Critérios para escolha da suplementação na recria

O pasto é a base da alimentação de bovinos de corte no Brasil. É dele que os animais retiram a maioria dos nutrientes necessários para sua sobrevivência, produção e reprodução. 

Os animais necessitam de energia, aminoácidos, minerais, vitaminas e água em quantidade suficiente e de qualidade. Essa demanda depende de vários fatores, dentre estes, citam-se a genética (potencial para ganho), gênero (macho ou fêmea), temperatura ambiente e outros. Porém, o capim não consegue atender sozinho a demanda dos animais.  Dessa forma, a suplementação visa fornecer os nutrientes deficientes no pasto, e, é feita de acordo com a disponibilidade e qualidade do capim que há na fazenda.

A equação é simples, confira

Necessidade do animal – Fornecido pelo capim = Déficit a suplementar

Recomenda-se realizar uma análise bromatológica da(s) forrageira(s) utilizada(s) na propriedade rural. Com a análise é possível conhecer a composição do capim, seus teores de matéria seca, proteína, fibras, minerais, entre outros. E, assim, obter dados confiáveis para planejar a suplementação. Além disso, é fundamental ter bem claro os objetivos e as metas almejadas de desempenho animal. 

Um dos grandes desafios da recria é manter o crescimento constante dos animais para realizá-la no menor tempo possível e encurtar o ciclo produtivo. Para isso, o pecuarista precisa planejar a suplementação para a estação seca, águas e períodos de transição (seca-águas e águas-seca). 

No período das águas, as plantas forrageiras possuem todas as condições favoráveis para um bom crescimento. A suplementação neste período corrige a deficiência de nutrientes e potencializa os ganhos, que naturalmente já são melhores em função da disponibilidade e qualidade da forragem. 

Na transição águas-seca o pasto reduz produtividade e a forrageira perde qualidade de forma gradativa, em virtude da redução na temperatura ambiente, luminosidade e quantidade de chuvas.

No período seco do ano há baixa disponibilidade de forragem. O capim apresenta menor valor nutritivo, com teores de proteína bruta (PB) inferiores a 7%, portanto, há uma deficiência de nitrogênio para os microrganismos ruminais. Além disso, os teores de fibra aumentam e a digestibilidade do capim diminui. Consequentemente, isso resulta em baixo desempenho animal. 

Quando a quantidade de massa de forragem reduz drasticamente, não haverá pasto suficiente para alimentar os animais e faltará também energia. Assim, uma boa estratégia de suplementação nesse período de seca visa além de fornecer minerais, adequar os teores de proteína. Para assim, favorecer o crescimento dos microrganismos ruminais, melhorar a produção de proteína microbiana, a digestibilidade do capim e o consumo de forragem. 

E por último, tem-se o período de transição seca-águas, que é marcado por alterações bruscas nos pastos. Logo nas primeiras chuvas, o capim começa a rebrotar e emitir folhas novas, que possuem baixos teores de fibra e alta digestibilidade. 

Assim, em virtude das diferenças na composição e disponibilidade do capim ao longo do ano o pecuarista pode optar por usar um suplemento mineral, mineral aditivado, proteico ou proteico energético. Contudo, é importante consultar um especialista em nutrição animal para fazer a recomendação do suplemento adequado para cada situação.  

Além disso, é necessário avaliar o custo da suplementação. Para isso, o pecuarista precisa conhecer o consumo diário de suplemento pelos animais, o custo operacional diário e o custo por kg do suplemento. Com o iRancho, você consegue registrar os dados de consumo de suplemento dos animais da fazenda e todos os custos com a suplementação, tornando esse controle muito mais fácil e assertivo. 

Quando a suplementação é bem planejada e conduzida, os resultados aparecem. Neste momento, comprova-se que não é caro suplementar. Caro é não ter comida, pois o animal perde peso, permanece muito tempo na fazenda, gera maior custo de produção e menor receita.  

Portanto, na hora de escolher o suplemento, conheça os seus animais, os pastos, tenha uma boa assistência técnica e faça um bom planejamento. Forneça uma suplementação estratégica, que se adeque a necessidade produtiva da fazenda, a fim de alcançar os objetivos e as metas estabelecidas para obter sucesso na recria a pasto.


Por: Fabíola Lino. Doutora em Zootecnia, professora universitária e Diretora Estadual da Associação Brasileira de Zootecnistas.

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