IATF: maior produtividade em menor tempo

Especialistas defendem IATF para bovinos de corte para elevar retorno financeiro a criadores.

Segundo publicação na Folha de Londrina, a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) permite à bovinocultura de corte a redução média de 30% no intervalo entre partos, um ganho de 8% na produção de bezerros, um ganho de 20 kg para o animal até o desmame e de mais 15 kg até o abate. O ganho financeiro estimado para a cadeia com o uso dessa tecnologia é de R$ 2,1 bilhões ao ano, mas chega a apenas 13,6% das fêmeas no País, segundo números apresentados no 8º Simpósio de Eficiência em Produção e Reprodução Animal, na última quinta-feira (11), durante a ExpoLondrina.

O Brasil é o principal responsável por puxar para baixo a média mundial no uso de inseminação artificial, que hoje gira em torno de 22%. O uso da tecnologia aumenta a produtividade da pecuária, tanto no gado de corte quanto de leite, mas a média brasileira fica entre 10 e 12%. Índice que ganha peso quando considerado que o País tem o maior rebanho do mundo, com 221,8 milhões cabeças, de acordo com o balanço do fechamento de 2017 da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).

Presidente da SBTE (Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões), professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e um dos palestrantes do simpósio, Marcelo Seneda afirma que países com rebanhos menores e mais avançados em produtividade, como os europeus, ultrapassam os 90% de uso de inseminação artificial. Nos Estados Unidos, grande produtor, o índice se aproxima de 40%.

Ele explica que os ganhos aparecem já no início. “A maior parte do rebanho brasileiro é de gado nelore, que apresenta cio majoritariamente à noite. Se o produtor não vê, só terá outra chance 21 dias depois”, diz Seneda. O professor explica que em no máximo três meses se consegue a prenhez das fêmeas, o que garante um bezerro por ano e concentra a atividade de acompanhamento da gestação em período menor. “Pelo método tradicional, o comum é ter um touro para cada 25 vacas e fica difícil fazer uma estação curta de reprodução, que chega a cinco meses e dilui os nascimentos em um período grande”, cita.

Para o pesquisador e também palestrante do simpósio, Pietro Sampaio Baruselli, existe muito a se crescer em uso de tecnologias de inseminação na pecuária brasileira. “Temos muito a evoluir dentro desses processos. A boa notícia é que estamos melhorando, porque inseminávamos 6% há alguns anos e hoje chegamos a 13%, com um pacote tecnológico extremamente eficiente não só em termos de produtividade, mas de rentabilidade ao produtor”, diz ele, que é professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e ex-presidente da SBTE.

Em ganhos financeiros, Baruselli afirma que cada real investido em IATF gera R$ 4,50 em retorno ao produtor após os 18 meses de desenvolvimento do animal. Tanto que, das cerca de 15 milhões de doses de sêmen comercializadas para inseminação, perto de 13 milhões já são feitas com IATF e tendência é só de crescimento. “Estimamos que temos hoje em torno de 4 mil especialistas para chegar em uma taxa de inseminação que é a metade da mundial. Para chegarmos à média mundial, vamos precisar de mais 4 mil especialistas no campo e a qualificação das pessoas, a fixação delas no campo e o aumento do conhecimento do criador das vantagens da aplicação dessa tecnologia são muito importantes.”

Seneda complementa que os ganhos não são apenas financeiros. “A carne mais valorizada hoje no Brasil é da raça angus e também o sêmen mais vendido, porque o touro dessa raça não aguenta o clima brasileiro e não consegue ficar no campo. A inseminação permite nascer um angus meio-sangue que tem carne mais marmoreada e melhor preço de venda”, diz.

 

Pesquisadores afirmam que IATF garante sustentabilidade

Presidente da SBTE (Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões) e professor da Universidade Estadual de Londrina, Marcelo Seneda afirma que a IATF em bovinos melhora o bem-estar animal e a sustentabilidade ambiental. “Deixar o gado largado no pasto e ter um bezerro a cada 18 meses são práticas que não têm espaço hoje com a concorrência da agricultura, principalmente em uma terra valorizada como a do Paraná.”

Seneda diz que é mais comum que o criador que utiliza a biotecnologia garanta ao gado um melhor sombreamento, alimentação e evite a lotação excessiva no alojamento. “Quanto à sustentabilidade, se o produtor é mais eficiente, consegue produzir mais em uma área menor, com redução do impacto ambiental e mais respeito aos animais. Caso contrário, não vai ter o resultado esperado”, diz.

O professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) Pietro Sampaio Baruselli diz que é preciso fazer chegar a informação ao criador para que a cadeia tenha o melhor aproveitamento possível. “Temos de mostrar para o setor produtivo que essa ferramenta tem de ser cada vez mais utilizada para ter uma cadeia de produção de carne e de leite cada vez mais sustentável para a pecuária brasileira.”

FONTE: Folha de Londrina

 

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