A desmama de bezerros ideal ocorre entre os 6 e 8 meses, quando o animal atinge entre 180kg e 210kg. Para evitar a perda de peso, as estratégias principais incluem o uso de creep feeding para adaptação ruminal, evitar mudanças bruscas, manejo racional sem gritos e a garantia de bem-estar animal com sombra e água limpa.
Neste conteúdo, você vai entender:
- Quando é o momento ideal para realizar a desmama
- A importância do manejo nutricional e sanitário dos bezerros
- Estratégias para tornar a desmama menos estressante
- Como o manejo correto impacta o desempenho dos animais
- Os efeitos do estresse na produtividade da fazenda
Desmama de bezerros: momento desafiador na pecuária
A desmama de bezerros é, sem dúvida, um dos momentos de maior tensão dentro da porteira. Se você é pecuarista, sabe que esse manejo não consiste apenas em “separar o bezerro da vaca”; trata-se de uma transição que influencia diretamente o desempenho do rebanho e pode impactar a produtividade da fazenda.
Qual a idade ideal para a desmama de bezerros?
Não existe uma regra de ouro que sirva para todas as fazendas, mas o padrão de mercado costuma ficar entre 6 e 8 meses de idade. Nessa fase, o bezerro geralmente pesa entre 180 e 210 kg e já possui um sistema digestivo capaz de processar forragem e suplementos de forma eficiente. Também existe a possibilidade de desmame precoce, por volta de 3 a 4 meses, além de outras estratégias de desmama que podem ser adotadas conforme a propriedade.
Além disso, a desmama correta também é estratégica para a matriz. Ao interromper a produção de leite, a vaca consegue recuperar seu escore corporal mais rapidamente. Esse descanso é o que permite que ela manifeste o cio e mantenha um bom índice de fertilidade para o próximo ciclo. Quando o desmame demora demais, a reprodução da fazenda pode acabar sendo prejudicada.
O planejamento começa antes do nascimento
Engana-se quem pensa que o cuidado na desmama começa no dia da apartação. Na verdade, o sucesso desse manejo é plantado lá atrás, com cuidados relacionados às vacas. Um deles é manter o calendário de vacinação das vacas sempre em dia, já que a imunidade desenvolvida pelas matrizes é transferida para os bezerros por meio do colostro. Outro ponto essencial é garantir que o recém-nascido consuma um colostro de boa qualidade e em quantidade suficiente nas primeiras 24 horas de vida. Esse manejo inicial é decisivo para fortalecer o sistema imunológico do animal e prepará-lo melhor para enfrentar o momento da desmama.
Manejo nutricional: O papel do Creep Feeding na desmama
A partir do terceiro mês de vida, o leite da vaca já não é suficiente para sustentar o crescimento acelerado do bezerro. Nesse momento, a suplementação passa a ter um papel fundamental no desenvolvimento do animal. Uma estratégia bastante utilizada é o creep feeding, que consiste em oferecer uma ração rica em energia em um cocho exclusivo para os bezerros, ao qual as vacas não têm acesso. Além de complementar a nutrição, essa prática estimula o desenvolvimento do rúmen e contribui para uma adaptação alimentar mais precoce. Quando chega a desmama, o bezerro já consome ração no cocho, o que ajuda a diminuir o estresse da separação da vaca.
Como reduzir o estresse na hora da separação?
O estresse é um dos maiores inimigos do ganho de peso na fase de desmama. Pesquisas em etologia animal (UNESP/Grupo ETCO) indicam que o estresse no desmame causa uma perda de peso vivo que pode chegar a 5% nos primeiros dias de separação. Para minimizá-la, além de optar por uma apartação gradual, é fundamental garantir boas condições para os animais, como sombra, água fresca e um ambiente tranquilo.
Também é importante evitar mudanças bruscas na rotina nesse período. Evite transporte, marcação ou vacinação durante a desmama, pois essas práticas aumentam o estresse dos animais.
Desmame feito… e agora?
Após a desmama, o manejo exige atenção redobrada nos primeiros dias de separação, principalmente quando o transporte dos animais for necessário.
Se o seu plano envolve comercializar ou levar esses animais para outra propriedade logo após a separação, entenda que o cuidado precisa ser dobrado. Dessa forma, o embarque deve ser guiado estritamente pelo manejo racional, deixando de lado gritos, ou qualquer agitação desnecessária; o uso da bandeira e o respeito ao tempo do animal são ferramentas que salvam arrobas. Além disso, a logística é um fator decisivo, pois quanto menor o trajeto, menor será o desgaste físico desse bezerro que já está sensível. Portanto, ao chegar no destino garanta que o lote tenha acesso imediato a água limpa e comida de qualidade. Afinal, oferecer um ambiente de descanso rápido é a melhor estratégia para que o animal se acalme e não sinta o impacto da viagem na balança.
O custo invisível do estresse na desmama
Uma desmama mal conduzida rompe bruscamente o vínculo entre vaca e cria, causando estresse e prejuízos na produção.
Dessa forma, o animal passa a apresentar alterações comportamentais nítidas, como a vocalização excessiva e o hábito de caminhar por longos períodos à procura da mãe, deixando de lado o pastejo e o descanso necessário para o crescimento. Além disso, esse desgaste físico e emocional provoca uma queda drástica nas defesas do organismo, deixando o lote vulnerável a doenças como diarreias e pneumonias. Assim, uma fase de transição pode se tornar um problema sanitário, gerando gastos com medicamentos e atraso na recuperação do ganho de peso.
Por outro lado, quando a desmama é bem planejada e conduzida com manejo adequado, os resultados aparecem. O processo ocorre com menos estresse, os bezerros mantêm o desenvolvimento esperado e a matriz consegue recuperar sua condição corporal mais rapidamente, preparando-se melhor para o próximo ciclo reprodutivo. No fim das contas, investir em um manejo de desmama eficiente é investir diretamente na produtividade e na rentabilidade da fazenda.