão. O iRancho, por exemplo, é uma opção bastante interessante, já que ajuda a armazenar informações de forma adequada e a tomar decisões confiáveis no momento da compra de reposição.
Viu como o planejamento da compra de reposição é importante para garantir melhores resultados para o seu negócio pecuário? Agora leia o artigo “Gestão de compras de insumos: comprar bem para vender melhor” e confira nossas dicas para evitar prejuízos na hora de comprar e armazenar insumos para a sua fazenda.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Gestão de compras de insumos: comprar bem para vender melhor

A intensificação na pecuária de corte resultou em ciclos produtivos mais curtos e maior produtividade por área. Mas para se manter competitivo no mercado é preciso estar atento a todas as etapas da produção, desde a compra dos insumos até a venda do boi gordo ao final da operação. 

Neste sentido, elaborar estratégias de compras contribui para garantir a disponibilidade dos insumos necessários e melhores condições de preços e prazos. Isso porque, a gestão inadequada dos insumos  pode ocasionar perdas, estoque irregular e comprometimento do desempenho animal, o que acarreta prejuízos financeiros. 

Portanto, a gestão de compras de insumos é um dos principais passos para melhorar os resultados da sua fazenda. Pensando nisso, separamos  3 dicas para te ajudar a fazer uma boa gestão de compras de insumos para a produção de bovinos de corte. 

1- Planejamento de compras de insumos

O planejamento é fundamental para realizar uma boa compra de insumos. Afinal, não pode faltar no estoque produtos básicos como medicamentos e alimentos. É importante ainda, garantir que todos os demais insumos necessários para a produção sejam adquiridos em tempo hábil e nas quantidades demandadas. Dessa forma, o primeiro passo é conhecer quais insumos são necessários e qual a quantidade. 

A programação de compras deve ser feita de acordo com as atividades que serão realizadas (cria, recria ou terminação) e a época do ano. Além de levar em consideração a estratégia nutricional utilizada, é fundamental fornecer alimentos de qualidade e em quantidade que atenda a exigência nutricional dos animais, visando maior ganho de carcaça e consequentemente maior retorno financeiro. Por essa razão, a alimentação exerce grande impacto no resultado financeiro da atividade pecuária.

O milho e o farelo de soja são alimentos muito utilizados em dietas para animais em confinamento. Seus preços são influenciados por fatores sanitários, climáticos, políticos, produção mundial, entre outros. Porém, no período de safra devido à maior disponibilidade dos grãos, os preços tendem a ser mais atrativos. Por isso, ficar  atento ao mercado permite fazer negociações nos melhores momentos. 

Além disso, o confinador tem a opção de usar alimentos alternativos como coprodutos da indústria, como estratégia para reduzir os custos. No entanto, a substituição de ingredientes deve ser feita com cautela para evitar queda no desempenho animal. Portanto, é importante ter auxílio de um profissional para ajudar o pecuarista no planejamento do confinamento e no balanceamento das dietas. 

Não existem regras ou receita de bolo para fazer a compra de insumos. O que podemos afirmar é que o planejamento e a compra com antecedência levam a melhores resultados. Comprar em cima da hora aumenta os riscos de não encontrar o insumo desejado ou pagar mais pelo produto.

2 – Escolha do fornecedor e qualidade dos insumos

Na hora de adquirir os insumos é importante conhecer os fornecedores, analisar se a empresa é idônea, a qualidade do atendimento e como é o acompanhamento da compra. A localização do fornecedor é outro fator que deve ser levado em consideração, pois o valor do frete para transporte dos insumos impacta significativamente no custo deles.  

Além disso, fique atento a qualidade do produto a ser adquirido, porque comprar bem não é sinônimo de pagar menos. Nesse aspecto, estabeleça critérios de qualidade para cada insumo, caracterizando como este deve ser.  Ao comprar milho grão, por exemplo, determine qual é o teor de umidade aceitável, ausência de micotoxinas, entre outros aspectos. 

Ao adquirir suplementos e núcleos, escolha aqueles que possuam níveis de garantia e composição descritos corretamente nos rótulos. Deve-se verificar ainda se esses produtos são produzidos por estabelecimentos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)

3– Gerenciamento de estoque

 Na pecuária de corte utiliza-se medicamentos, alimentos, fertilizantes, defensivos e outros insumos que demandam cuidados no armazenamento. Todos esses produtos possuem prazo de validade e têm suas características alteradas e menor eficiência, quando expostos a temperaturas elevadas, umidade e pragas, por exemplo.

Por isso, para evitar desperdícios e acúmulo de insumos, sugere-se usar primeiramente os produtos com data de vencimento mais próxima.     Entretanto, a organização e o controle do estoque são fundamentais para que o consumo seja feito corretamente.

A estocagem incorreta resulta em perdas de produtos e prejuízos financeiros para o pecuarista. Dessa forma, recomenda-se que as compras de insumos sejam organizadas de acordo com a capacidade de armazenamento da fazenda e com a logística de utilização.

Para um bom gerenciamento do estoque é importante que o pecuarista registre a quantidade disponível de cada produto, quais são eles, as datas de chegada, prazos de validade, média de consumo e a quantidade utilizada. Neste sentido, nosso software de gestão é um grande aliado na coleta e organização dos dados. O iRancho auxilia o pecuarista no registro e movimentação de insumos nos estoques, de forma fácil, rápida e simples. O iRancho é um sistema 100% integrado, isso quer dizer que os produtos são reduzidos automaticamente no estoque na medida em que são consumidos. Permitindo que o estoque da fazenda fique sempre atualizado.

Resumindo, se você quer comprar bem para vender melhor, deverá aplicar as seguintes estratégias:

  • Estruturar um bom planejamento de compras 
  • Escolher bem os fornecedores 
  • Avaliar a qualidade dos produtos e não somente o preço
  • Gerenciar corretamente o estoque

 Afinal, com a correta gestão de compras é possível comprar bem, ou seja, adquirir um insumo de qualidade, na quantidade demandada e a um custo adequado para o seu negócio. Visto que, o objetivo é produzir uma arroba barata, porém, com eficiência técnica e financeira. Agora que você já sabe os benefícios do planejamento da compra de insumos para o seu negócio, que tal modernizar a gestão da pecuária com um sistema fácil, moderno e completo? Entre em contato conosco e solicite sua avaliação gratuita para conhecer o iRancho!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Você conhece o “confinamento a pasto”?

A estacionalidade de produção de forragem afeta negativamente o desempenho dos animais e dificulta a terminação de bovinos a pasto. Por isso, o pecuarista precisa encontrar uma estratégia eficiente que forneça condições para que os animais construam carcaça de forma adequada e tenha um resultado financeiro positivo. 

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), dos 44,23 milhões de animais abatidos no Brasil, apenas 5,58 milhões são provenientes de terminação em confinamento, o que representa 12,6% do abate total de bovinos. Portanto, a maior parte dos animais abatidos no país vêm de produção a pasto. 

Pensando nisso, é fundamental otimizar o uso de forragem e maximizar os ganhos, principalmente no período seco ano, no qual há baixa disponibilidade e qualidade de forragem. Dessa forma, uma alternativa para o pecuarista é a terminação no chamado “confinamento a pasto”, que é uma estratégia de terminação intensiva a pasto (TIP). 

No “confinamento a pasto”, os animais são mantidos no pasto e são suplementados na proporção de 1,8% a 2% do peso corporal. Os nutrientes que faltam no capim são fornecidos via concentrado. Assim, os animais recebem minerais, vitaminas, energia e proteínas  em quantidade suficiente  para atender suas exigências nutricionais.

Os pastos precisam ser bem manejados, pois a taxa de lotação deve ser definida de acordo com a quantidade de forragem disponível, ou seja, é preciso conhecer a capacidade de suporte da área. Além disso, embora o consumo seja baixo, o pasto é fonte de fibra, sendo essencial para manter o correto funcionamento do rúmen.

Veja algumas dicas para a condução adequada do confinamento a pasto:

  • Planejar as ações corretamente;
  • Fazer período de adaptação (14 a 21 dias);
  • Fornecer o concentrado sempre no mesmo horário;
  • Definir o espaçamento de cocho de forma adequada (40 cm por animal);
  • Ter disponibilidade de forragem;
  • Calcular a taxa de lotação de acordo com a capacidade de suporte da área; 
  • Formar lotes homogêneos para evitar competição e consumo inadequado de concentrado;
  • Disponibilizar água de qualidade e em quantidade suficiente para os animais. Para isso, é importante ter bebedouros de enchimento rápido;
  • Contar com uma equipe capacitada e motivada para conduzir as atividades. 

A estratégia de “confinamento a pasto” proporciona eficiência produtiva, aumento na taxa de lotação e na produção de @/ha/ano. Entretanto, é preciso planejar a operação, definir as metas de desempenho e os custos. Portanto, o ponto-chave para o sucesso na terminação é o planejamento. Assim, conhecendo o custo da arroba produzida e vendida (tabela), o pecuarista saberá a sua margem de lucro de acordo com o preço da arroba previsto para a data da venda. 

Com o iRancho, você acompanha e registra os dados de peso dos animais, consumo de concentrado e todos os custos com a nutrição. Dessa forma, você consegue planejar com segurança, de forma simples e rápida a terminação dos seus animais. 

Quer ver como a terminação de bovinos feita no “confinamento a pasto” funciona? Confira a simulação!

Agora que você já sabe como implementar a estratégia de “confinamento a pasto”, simplifique a gestão da sua fazenda e garanta melhores resultados. Entre em contato conosco e solicite um teste gratuito do iRancho!


Referência:  www.abiec.com.br

Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Como planejar a terminação de bovinos de corte?

A terminação é a última fase de produção na pecuária de bovinos de corte, na qual o animal atinge o peso adequado para o abate e deposita gordura na carcaça. É uma fase decisiva, pois a receita com a venda dos animais deverá pagar os custos de produção. Por isso, para alcançar boa rentabilidade é fundamental aumentar o ganho de carcaça e a produção de arrobas/ha/ano.

Diante do cenário de incertezas no mercado pecuário, o planejamento é o ponto- chave do sucesso na terminação de bovinos de corte. Assim, é indispensável definir as metas de desempenho e planejar os custos. 

Atualmente, a terminação intensiva a pasto (TIP) e o confinamento tradicional são estratégias que apresentam excelentes resultados. Em ambas, será necessário realizar um planejamento nutricional com o auxílio de um bom profissional. Para assim, formular uma dieta balanceada, que atenda as exigências nutricionais dos animais e que proporcione melhores resultados produtivos e financeiros para o pecuarista.

Além disso, o pecuarista que irá adquirir animais para terminar, precisará ser eficiente na compra. Devendo escolher aqueles que possuem estrutura corporal adequada e com potencial genético para ganho de peso e qualidade de carcaça. Bem como, calcular o ágio da arroba de entrada e avaliar quanto pode pagar no animal sem ter prejuízo. 

Os custos com a compra do animal e a nutrição exercem grande impacto no resultado financeiro da terminação. Por isso, tenha cuidado ao buscar animais e ingredientes de baixo custo, porque às vezes “o barato sai caro”. É preciso aliar preço e qualidade, bem como conhecer todas as possibilidades de resultados, seja na terminação a pasto ou confinada. Neste contexto, o Beefstats auxilia o pecuarista a avaliar se suas operações de engorda resultarão em lucro ou prejuízo. Ele consegue verificar essa viabilidade antes da compra do gado e dos insumos, o que o auxilia para tomar a melhor decisão.

Confira as simulações:

Veja a seguir três simulações para uma terminação realizada em confinamento. Considerando as seguintes métricas de recria de bovinos de corte: os animais iniciarão com peso médio de 425 kg, 14,2@ e ficarão confinados por um período de 90 dias, com um ganho de peso médio diário de 1,5 kg. 

Na Simulação A, os animais serão abatidos com 20,53@ e 55% de rendimento de carcaça, com um custo de R$ 124,33 reais/@produzida e R$ 184,70 reais/@vendida. Observe na Simulação B que, caso haja uma redução de R$ 0,80 centavos no custo da produção diária (R$ 8,80 vs R$ 8,00 reais/cabeça/dia), o custo da arroba produzida será de R$113,03 reais enquanto cada arroba vendida custará R$ 181,19 reais. Assim, reduzir o valor da diária dos animais impacta diretamente nos custos de produção e na lucratividade da fazenda. 

Na Simulação C, os custos foram mantidos, porém aumentou-se o ganho de carcaça (1,061 vs 1,123 kg/dia), a quantidade de arrobas produzidas (6,37 vs 6,74@) e vendidas (20,53 vs 20,91@). Cada arroba produzida custou R$ 117,51 reais e a arroba vendida R$ 181,34 reais. Além disso, houve redução nos valores de eficiência biológica (153,16 vs 144,74 kg de MS/@produzida). A eficiência biológica é uma medida de conversão em carcaça, na qual avalia-se quantos kg de matéria seca (MS) o animal consome para ganhar uma arroba. 

Dessa forma, observa-se que o aumento no ganho de carcaça e na produção de arrobas, resultou em maior quantidade de arrobas vendidas. Isso possibilitará aumento na produtividade (@/ha/ano) e na receita com a venda dos animais ao abate. Para entender melhor confira a tabela:

Resumo da simulação para terminação em confinamento utilizando o software Beefstats.

Após analisar as simulações, o pecuarista pode optar pela estratégia de terminação de bovinos de corte que proporcione melhor margem de lucro ou ao menos mantenha a fazenda no ponto de equilíbrio. Além disso, terá informações completas para fazer negociações futuras, caso queira se proteger do risco de preço. Contudo, é preciso entender que o maior risco é não saber, não ter informações completas e não planejar suas ações. Por isso, o BeefStats é uma ferramenta essencial para análise pecuária. Por meio dele, o pecuarista entende os custos, projeta resultados e avalia os riscos da operação de engorda antes mesmo dela acontecer. Quer calcular com facilidade o resultado do seu negócio pecuário? Conheça o BeefStats e utilize a ferramenta gratuitamente até o dia 31 de maio de 2020.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Métricas importantes na recria de bovinos de corte

A recria é uma fase determinante para realizar uma pecuária eficiente. Mas, o grande desafio é conduzi-la no menor tempo possível. Para isso, é preciso intensificar a produção e otimizar os resultados em busca de uma recria mais produtiva, rentável e profissional. O objetivo é que os animais cheguem na terminação ou na reprodução mais jovens e com desenvolvimento corporal adequado. 

Desse modo, é imprescindível avaliar as métricas da recria, que são os indicadores produtivos que comprovam a eficiência dos manejos aplicados na fazenda. 

É de conhecimento geral que a alimentação exerce um grande impacto nos resultados da recria. Assim, o pecuarista precisa ficar atento e ajustar muito bem o manejo da pastagem, a suplementação, o manejo de cocho e o fornecimento de água.  Caso contrário, haverá baixo desempenho dos animais e aumento no ciclo produtivo. 

Dessa forma, para realizar a recria em um período de até 12 meses, e abater animais jovens com no máximo 24 meses, é fundamental elaborar um planejamento nutricional e as metas de desempenho para cada período (seca, águas e transições). Afinal,  há variações na disponibilidade e qualidade de forragem ao longo do ano. É importante ainda, medir os resultados para verificar se o planejamento foi bem executado.

Nesse contexto, é importante pesar os animais para obter o peso inicial e final, e acompanhar o ganho de peso total (GPT), ganho médio diário (GMD) e a produção em arrobas. Essas informações são importantes para calcular a taxa de lotação (UA/ha) e a quantidade de @produzidas/ha/ano. Ambas, são indicadores de produtividade importantes na intensificação do sistema, pois, objetiva-se produzir mais, em uma área menor. 

Vale ressaltar que os índices produtivos precisam gerar resultados econômicos, afinal, nem sempre as fazendas com os melhores índices são as mais rentáveis. Porém, aquelas que não conhecem seus resultados produtivos, provavelmente são as menos rentáveis.  Para calcular as métricas da recria de bovinos de corte é fundamental ter informações da quantidade e peso dos animais, área de pastagem utilizada, entre outras. Atualmente, o pecuarista conta com o auxílio da tecnologia para registrar essas informações, podendo utilizar softwares de gestão de fazendas como o iRancho.  Por meio dele, os registros são feitos de forma rápida e fácil.  Além disso, o sistema permite que o pecuarista avalie o resultado da recria com maior segurança para identificar se os índices foram semelhantes, melhores ou piores do que as projeções.

Confira o exemplo:

Como exemplo, temos uma fazenda com animais desmamados aos 7 meses e pesando 6,6@ que foram colocados em recria intensiva durante o período da seca. Os bezerros ganharam 3@ de peso corporal e retornaram <p>aos pastos no período das águas pesando 9,6@. Com pastos de qualidade e uma boa suplementação nas águas, conseguem ganhos de 4,5@. Eles chegam ao final da recria com 14,2@ e aos 18 meses de idade (confira na tabela). 

Esses resultados são totalmente possíveis quando se tem genética, nutrição e manejos bem ajustados. Posteriormente, estes animais irão para a terminação que pode ser realizada a pasto ou confinada. Assim, há uma grande possibilidade de estarem prontos para o abate com 22 a 24 meses, de acordo com as metas de peso ao abate da fazenda. Ou seja, produzindo um animal precoce e em um ciclo curto. Confira na tabela abaixo:

As  informações de desempenho na recria mostram a situação real da produção e são base para definir as metas que se deseja alcançar, com o objetivo de  proporcionar a melhoria econômica da atividade. 

Infelizmente, muitas vezes, os resultados da recria no Brasil são inferiores aos mencionados no exemplo acima. Isso ocorre em virtude da falta de planejamento, baixa adoção de tecnologias, falta de assistência técnica e uma gestão ineficiente.  Por isso, é indiscutível que a profissionalização da pecuária, com utilização de ferramentas modernas de gestão e a adoção de planejamentos são essenciais para garantir bons resultados no processo de recria de bovinos de corte. 

Quer modernizar a gestão da sua fazenda e melhorar os resultados da recria de bovinos de corte? Entre em contato conosco e saiba como o iRancho pode te auxiliar!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

Recria intensiva na pecuária de ciclo curto



A recria intensiva é uma estratégia utilizada na época seca do ano, que visa fornecer alimentos de qualidade aos bezerros desmamados, para que continuem a crescer e ganhar peso. 

Os bezerros são confinados em piquetes e recebem no cocho alimento concentrado e um volumoso que pode ser silagem de capim, milho ou sorgo, por um período de 100 a 150 dias. 

Com o fornecimento de uma alimentação de qualidade e em quantidade que atenda as exigências nutricionais dos animais, eles alcançam ganhos de peso de 3 a 3,5@. Dessa forma, os animais conseguem manter seu crescimento durante a seca, que é considerada uma fase crítica para a pecuária. 

Outra vantagem da recria intensiva é o alívio dos pastos na transição seca/águas, momento da rebrota do capim. O pastejo intenso neste período prejudicará o seu crescimento, pois os animais consomem as folhas novas. Assim, com a recria intensiva, reduz-se a carga animal na pastagem para que esta se recupere e possa suportar o pastejo na estação das águas que se inicia.Ao final da recria intensiva os bezerros retornam aos pastos, já na estação das águas, época em que há maior disponibilidade e qualidade de forragem. Agora, com um pasto bom e uma boa suplementação os ganhos continuam, e na próxima estação os animais estarão prontos para a terminação.

Planejamento da recria intensiva

O planejamento é fundamental para o sucesso de toda atividade e precisa ser feito com antecedência. Por isso, recomenda-se que a recria intensiva seja planejada no ano anterior a sua realização, principalmente se o volumoso for produzido na fazenda. No entanto, caso a propriedade compre o volumoso, é importante avaliar os custos de aquisição, transporte e armazenamento. Ao planejar a recria intensiva é preciso projetar os resultados esperados e os custos de alimentação/animal/dia, bem como o custo operacional diário. Para calcular o custo diário total (alimentação + operacional), o custo total (diário x dias de recria intensiva) e o custo da @produzida (total/@produzidas), conforme tabela abaixo.

Tabela. Simulação produtiva e financeira da recria intensiva

O pecuarista pode comparar o planejado com os resultados da suplementação que utiliza atualmente na fazenda e assim, optar pela estratégia que tenha maior viabilidade técnica e financeira. Pensando nisso, o iRancho é uma ferramenta completa que te auxilia no registro das informações da suplementação, resultados de desempenho e na gestão da fazenda.

Portanto, a recria intensiva é uma estratégia eficiente para manter o desempenho na época seca, contribui para reduzir o tempo de permanência dos animais na fazenda e ajuda a obter uma pecuária de ciclo curto. Consequentemente, colabora para a melhoria dos resultados produtivos e financeiros da fazenda, tornando a atividade mais competitiva e lucrativa. 
Quer saber como utilizar o iRancho para simplificar a gestão  e melhorar os resultados da sua fazenda? Entre em contato conosco!


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.