pós-desmame de bezerros

4 indicadores essenciais para monitorar o desempenho pós-desmame de bezerros

Superar a transição da desmama é o primeiro passo para uma recria de bezerros lucrativa. Diante de um mercado de reposição com margens estreitas, a eficiência pós-desmame exige mais do que bom pasto, requer precisão no acompanhamento de indicadores como o escore de condição corporal (ECC) e o ganho de peso médio diário (GMD). Neste artigo, você vai conferir indicadores essenciais para monitorar o desempenho animal nessa fase.

Por que a recria é o “gargalo” da produção?

O momento da desmama é, sem dúvida, um dos principais gargalos da pecuária de corte. Nessa fase, o bezerro é separado da vaca e passa por uma brusca transição nutricional, muitas vezes coincidindo com o período de seca, quando há redução na oferta e na qualidade das forragens.

No Brasil, a fase de recria ainda é feita, em sua maioria, em regime de pasto, com baixo nível de intensificação. Como consequência, os animais ficam expostos à sazonalidade da produção de forragens, acarretando em perda de peso em alguns períodos (principalmente durante a seca) e baixos níveis de produtividade.

O desafio da desmama: por que a conta do bezerro ficou mais cara?

Atualmente, o mercado de reposição encontra-se em forte valorização, o que aumenta a exigência por desempenho eficiente no período pós-desmame para garantir a viabilidade econômica do sistema. De acordo com dados recentes do Cepea (2026), o preço do bezerro atingiu patamares superiores a R$ 3.300,00 por cabeça, reduzindo significativamente a margem de erro do pecuarista.

Dessa forma, a pressão por um bom desempenho após a desmama aumenta. Embora a eficiência reprodutiva seja uma das características econômicas de maior importância em um rebanho, de nada adianta desmamar um bezerro pesado se ele estacionar na recria.

Indicadores essenciais para monitorar o desempenho pós-desmame

Para garantir que a estratégia de recria funcione, o pecuarista deve ir além do peso total e observar indicadores zootécnicos:

1. Ganho de peso médio diário (GMD)

É o indicador mais comum na recria. O objetivo principal é evitar que o animal apresente perda de peso logo após a desmama,  o chamado “efeito sanfona”. O monitoramento do ganho médio diário (GMD) é a forma mais objetiva e confiável de identificar esse efeito ao longo do tempo.

Quando o bezerro perde peso durante a seca e precisa recuperar nas águas, há aumento no custo da arroba produzida, uma vez que parte da energia consumida é direcionada à recomposição de tecidos corporais, e não ao ganho efetivo.

Manter um GMD positivo durante a entressafra é fundamental para preservar o desenvolvimento estrutural e metabólico do animal, permitindo que ele aproveite melhor o período das águas e expresse maior potencial de ganho.

2. Escore de condição corporal (ECC)

Nem tudo se resume a balança. O animal precisa crescer em altura e comprimento nessa fase. Se ele ficar “curto e roliço” cedo demais, está depositando gordura precocemente, o que não é o ideal para esta fase. 

3. Escore de cocho e espaçamento

Verifique se há sobra de espaço no cocho ou concentração excessiva de animais durante o acesso à alimentação. Garanta que os animais mais fracos também consigam comer, evitando a disparidade no lote.

4. Escore de fezes

Muitas vezes, o problema aparece primeiro no comportamento, antes de refletir na balança. Se as fezes estiverem muito líquidas, você tem um sinal de alerta. Isso indica desequilíbrio na flora intestinal e sinal de passagem rápida demais do alimento pelo trato digestivo, muitas vezes por excesso de grãos ou falta de fibra efetiva. Ajustar a dieta com base nas fezes permite corrigir o balanço nutricional semanas antes que a balança aponte uma estagnação no ganho de peso.

O segredo da recria de bezerros lucrativa está nos dados

Em um cenário de margens cada vez mais estreitas e custos elevados na reposição, o sucesso na pecuária de corte depende da eficiência em todas as fases do sistema produtivo. Nesse contexto, a recria deixa de ser apenas uma etapa intermediária e passa a assumir papel estratégico na consolidação do desempenho animal.

A adoção de indicadores zootécnicos, aliada a uma gestão orientada por dados, permite identificar e corrigir falhas antes que impactem os resultados econômicos e produtivos. Mais do que produzir bezerros pesados, é fundamental garantir que esses animais expressem todo o seu potencial ao longo da recria.

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